assunto: [CINEBRASIL] REGIONALIZAÇÃO PERVERSA - A voz da experiência!!!

autor: Joatan Vilela Berbel / email autor: jberbel em terra.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Sexta Dezembro 15 17:13:12 BRST 2006


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Parabéns ao Roberto Farias e ao Sergio Santeiro, estes dois emails são sem
dúvida algo para ser guardado como história, dentre as outras tantas que
esta lista já produziu. Santeiro toca na ferida exposta - o sistema
burocrático dos Editais -, da política de fomento da SAV/Ancine que de
descentralização só tem o discurso, pois é centralizado e controlado pelos
"comitês", um circuito fechado que nivela para baixo a produção cultural,
muito bem apontado pelo Roberto.
Roberto defende um sistema de premiação "Os selecionados por uma comissão
segundo o critério de qualidade recebiam um plus independentemente de sua
performance na bilheteria.". Houve um tempo, década de 70, em que este tipo
de premiação -  se chamava Adicional de Bilheteria - se não me engano, era
praticado pela Embrafilme.

O Roberto pode nos ajudar, com sua boa memória e experiência de produtor e
gestor naquela época, e nos informar qual o motivo que determinou o
cancelamento do "Adicional de Bilheteria".
Para aprendermos com a história temos que examinar - como numa engenharia
reversa - o mecanismo aplicado na época e os motivos pelos quais ele foi
extinto. Assim podemos aperfeiçoa-lo no presente, sem os problemas do
passado.
Mas é sem dúvida um bom princípio. A proposta do Santeiro me parece muito
interessante - a da compra dos contratipos como se dizia na era do filme
ótico - hoje podemos dizer - a compra de um versão em arquivo digital, ou
mesmo num suporte DVD, ou HD etc - que torna a compra mais barata e o uso
mais flexível. Ta aí...está é uma grande idéia.
Acrescento a informação a aprovação do Plano de Desenvolvimento do
Audiovisual Brasileiro, PL7193 ou PLC-PLC 114/06 versão do Senado, que não é
só Fundo de Fomento, é muito mais que isto. O dispositivo que permite a
todas as emissoras de TV usarem o mesmo benefício do antigo At.3, da Lei do
Audiovisual amplia em muito as possibilidades de produção associada com a TV
e muito mais executável que o velho Art.39.
A regulamentação e os benefícios fiscais para os Funcines também foram
ampliadas. Com boa dose de empreendedorismo e competência dá para se criar
bons núcleos de produção e distribuição através deste mecanismo, vou mais
além...através dos Funcines pode-se criar verdadeiras estrutuas de
logística - marketing, produção, distribuição e exibição - com boa margem de
associação a investidores....com um custo de capital minimizado pelo
incentivo fiscal, o risco cai a zero.
A aprovação deste projeto de Lei, na velocidade e integridade com que
tramitou no Congresso é fruto da convergência de interesses que uniu os
diversos segmentos de compõem a inústria do audiovisual brasileira. A
experiência do malfadado projeto da ANCINAV, serviu para mostrar  que o
caminho democrático traz bons resultados.
Estão todos de parabéns.
Oxalá que com este ânimo se resolva a bom termo a sucessão na ANCINE.

abrcs
Joatan

> Caro Santeiro.
> Não sei se você me lê, mas eu leio você. Também me lembro de um roteiro do
> Glauber, o da Idade da Terra. Só quem sabia valorizar currículos seria
capaz
> de financiar o filme, como nós, na Embrafilme daquele tempo. Não era um
> roteiro, eram anotações sem qualquer preocupação de ser julgado por elas.
> Divergimos, sim, ele queria um orçamento enorme que eu não podia conceder
> porque ultrapassava de muito os valores habituais, algo como três ou
quatro
> vezes. Gustavo sugeriu a ele que apresentasse um orçamento dentro dos
> parâmetros. A contragosto, ele apresentou e eu assinei o financiamento. À
> tarde, do mesmo dia, ele apresentou um pedido de reajuste segundo o
> orçamento original. Genial, não? O importante é que o filme foi realizado.
> Hoje estamos todos no mesmo balaio. Jovens, velhos, estreantes, com
> currículo, sem currículo, com cadastro, sem cadastro, à mercê de comissões
> que decidem nossas vidas com o dinheiro público. Como você bem disse,
> roteiro não é filme. Um bom roteiro pode dar um mau filme e um mau roteiro
> idem. No longa, o que acontece é que a ambição é maior e quem é amigo dos
> homens, pratica tráfico de influência ou sabe como manipular a
contabilidade
> é que se dá bem.
>
> Quando eu quis fazer experiências mais ousadas, sem dar bola para o
público,
> com Selva Trágica, o fiz às minhas custas, quase perdi meu apartamento
> comprado com mais de 10 anos de trabalho e fiquei trabalhando mais de um
ano
> para pagar dívidas no banco. 90% dos filmes que fiz na vida foram assim,
com
> recursos ganhos no cinema.
>
> Mas esta mensagem é para cumprimentar você por sua coragem em dizer que a
> iniciativa de fazer deve recair sobre quem realmente deseja encarar a
sério
> esta nossa sofrida profissão.  Esta é minha posição. Fazer primeiro e ser
> recompensado depois. Há os que fazem curtas sem incentivos. Merecem todo
> apoio. E o que é um longa, senão o equivalente a três curtas? Se o mesmo
> princípio for adotado longa, eles também farão longas..
>
> Por que estou a tanto tempo sem dirigir um filme? Porque o mercado
encolheu.
> E já que você citou o antigo Instituto Nacional do Cinema INC, cito
também.
> Havia o adicional de renda que premiava os filmes segundo sua aceitação
pelo
> público na bilheteria. Os selecionados por uma comissão segundo o critério
> de qualidade recebiam um plus independentemente de sua performance na
> bilheteria. Uma comissão que premia um filme pronto tem pouca margem para
> fazer besteira ou privilegiar amigos. Por isso sou a favor de um adicional
> de renda substancial. É para isso que ele serve - para complementar o
> mercado. O mesmo princípio que permite haver aviões sobrevoando a
Amazônia,
> de enormes distâncias, onde a iniciativa privada não pagaria seus custos,
se
> o governo não complementasse o valor dos bilhetes aéreos. E eu já disse
que
> o desenvolvimento do cinema brasileiro custaria não mais que 20% dos
> recursos empregados hoje pelo governo na atividade. Provavelmente, como
eu,
> você será criticado como ultrapassado por sugerir hoje a aplicação de
> modelos de ontem, ou seja, será chamado de velho... mas lucidez,
geralmente,
> não é qualidade dos novos... Mas a diferença entre o modelo de hoje é
> gritante.
> Abraços, caro guerreiro
> Roberto Farias
>
> Repito abaixo sua mensagem:
>
> "Como foi feito Terra Em Transe? Não haviam recursos incentivados. O
Estado
> não se metia na produção. A recompensa vinha depois, premiando o esforço
de
> quem nasceu para isso e não aos que garimpam facilidades nas diversas
áreas
> de atividade.
>
>  Meus caros a questão não é geopolítica. Não há pessoa, entidade, juri ou
> critério que tenha o direito de excluir 780 projetos. Quem não merece? Só
> quem não for brasileiro ou não pagar imposto de renda. Os demais outros
são
> contribuintes e os recursos são publicos, somatório destas contribuições.
É
> precioso e preciso repensar o sistema. Depois
> chorar, não vale. Acabou chorare. Chororô, xô!
>
> A coisa mais inteligente no genero que eu saiba, além da lei do curta
> universalmente aplicada, é um velho mecanismo do antigo Instituto Nacional
> do Cinema Educativo - INCE, que era a "compra de direitos de contratipagem
> para exibição não-comercial". Xôu de bola. Em nossos tempos digitais
> bastaria o Minc adquirir tais direitos de uma matriz digital conveniente,
> digamos, uma beta analógica que é o que se usa amplamente. Baixo custo de
> produção, remuneração equânime, suporte conveniente para
> exibição digital. A película acabou. Azar da Kodak.
>
> Dirão voces, e quem banca a produção, oras, é o produtor, em nosso caso, o
> realizador. E os estreantes, pois é, terão a chance de estrear,
bancando-se
> como o não estreante. Afinal ao estreante é preciso primeiro estrear antes
> de estrelar. Nunca vi ninguem dar uma ponte para um engenheiro estreante
> estrear, nem uma operação de coração para um cardiologista neófito. Há que
> ralar cambada, mostrar serviço, dizer a que veio, fazer política para
> ampliar as condições de produção e exibição de nossos filmes.
>
> Nunca vi e nem ouvi falar de filme em papel. Roteiro bom se é que isto
> existe é apenas uma peça literária, manda pra ver se ganha o Nobel, não
> garante nem sugere bom filme, o mau tambem. Jamais me esquecerei do
roteiro
> de "Terra em Transe", voces nem imaginam o que era. E tambem não me
> esquecerei que o Niemeyer ganhou o concurso para a construção de Brasília
> com duas fôlhas de papel manteiga a nanquim.
>
> Boa briga, e deixa o Esporte em paz. O problema é a Rouanet garantir o
caixa
> dois das estatais e fundações privadas e subsidiar a cultura importada. O
> nosso Esporte o amador tambem é nosso, dá pra partilhar com ele, o que não
> dá é pra sustentar os ômi e os seus puteiros de luxo. Salve espíritos.
> Sergio Santeiro."
>
>
>
>



Enviada por: "Joatan Vilela Berbel" <jberbel em terra.com.br>

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