assunto: [CINEBRASIL] Enc: Um texto de algém tão agitado quanto você...

autor: francisvale em fortalnet.com.br / email autor: francisvale em fortalnet.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Domingo Outubro 8 19:32:13 BRST 2006


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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[OWNER: Por favor, voltemos a nos concentrar no tema desta lista, o cinema
(e audiovisual) no/do Brasil. O texto original de Zé Celso mantinha ligação
com o tema desta lista, mas as mensagens de Assunção e de Francis, não mais.]



Caros Listeiros,

Diante da indagação sobre o fato de que só alguns são julgados e punidos, 
gostaria de dizer que acho que todos os acusados contra os quais seja apurada 
a prática de algum crime devem ser julgados e condenados.
A começar pela TUCANALHA do FHC,SERRA, ALCKMIN. Todos aqueles que 
enriqueceram com as privatizações e promoveram o festival de corrupção que 
começou a ser desvendado no governo atual( Daniel Dantas/Vedoin/etc).
Não pode é querer punição só pros dagora. Não é mesmo, Assunção?

Francis Vale




> Amigos
> 
> Tenho uma pergunta que não quer calar:
> tenderia  a concordar com  o argumento do José Celso  que face ao 
> que existe em nosso mundo, injustiças, desigualdades,  globalizações,
>  etc.,  não há problema em que  os  "aloprados" e outros tantos  
> façam da apropriação indébita, do uso indevido dos recursos,  ou 
> traduzindo, do roubo, algo "normal" e  condecesder  com esses 
> "crimes".  Mas aí eu me pergunto e aproveito para perguntar a todos, 
> a partir dessa posição, não devemos fazer um grande movimento 
> nacional para abrir todas as prisões e perdoar   todos os crimes  e 
> roubos e assaltos cometidos , pela população,  tendo em vista que 
> muito provàvelmente a maioria deles decorre  dos percalços  causados 
> pela dinâmica de nossa  sociedade? Não deviíamos educar nossos 
> filhos, netos, alunos etc., que   o que vale  é o vale tudo? E que 
> como adversários fazem o que não devem,  nossos líderes também o 
> fazem  e portanto é absolutamente  aceitável  que todos façamos o 
> mesmo. Porque só  alguns tem que ser julgados,  culpados e 
> castigados, só aqueles que não estão envolvidos com o governo ou com 
> um partido político, ou que não tem fortunas para se defender.
> 
> Abrçs
> 
> Assunção
> 
> > Jornal do Brasil -    30/12/2005 -
> >
> >
> >
> > Em questão: A política cultural do Governo
> >
> >
> >
> > Cultura é democracia
> >
> >
> >
> > José Celso Martinez Corrêa
> >
> >
> >
> > Democracia não é Mono-Cultura. É Cultura de muitos deuses, de tabus 
> > virados
> > totens, sinfonia sincrônica de muitos bodes cantando. Nisso a pessoa, a
> > obra, a gestão de Gil é expert e única no mundo atual. Tenho esperanças em
> > relação a 2006. Diria mais: prefiro votar no Lula. O PT fez um trabalho
> > extraordinário, embora involuntariamente, revelando o que é a atual
> > ''democracia'' neoliberal brasileira. O erro foi o de ter entrado na
> > engrenagem do capital financeiro global, corrupta em si. Diante dela, o
> > mensalão é porta-níquel . Mas por ter penetrado nesta ''democracia''
> > revelou-a. E mostrou que é necessária uma revolução profunda no aparelho 
> > de
> > Estado brasileiro, somente possível se a cultura brazyleira antropofágica
> > for valorizada como poder humano político. Não acredito que José Dirceu
> > tenha feito algo em proveito próprio e sim em interesse partidário. Mas 
> > não
> > há justificativa. É a alienação cultural do aparatchiquismo. Fiz um
> > discurso, em 2002, dizendo a Lula que o ministro da Cultura era mais
> > importante que o Banco Central. Acho que acabou acontecendo isso. Gil e
> > Celso Amorim são os ministros mais fortes de Lula, ainda que não
> > suficientemente reconhecidos por ele. Mas Lula caiu na armadilha, aceitou 
> > a
> > regra do jogo e, com isso agora ninguém mais é ingênuo. Eu mesmo não
> > acredito mais em partidos. A França, o país que inventou a República, vive
> > uma crise enorme, porque culturalmente não sabe como realizar a 
> > democracia,
> > já que mantém uma visão de cultura européia-anglo americana, branca,
> > positivista, bitolada. Não sabe como abrigar aqueles milhares de franceses
> > de origem africana, árabe, e têm seus costumes próprios. Daí os incêndios 
> > e
> > a regressão direitista de muitos intelectuais cartesianos franceses.
> >
> >
> >
> > Falo desses temas porque a democracia não é nunca estável e depende da
> > contracenação cultural. É do encontro entre uma cultura e seu 
> > profundamente
> > contrário que se produz democracia. E isso é claro no governo Lula e na
> > gestão de Gil. Lula, mesmo no poder, continuou ligado aos movimentos
> > sociais. O Oficina é um movimento social. Mesmo que não sejamos incluídos 
> > no
> > mapa oficial dos movimentos da sociedade brasileira. Com 47 anos de
> > existência, o Oficina continua posseiro da Rua Jaceguai, 520, no Bixiga. O
> > Estado de São Paulo não confere estatuto legal ao teatro. Eles querem que
> > tenhamos apenas ''permissão de uso''. Nós fizemos o teatro, nós criamos
> > aquele espaço. Faz-se de tudo para desprestigiar o lugar. Há 25 anos 
> > lutamos
> > para fazer o Teatro de Estádio e a Universidade Popular Antropofágica em
> > torno do Oficina e está quase tudo demolido. Nessa área vazia coloca-se 
> > uma
> > questão que é a do Brasil: mais um shopping ou um primeiro espaço público 
> > de
> > cultura, saúde, educação, inclusão social e cibernética da multidão? 
> > Ninguém
> > melhor que Gil para compreender a importância revolucionária para uma 
> > rheal
> > democracia brazyleira, do que pode acontecer nesse quarteirão do Bixiga.
> >
> >
> >
> > Por esse e por outros motivos, tenho horror à política do PSDB. Nos oito
> > anos de FHC, não pisei no MinC, que era uma cortina de ferro. Ao lado dos
> > nomes do governo atual que se envolveram na máquina de corrupção, há gente
> > boa, dialogando com os movimentos sociais. O MinC é cheio desses quadros. 
> > A
> > começar por Orlando Senna, Fernando Almeida, do Monumenta, Antônio 
> > Augusto,
> > do Iphan etc. Há diálogo com a sociedade e a produção cultural. Sou 
contra 
> > a
> > regressão. Regredir ao PSDB é regredir à ditadura. À ortodoxia. O Brasil 
> > tem
> > uma extrema direita que radicaliza e que se fantasia de centro. José Serra
> > entrou na Prefeitura de São Paulo e criou uma rampa anti-mendigo para
> > impedir que os sem-teto dormissem embaixo dos viadutos. Um povo em plena
> > ascensão cultural.
> >
> >
> >
> > A maior parte da gestão de Gilberto Gil foi passada convivendo com o
> > fantasma do ''contingenciamento'' de verbas. E ele promoveu uma luta 
> > enorme
> > contra a linha do Palocci. Mas este ano, entretanto, acho que, embora seja
> > por interesse eleitoral, os cofres devem ser abertos. Não faz sentido o
> > governo não investir. Mas se não deu dinheiro, o MinC nos deu atenção
> > absoluta. Esteve do nosso lado a todo momento. Conseguiremos lançar nossos
> > DVDs com apoio da Petrobras em 2006. Mas mais importante é que conseguimos
> > ir para a Alemanha. E o Bixigão, nosso movimento com crianças, tornou-se
> > Ponto Cultural, um projeto inteligentíssimo, embrião de novos Cieps do 
> > MinC.
> > Acho excelente o Gil ter invertido a lógica do patrocínio, porque a 
> > presença
> > dele trouxe uma noção de cultura contemporânea, descentralizada,
> > antropofágica, tropicalista, popular, mas em uma versão avançada. A obra 
> > de
> > Gil é ligada a seu programa como ministro.
> >
> >
> >
> > Ele está lá por isso. Ele sabe quem precisa do Estado. Ele está no mercado
> > e sabe que atores de TV que fazem peças descartáveis não precisam de apoio
> > estatal, que há outros grupos que precisam mais. Tenho a confiança de que 
> > em
> > 2006 ele consiga resolver o problema do patrimônio, da conservação. Os
> > funcionários dessa área ganham miseravelmente e o próprio ministro apoiou
> > sua greve. Em São Paulo, o patrimônio estadual virou um auxílio à
> > especulação imobiliária. Recorremos ao Iphan, cujo diretor, Antônio 
> > Augusto
> > Arantes Neto, é um antropólogo genial, o homem que tombou o samba de 
roda. 
> > E
> > nos socorreu. Está lutando pelo tombamento qualificado, destinado à
> > realização do projeto de Lina Bardi para o entorno do Oficina. Acusam o 
> > MinC
> > de ceder demais, com no caso Ancinav. Gil defende a Ancinav até em samba
> > sobre cinema brasileiro. Foi uma questão de jogo político de cintura. No
> > episódio sobre a contrapartida social, um pequeno grupo reivindicou o
> > direito de não fornecê-la. O Oficina não gosta desta palavra, mas faz
> > ''contrapartida social'' não por dever moral ou político. Faz porque
> > trabalhar com meninos de rua é um aprendizado. Chamaram de estalinismo. 
> > Mas
> > ai de quem não fizer contracenar e incluir a exclusão social, ai do 
> > artista
> > que ficar fechado em seu gueto. Vira múmia. Medíocre.
> >
> >
> >
> > Por isso, digo: estamos absolutamente cansados de ser catequizados. O tema
> > da campanha de Lula não pode ser o da insistência no discurso da ortodoxia
> > econômica, mas o da revolução heterodoxa cultural latino universal
> > americana. Merda.
> >
> >
> > Enviada por: Sergio Santeiro <santeiro em vm.uff.br>
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> Enviada por: Assunção Hernandes <assuncao em raizprod.com.br>
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