assunto: [CINEBRASIL] REGIONALIZAÇÃO PERVERSA

autor: Solange Lima / email autor: sollima5 em hotmail.com     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Terça Dezembro 19 12:35:20 BRST 2006


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Na boa gente, na vida tudo é disputa até para sermos gerado, um milhão de 
espermatozóides disputam para conseguir um lugar no útero ou se tiver sorte 
02, 03, 04... será gerado e vivera...
A disputa é inerente ao ser humano, agora claro que trabalhamos para que 
haja uma disputa mais justa e salutar. Ou alguém acha que um belo dia todo 
mundo que deseja fazer cinema vai chegar no banco sacar o dindin... fará um 
filme...?
A nossa luta é para que uns não tenham tão mais que outros, que todos os 
estados possam concorrer com o mesmo direito e que não sejam premiados por 
quantidade de inscrição ou por QI, mas sim por qualidade de projeto. Sabendo 
que haverá também muito bons projetos, mas devido à verba serão poucos os 
premiados. Porém nem só de premio vive o homem não é mesmo? vale também à 
conquista, o norral, a capacidade para a captação. Ai entra outros fatores 
que são, porque uns tem acesso e outros não a esta captação? Ai tem 
novamente + 02 caminhos, o vicio antigo onde as empresas só apoiavam por 
indicação e há uma luta nossa para que estas empresas aprendam a reconhecer 
bons produtos e não "bons" nomes... ou o famoso QI.
Vamos nessa, se não se mudou em 20, 30 anos, não somos nós que faremos à 
revolução em 01..., mas pode ter certeza que um dia ela vai chegar, não 
acredito que contemplando a "TODOS", mas aos que conseguirem sobreporem a 
uma disputa, mas que seja leal e justa. Só não tenho a ilusão de que vou 
acordar amanhã com uma idéia genial e que só porque tive esta idéia eu vou 
conseguir por na película... Aí não é nem ser sonhador, é ser totalmente 
alienado da realidade.

Solange



From: Francis Vale <francisvale em fortalnet.com.br>
Reply-To: cinemabrasil em cinemabrasil.org.br
To: cinemabrasil em cinemabrasil.org.br
Subject: Re: [CINEBRASIL] REGIONALIZAÇÃO PERVERSA
Date: Mon, 18 Dec 2006 09:19:34 -0300



Caro Roberto,

Em outra oportunidade, comentei o comentário do Santeiro, dando força a seus
pontos de vista.
Agora, peço licença pra dizer alguma coisa sobre o que você escreveu.
Em primeiro lugar, acho suas considerações lúcidas e lógicas. No entanto, a
lucidez e a lógica não parecem convencer muito, no momento. Alguém já falou
isso antes. Não lembro quem.
Pra muita gente, é perfeitamente "lógico" um concurso de 800 em que 10 
ganham
e o resto sobra. Afinal, no jogo do bicho é assim: a cada extração são
premiadas 10 milhares. Está consagrada a "lógica bicheira".
Apesar de as leis de incentivos estarem abertas a todos os contribuintes do
Imposto de Renda, poucas são as empresas que aparecem nos créditos dos 
filmes
brasileiros. E quase sempre as mesmas: ESTATAIS. Portanto, os filmes são
patrocinados pelo ESTADO via ESTATAIS.Pior: nem todas as ESTATAIS estão
investindo no audiovisual. Algumas criaram os seus centros culturais e neles
investem de acordo com a lógica dos burocratas do setor. O mesmo acontece 
com
os "institutos" pertencentes a grandes grupos econômicos, inclusive do setor
das COMUNICAÇÕES (EPA!).Por que as empresas privadas participam tão pouco?
Será porque sabem que suas logomarcas serão vistas por reduzido público? Ou
porque há projetos mais interessantes em outras áreas? Pela LÓGICA, o
audiovisual deveria ser a área mais atraente. Se não é, há outros fatores de
convencimento mais fortes que a LÓGICA. Por enquanto, estou muito 
interessado
em saber que fatores são esses.

Um abraço do
Francis



 >
 > Caro Santeiro.
 > Não sei se você me lê, mas eu leio você. Também me lembro de um
 > roteiro do Glauber, o da Idade da Terra. Só quem sabia valorizar
 > currículos seria capaz de financiar o filme, como nós, na Embrafilme
 > daquele tempo. Não era um roteiro, eram anotações sem qualquer
 > preocupação de ser julgado por elas. Divergimos, sim, ele queria um
 > orçamento enorme que eu não podia conceder porque ultrapassava de
 > muito os valores habituais, algo como três ou quatro vezes. Gustavo
 > sugeriu a ele que apresentasse um orçamento dentro dos parâmetros. A
 > contragosto, ele apresentou e eu assinei o financiamento. À tarde,
 > do mesmo dia, ele apresentou um pedido de reajuste segundo o
 > orçamento original. Genial, não? O importante é que o filme foi
 > realizado. Hoje estamos todos no mesmo balaio. Jovens, velhos,
 > estreantes, com currículo, sem currículo, com cadastro, sem cadastro,
 >  à mercê de comissões que decidem nossas vidas com o dinheiro
 > público. Como você bem disse, roteiro não é filme. Um bom roteiro
 > pode dar um mau filme e um mau roteiro idem. No longa, o que
 > acontece é que a ambição é maior e quem é amigo dos homens, pratica
 > tráfico de influência ou sabe como manipular a contabilidade é que
 > se dá bem.
 >
 > Quando eu quis fazer experiências mais ousadas, sem dar bola para o
 > público, com Selva Trágica, o fiz às minhas custas, quase perdi meu
 > apartamento comprado com mais de 10 anos de trabalho e fiquei
 > trabalhando mais de um ano para pagar dívidas no banco. 90% dos
 > filmes que fiz na vida foram assim, com recursos ganhos no cinema.
 >
 > Mas esta mensagem é para cumprimentar você por sua coragem em dizer
 > que a iniciativa de fazer deve recair sobre quem realmente deseja
 > encarar a sério esta nossa sofrida profissão.  Esta é minha posição.
 > Fazer primeiro e ser recompensado depois. Há os que fazem curtas sem
 > incentivos. Merecem todo apoio. E o que é um longa, senão o
 > equivalente a três curtas? Se o mesmo princípio for adotado longa,
 > eles também farão longas..
 >
 > Por que estou a tanto tempo sem dirigir um filme? Porque o mercado
 > encolheu. E já que você citou o antigo Instituto Nacional do Cinema
 > INC, cito também. Havia o adicional de renda que premiava os filmes
 > segundo sua aceitação pelo público na bilheteria. Os selecionados
 > por uma comissão segundo o critério de qualidade recebiam um plus
 > independentemente de sua performance na bilheteria. Uma comissão que
 > premia um filme pronto tem pouca margem para fazer besteira ou
 > privilegiar amigos. Por isso sou a favor de um adicional de renda
 > substancial. É para isso que ele serve - para complementar o
 > mercado. O mesmo princípio que permite haver aviões sobrevoando a
 > Amazônia, de enormes distâncias, onde a iniciativa privada não
 > pagaria seus custos, se o governo não complementasse o valor dos
 > bilhetes aéreos. E eu já disse que o desenvolvimento do cinema
 > brasileiro custaria não mais que 20% dos recursos empregados hoje
 > pelo governo na atividade. Provavelmente, como eu, você será
 > criticado como ultrapassado por sugerir hoje a aplicação de modelos
 > de ontem, ou seja, será chamado de velho... mas lucidez, geralmente,
 > não é qualidade dos novos... Mas a diferença entre o modelo de hoje
 > é gritante. Abraços, caro guerreiro Roberto Farias
 >
 > Repito abaixo sua mensagem:
 >
 > "Como foi feito Terra Em Transe? Não haviam recursos incentivados. O
 > Estado não se metia na produção. A recompensa vinha depois,
 >  premiando o esforço de quem nasceu para isso e não aos que garimpam
 > facilidades nas diversas áreas de atividade.
 >
 >  Meus caros a questão não é geopolítica. Não há pessoa, entidade,
 >  juri ou critério que tenha o direito de excluir 780 projetos. Quem
 > não merece? Só quem não for brasileiro ou não pagar imposto de
 > renda. Os demais outros são contribuintes e os recursos são publicos,
 >  somatório destas contribuições. É precioso e preciso repensar o
 > sistema. Depois chorar, não vale. Acabou chorare. Chororô, xô!
 >
 > A coisa mais inteligente no genero que eu saiba, além da lei do
 > curta universalmente aplicada, é um velho mecanismo do antigo
 > Instituto Nacional do Cinema Educativo - INCE, que era a "compra de
 > direitos de contratipagem para exibição não-comercial". Xôu de bola.
 > Em nossos tempos digitais bastaria o Minc adquirir tais direitos de
 > uma matriz digital conveniente, digamos, uma beta analógica que é o
 > que se usa amplamente. Baixo custo de produção, remuneração equânime,
 >  suporte conveniente para exibição digital. A película acabou. Azar
 > da Kodak.
 >
 > Dirão voces, e quem banca a produção, oras, é o produtor, em nosso
 > caso, o realizador. E os estreantes, pois é, terão a chance de
 > estrear, bancando-se como o não estreante. Afinal ao estreante é
 > preciso primeiro estrear antes de estrelar. Nunca vi ninguem dar uma
 > ponte para um engenheiro estreante estrear, nem uma operação de
 > coração para um cardiologista neófito. Há que ralar cambada, mostrar
 > serviço, dizer a que veio, fazer política para ampliar as condições
 > de produção e exibição de nossos filmes.
 >
 > Nunca vi e nem ouvi falar de filme em papel. Roteiro bom se é que
 > isto existe é apenas uma peça literária, manda pra ver se ganha o
 > Nobel, não garante nem sugere bom filme, o mau tambem. Jamais me
 > esquecerei do roteiro de "Terra em Transe", voces nem imaginam o que
 > era. E tambem não me esquecerei que o Niemeyer ganhou o concurso
 > para a construção de Brasília com duas fôlhas de papel manteiga a 
nanquim.
 >
 > Boa briga, e deixa o Esporte em paz. O problema é a Rouanet garantir
 > o caixa dois das estatais e fundações privadas e subsidiar a cultura
 > importada. O nosso Esporte o amador tambem é nosso, dá pra partilhar
 > com ele, o que não dá é pra sustentar os ômi e os seus puteiros de
 > luxo. Salve espíritos. Sergio Santeiro."
 >
 > Enviada por: "Roberto Faria" <rf.farias em uol.com.br>
 >
 >
 >

Enviada por: Francis Vale <francisvale em fortalnet.com.br>


Enviada por: "Solange Lima" <sollima5 em hotmail.com>

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