
autor: Leonardo Brant / email autor: boletim em culturaemercado.com.br
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data: Terça Outubro 10 04:57:39 BRST 2006
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09 de outubro
2006
POLÍTICAS CULTURAIS AMEAÇADAS
Em 2002 lançamos junto com o livro "Políticas Culturais vol.1" um manifesto
com pontos básicos para os programas de governo de todos os candidatos. O
título do documento, uma sugestão de Ricardo Ribenboim, foi "1% para a
Cultura", até hoje na pauta nacional, assim como boa parte do seu conteúdo.
Fomos procurados e colaboramos com todos os comitês de campanha. Sem exceção.
Quatro anos adiante. Alterações sensíveis no mundo, sobretudo o da cultura.
Passos largos na direção de uma democracia cultural. Mérito de Gilberto Gil
e equipe, que incomodaram muita gente do próprio governo, da mídia, das
majors, e principalmente, do setor cultural. Até mesmo em embates mais
duros, como a votação da Convenção da Diversidade Cultural na UNESCO, como
lembra André Martinez, em Fórum. Por outro lado, vale destacar, estamos a
milhas de distância da implantação definitiva destes discursos, conquistados
a duras penas. Os programas mais avançados nesse campo, como o Cultura Viva,
com seus Pontos de Cultura, estão mais ameaçados do que imaginamos. E não
somente por Alckmin, como poderia supor o leitor, mas também por Lula.
"O Ministério da Cultura não existe". A provocação, extraída da entrevista
de Jorge Coli a Cultura e Mercado, induz ao repensar sobre o papel, a
participação e a responsabilidade de cada um de nós na construção dessa
política, por mais boquiaberto que estejamos diante do marasmo
político-programático. O "Políticas Culturais vol.2" não veio como
planejado, para repetir sua função no cenário político-eleitoral, a tempo de
interferir nos programas de governo. Virá em breve.
Mas nosso compromisso diário de acompanhar, comemorar, criticar e auxiliar o
redefinir de rumos da nossa política cultural continua firme. Temos feito
isso desde 1998. Com ainda mais afinco e profundidade desde o mês passado,
com uma série de entrevistas para o "Perfil", que cumpre, de certa forma, o
papel pensado para o livro. E também com uma ampla cobertura, fórum e a
opinião de nossos colunistas.
Há duas semanas, publicamos matéria de André Fonseca, com o resumo das
propostas dos candidatos à presidência para a cultura. Diante da catástrofe
anunciada resolvemos agir. E tentar reverter as falhas no processo de cada
programa.
Em relação à candidatura Lula, nosso objetivo é discutir sobre a mudança de
visão de políticas culturais do candidato. Em 2002 ele propôs um lugar amplo
e privilegiado para as políticas culturais, por meio da "imaginação a
serviço do Brasil". Hoje a história é outra. Seu programa, de 36 páginas,
traz na etiqueta "programa setorial de cultura", uma flagrante contradição
com a política adotada até aqui, de foco ampliado e resistência aos
corporativismos setoriais, pelo menos em termos de discurso. Será que o
governo volta a governar para os interesses setoriais, ou vai de fato
continuar uma política para o povo brasileiro em sua diversidade cultural?
Geraldo Alckmin colocou em uma lauda sua proposta para a cultura. Define
Política Cultural como "instrumento de inclusão social, de promoção do
crescimento econômico, de desenvolvimento da criatividade e de expressão da
cultura regional e nacional, no país e no mundo". Suas propostas são
evasivas, mal-informadas e mal-estruturadas. Não precisa ser especialista
para chegar a esta conclusão. Sabemos que cultura não traz voto, não merece
horário eleitoral gratuito, discurso ou programa de governo. É tema de
terceira categoria. Nossa agenda junto à candidatura Alckmin é propor e
contribuir para uma revisão, pois ainda há tempo de assumir compromissos
efetivos em relação às políticas culturais.
Cultura e Mercado preparou para os dois candidatos apenas 5 perguntas,
fáceis para quem realmente discutiu e está preparado para assumir a
responsabilidade de gerir a diversidade cultural de um país:
1) O que você entende por cultura? E qual a sua idéia central sobre o papel
da cultura em seu plano de governo?
2) Quais ações do atual Ministério da Cultura serão continuadas ou
interrompidas?
3) Qual será o orçamento do Ministério da Cultura em seu mandato?
4) No seu mandato, o Ministério da Cultura poderá opinar sobre questões
relacionadas às políticas de educação e de regulamentação de conteúdos de
rádio e televisão? Como?
5) Considerando que o mercado, que dita os vai-e-vens da economia, é por
natureza um fenômeno cultural, por que o seu programa de governo é tão
centrado em relação à economia e tão pouco expressivo em cultura? Você
pretende mudar esse parâmetro em sua gestão?
Cultura e Mercado protocolará as questões acima nos comitês centrais das
duas candidaturas e compartilhará o resultado com seus leitores.
Boa leitura!
Leonardo Brant, editor
http://www.culturaemercado.com.br
Enviada por: Leonardo Brant <boletim em culturaemercado.com.br>
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