assunto: [CINEBRASIL] TERCEIRO SETOR - aliado pouco solicitado ?

autor: Marcos Manhães Marins / email autor: marcos em cinemabrasil.org.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Segunda Dezembro 11 18:52:25 BRST 2006


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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>From: "Gustavo Gindre" <gindre em indecs.org.br>
>Date: Sat, 9 Dec 2006 18:16:09 -0200
>Subject: Re: [CINEBRASIL] TERCEIRO SETOR - aliado pouco solicitado ?
>
>>> Gustavo Gindre, sei que o caminho não é fácil, mas na pauta do 
>>>Terceiro Setor, precisa estar incluído não apenas o CASE da TV 
>>>Digital, mas também a necessidade de democratizar o acesso à exibição 
>>>e o acesso aos meios de produção assim como diversificar e 
>>>regionalizar o conteúdo DOS FILMES BRASILEIROS em especial, nas salas 
>>>de cinema, nas novas mídias, e também na TV analógica que estará aí 
>>>por 7 anos antes da TV Digital ser definitivamente implantada. Não dá 
>>>para esquecermos o presente em nome do futuro que ainda não chegou, 
>>>embora cuidar deste futuro com o empenho que você cuida seja muito 
>>>louvável.
>
>
>Caríssimo, fiquei sem computador por cerca de uma semana e somente agora
>consigo lhe responder.
>
>Espero, na primeiro parte da mensagem, ter deixado claro que a atuação
>do Intervozes não se resume à TV digital.


Caro Gustavo,
você se apegou a uma provocação (não pessoal, nem ofensiva, diga-se
DE PASSAGEM) à atuação "do Terceiro Setor". Veja eu disse que "na
pauta do Terceiro Setor, precisa estar incluído não apenas o CASE da TV
Digital, mas também..." (meu texto você reproduziu aqui e viu que ele 
não fala sobre a pauta do Intervozes se resumir a coisa nenhuma). 
Bom, mas a provocação era mais para com o pessoal do Cinema mesmo,
e não com o Terceiro Setor, e muito menos o Intervozes.  Eu queria
sugerir que na nossa Pauta de Debates seja incluída uma solicitação
MAIOR do Terceiro Setor, que segundo fontes do Senado, tem um poder
de fogo grande, de um aliado em potencial para as lutas do Cinema
Brasileiro por mais espaço na TV aberta, entre outras coisas.

Já que você teve a paciência (a de sempre, e elogiável) de responder,
pergunto outra coisa, agora mais direta:
O que o INTERVOZES, com toda esta gama de atividades e com todo este
alcance que você descreveu na primeira parte de sua resposta, pode fazer
no sentido de aproximar o Cinema do Terceiro Setor,  de inserir MAIS 
a discussão também sobre o conteúdo independente do cinema?
Mais entrevistas com os líderes desta luta, os que tentam sim um
CAMINHO DO MEIO nas táticas, mas sem ceder em princípios básicos?
Mais moções? Eventos neste sentido?

Um Congresso Nacional de todo o TERCEIRO SETOR existe? Quando acontece?
Pensei que na segunda parte de sua resposta você iria debater caminhos.


Estou agindo localmente, mas em conjunto com você e os assinantes que
agora nos lêem. 

Difundir e propagar formas de parcerias do TERCEIRO SETOR com a ÁREA
CINEMATOGRÁFICA DO SETOR DO AUDIOVISUAL pode ser uma boa estratégia.
Começar a fomentar este debate me pareceu bastante eficiente, uma
vez que, segundo o Senado, o Terceiro Setor tem uma participação no
PIB e na geração de empregos e Renda da *mesma ordem de grandeza* de
todo o Setor Audiovisual no Brasil, incluindo CINEMA e a TELEVISÃO.

Uma disputa prolongada, como a que se mantém irresolvida entre estas
duas áreas, pode encontrar, numa ARBITRAGEM promovida pelo Terceiro
Setor - um setor forte e respeitado da Sociedade - com Organizações
Não Governmentais das mais diversas especialidades, da Medicina ao
Direito, uma solução de harmonia, social, educacional, cultural 
e também econômica, mercadológica, sistêmica.

Acredito que a CONCILIAÇÃO destas duas áreas da produção audiovisual
no Brasil terá mais chances se tentada num ambiente em que nenhuma
das partes se sinta em desvantagem. Não há só a força do dinheiro
em jogo, mas a força do número, da representatividade social, e
tudo isso precisa estar na mesa. Formar este ambiente ARBITRAL
pode ser muito bom. O que você acha?

A meu ver utilizamos MUITO POUCO este PARCEIRO EM POTENCIAL, que é
o Terceiro Setor. Desperdiçamos esta fonte de energia construtiva.


Espero também manifestações, ou simplesmente saber da reflexão deste
enorme contingente de assinantes daqui da lista CINEMABRASIL. Vamos
tocando em conjunto, nas entidades e nos debates, que um dia a
solução irá se construindo. Em todos os GRANDES países do mundo,
esta questão se resolveu. Por que aqui demora tanto? Quem pode
ajudar nisso? A Organização Mundial do Comércio? Ou podemos, com
o Terceiro Setor, aqui mesmo no Brasil, construir esta solução
de equilíbrio de forças? 

Grande Abraço,
Marcos Manhães Marins
CINEMABRASIL.org.br
Um dos 29 fundadores do CBC - Congresso Brasileiro de Cinema
Presente, votante, e participante de grupos de trabalhos em todos 
os congressos do CBC desde 2000.


>From: "Gustavo Gindre" <gindre em indecs.org.br>
>Date: Sat, 9 Dec 2006 18:16:09 -0200
>Subject: Re: [CINEBRASIL] TERCEIRO SETOR - aliado pouco solicitado ?
>
>
>>> Gustavo Gindre, sei que o caminho não é fácil, mas na pauta do 
>>>Terceiro Setor, precisa estar incluído não apenas o CASE da TV 
>>>Digital, mas também a necessidade de democratizar o acesso à exibição 
>>>e o acesso aos meios de produção assim como diversificar e 
>>>regionalizar o conteúdo DOS FILMES BRASILEIROS em especial, nas salas 
>>>de cinema, nas novas mídias, e também na TV analógica que estará aí 
>>>por 7 anos antes da TV Digital ser definitivamente implantada. Não dá 
>>>para esquecermos o presente em nome do futuro que ainda não chegou, 
>>>embora cuidar deste futuro com o empenho que você cuida seja muito 
>>>louvável.
>
>
>Caríssimo, fiquei sem computador por cerca de uma semana e somente agora
>consigo lhe responder.
>
>Espero, na primeiro parte da mensagem, ter deixado claro que a atuação
>do Intervozes não se resume à TV digital.
>
>A segunda parte da mensagem procura provar que a sociedade civil não se
>resume ao Intervozes. Que existem diversas outras entidades atuando no
>campo da comunicação e, mais especificamente, no campo do audiovisual.
>
>O que significa que não incluirei nesta mensagem o universo de entidades
>que atuam pela liberdade de expressão, com rádios comunitárias, pela
>inclusão digital, etc.
>
>Também não considerarei aqueles "natos" do universo do cinema, como o
>próprio CBC e, por exemplo, o crescente movimento cineclubista.
>
>Dito isso, vejamos:
>
>Mesmo depois da crise dos anos 90, ainda contamos no Brasil com várias
>entidades que atuam na área do vídeo popular, como a BEM TV, o CECIP, a
>TV Viva, etc.
>
>A rede CEP (Comunicação, Educação e Participação) já reúne 13
>experiências de educomunicação, que procuram capacitar a população para
>ler criticamente e produzir comunicação. São quase todos projetos que
>usam o vídeo.
>
>A campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania" conseguiu
>fugir da armadilha de discutir de forma moralista a mídia e hoje
>aglutina dezenas de entidades e pesquisadores que discutem formas de
>regulação democrática da TV aberta brasileira.
>
>O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), recriado em
>2001, aglutina entidades nacionais e regionais (agrupadas em comitês)
>para discutir os mais diferentes aspectos da luta por uma comunicação
>democrática. Foi o fórum que logrou negociar com o empresariado a lei da
>TV a cabo, por exemplo.
>
>Enfim, nosso desafio não me parece ser este que você apontou.
>
>Temos, isso sim, que atrair para esta luta aquelas entidades que não têm
>um pauta ligada diretamente à comunicação. Ou seja, entidades de
>direitos humanos, de luta pela melhoria da saúde, de reforma agrária, do
>movimentos sindical, etc, devem perceber que suas pautas dependem de um
>amplo debate no interior da sociedade e que este debate depende de uma
>comunicação democrática.
>
>E temos, também, que conseguir nos articular de forma mais eficiente,
>deixando de atuar isoladamente.
>
>Estes sim me parecem ser os grandes desafios.
>
>Abraços,
>Gustavo.
>
>
>
>
>
>Enviada por: "Gustavo Gindre" <gindre em indecs.org.br>
>

Enviada por: Marcos Manhães Marins <marcos em cinemabrasil.org.br> 

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