
autor: Rô Caetano / email autor: marosario em uol.com.br
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data: Quarta Outubro 11 10:20:29 BRST 2006
CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Dia 6 de Novembro, Segunda-Feira
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[reprodução parcial autorizada, íntegra com marosario em uol.com.br]
NOTAS + MEIA-ENTRADA + DIA DA ANIMAÇÃO + ARTIGO SOBRE EXCLUSÃO DOS FEIOS E
POBRES NA TV.
ANIMAÇÃO BRASILEIRA:
Não deixem de ler duas matérias especiais, hoje (11-10-06), sobre
CINEMA DE ANIMAÇÃO. Uma, de Gilberto Dimenstein, no caderno COTIDIANO, da
Folha, fala sobre jovens da periferia que estão fazendo uma série animada
sobre dois DJs para Cartoom Network. Um texto que a Associação Brasileira de
Cinema de Animação tem que colocar em seu site e fazer circular. Título:
PERIFERIA ANIMADA (página C-2)
2. Matéria de Flávia Guerra, no Estadão, sobre a TV Pinguim, homenageada no
último Anima Mundi. A produtora está fazendo negócios com o Canadá.
3. E nesta sexta, vem aí Wood & Stock, do Otto Guerra. O Brasil tem o que
comemorar na área da animação, no próximo dia 28, DIA INTERNACIONAL DO
CINEMA DE ANIMAÇÃO!
MEIA-ENTRADA EM DEBATE
(parcial, do meu ponto de vista!!!)
-- Não nego a importância da matéria do Segundo Caderno, de ontem (O
GLOBO - 10-10-06) propondo o debate sobre a meia-entrada. O que me deixou
espantada foi a posição a favor, EM EXCESSO, dos artistas. Eles dizem que
80% (falam até em 90%) dos ingressos são meia. Alguém conferiu os borderôs?
Por que se deu tão pouco espaço a vozes dissonantes? De quem é esta idéia
alucinada de o Governo subsidiar a MEIA-ENTRADA? Já não bastam as leis
Rouanet e do Audiovisual, que bancam peças e filmes? RENUNCIA FISCAL É
DINHEIRO PÚBLICO. No Brasil, muitos artistas acham que o ESTADO deve
subsidiar tudoooooo.
[...]
4. Artigo de Venício Artur de Lima (professor da UnB, no site OBSERVATÓRIO DA
IMPRENSA n. 402 de 10/10/2006)
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=402JDB003
[
Cobertura da mídia, "cautela e serenidade"
Por Venício A. de Lima em 10/10/2006
John B. Thompson mostra como as mudanças na cultura política - em
particular, "o gradual declínio da política baseada nos partidos classistas"
- deram origem ao que chama de "política de confiança". Neste novo contexto,
a credibilidade e a confiabilidade dos líderes políticos - vale dizer, sua
reputação - se torna cada vez mais importante. O capital simbólico se
transformou no bem mais precioso que um político pode ter e a mídia passa a
ser a arena privilegiada onde são criadas, sustentadas ou destruídas as
relações do campo político [O escândalo político, Editora Vozes, 2002].
Argumentei em Mídia: crise política e poder no Brasil [Editora da Fundação
Perseu Abramo, 2006] que a prática jornalística que tem predominado na
grande mídia brasileira é a cobertura dos "escândalos políticos" dentro do
enquadramento da "presunção de culpa".
A grande mídia tem atribuído a si mesma não só a prerrogativa de fazer o
julgamento, mas, sobretudo, de condenar publicamente pessoas e instituições
cujos processos penais ainda não foram concluídos ou, em muitos casos, não
foram sequer acolhidos pela autoridade judicial ou, pior ainda, foram
absolvidas nos fóruns legítimos onde responderam a processo.
Esse comportamento pode ser verificado, por exemplo, pela utilização
indiscriminada do adjetivo "suposto". Ele tem servido para lançar todo tipo
de insinuações, acusações, ilações, generalizações e suspeições, ao mesmo
tempo em que dissimula a responsabilidade do jornalista responsável pela
matéria.
Princípio universal
Há vários casos recentes em que "suspeitos" já condenados publicamente são
logo depois absolvidos pelas instâncias formais encarregadas da apuração das
denúncias e a mídia ou silencia ou não dá a essa absolvição destaque
equivalente àquele que a condenação pública mereceu.
Ignoram-se as normas do Código de Ética dos Jornalistas que determinam
"ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, todas as pessoas objeto de
acusações não comprovadas, feitas por terceiros e não suficientemente
demonstradas ou verificadas"; "tratar com respeito a todas as pessoas
mencionadas nas informações que divulgar" (artigo 14) e "permitir o direito
de resposta às pessoas envolvidas ou mencionadas (...), quando ficar
demonstrada a existência de equívocos ou incorreções" (artigo 15).
Mais importante: ignora-se o princípio universal da "presunção de
inocência", consagrado como direito humano fundamental desde, pelo menos, a
Revolução Francesa e inscrito em vários documentos internacionais subscritos
pelo Brasil.
Ignora-se, inclusive, a nossa própria Constituição que, em seu artigo 5º,
reza que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória".
Eleição presidencial
Em pertinente comentário sobre o Artigo 11 da Declaração Universal dos
Direitos Humanos de 1948, o jurista e ex-senador José Paulo Bisol, chama a
atenção que...
"...o jornalismo brasileiro tem, entre outras paixões, a de participar de
investigações, a de investigar ele próprio e, principalmente, a de julgar.
(...) Concretamente, a mídia assume um papel de poder policial e judiciário
paralelos, mas, enquanto os poderes legítimos estão enclausurados em
princípios, diretrizes e normas legitimadas procedimentalmente em mandatos
de coerção cada vez mais cuidadosamente controlados (...), a mídia não
apenas se arvora ela própria em titular desse controle, mas assume, a seu
critério, os próprios mandatos de coerção, e os exerce na mais absoluta
permissividade, definindo, depois do fato, a regra moral a ele referida -
precisamente ela que adota explicitamente o relativismo ético - e aplicando
punições não previstas constitucionalmente e irrecorríveis, destruindo
reputações, estabilidades, carreiras e vidas inteiras sem conceder aos
acusados um espaço de defesa equivalente ao da acusação, quando concede
algum, proclamando, em cima dessa tragédia, o triunfo da liberdade de
imprensa. (...) A mídia é, hoje, a mais recorrente violação do artigo 11 da
declaração Universal dos Direitos Humanos."
A importante colunista Eliane Cantanhêde, em artigo sob o título "Sem
linchamento" (Folha de S.Paulo, 6/10/2006) comentado a cobertura dada ao
acidente com o vôo 1907 da Gol, diz:
"A cada dia aumenta a versão de que o Legacy e os pilotos Joe Lepore e Jan
Palladino foram os principais responsáveis pela queda do Boeing da Gol,
matando 154 pessoas. Mas é preciso cautela e serenidade para não precipitar
um veredicto e não produzir um linchamento público permeado de
passionalidade contra os yankees."
Perfeito. São exatamente "cautela e serenidade" que deveriam orientar os
jornalistas e a grande mídia brasileira não só em relação aos pilotos do
Legacy, mas a todos que, por uma razão ou outra, se transformem em notícia
como "suspeitos" de haverem praticado alguma ilicitude. Esse comportamento,
certamente, assume ainda uma importância maior às vésperas do segundo turno
de uma eleição presidencial que vai decidir os destinos do país nos próximos
anos.
]
TeleAnálise
TEXTO DE Malu Fontes, publicado no caderno de TV do jornal A TARDE, de
Salvador
Malu Fontes é jornalista, doutora em
Comunicação e Cultura e
professora da Facom-UFBA.
A exclusão da feiúra e dos justiceiros sociais
A Rede Globo já começou a anunciar as inscrições para os interessados em
concorrer a uma das vagas na sétima edição do Big Brother Brasil . As
principais novidades no quesito regras são o aumento do número de
participantes (14) e o fato de não haver sorteios promocionais que permitam
a escolha aleatória de candidatos para a disputa do prêmio de um milhão de
reais. Somente participarão os selecionados a partir das imagens enviadas
para a emissora. É bom lembrar que o sorteio era o único modo de garantir o
ingresso, no programa, de pobretões desprovidos de beleza. Entre eles, duas
participantes acabaram abocanhando o prêmio: a doméstica Cida e a auxiliar
de enfermagem Mara, baiana, residente em Porto Seguro e vencedora da última
edição.
CÁRIE E OFURÔ - Com o fim dos participantes sorteados, a perspectiva é de
que o time de concorrentes seja formado apenas por malhados e belos,
previamente selecionados pela emissora a partir de fichas cadastrais e de
cinco minutos de imagens enviadas em VHS. Certamente não era coincidência o
fato de os sorteados sempre destoarem dos padrões de beleza e renda dos
selecionados. Graças aos sorteados, o reality show mais famoso do país
exibiu cenas que pouco se prestam à natureza da estética televisiva, como
uma crise de dor de dentes de Cida, causada por uma cárie gigantesca (o que
a levou a receber um puxão de orelhas de Pedro Bial, pois onde já se viu não
ter como rotina visitas ao dentista, ora!) e um episódio de acidente
vascular cerebral (derrame) que acometeu Marielza durante um banho de ofurô.
Talvez cansados de tanto realismo e pouco satisfeitos com os baixos índices
de atratividade e beleza dos sorteados, a equipe de seleção do BBB
demonstra, ao anunciar o fim dessa categoria de participante, que o padrão
Globo de qualidade não vê com tão bons olhos assim a diversidade social e
física na tela. Em tempos de debates em que uns defendem a adoção de
critérios de raça e outros de renda para cotas na universidade, a emissora
deve ter achado por bem manter-se fiel ao critério sobre o qual mais
entende: estética corporal. De saída, ao excluir os mais feinhos e
pobrinhos, o programa deixa órfãs duas categorias de telespectadores: a
formada por aqueles que queimam os neurônios de ódio diante da ditadura da
beleza e sonham com uma TV onde caibam todos os tipos físicos e a formada
pelos distribuidores de renda eletrônicos.
PRINCESA - O brasileiro tem um pendor pela distribuição de renda mediada
pela televisão. Quadros como " Um dia de princesa" (encenado por Netinho de
Paula em seu extinto "Domingo da Gente") e suas variações (que vão desde os
programas antiquados de Sílvio Santos à estética modernosa de Luciano Hulk)
sempre tendem a ser um sucesso de público. São formatos que lavam a alma do
público ao mostrar a pobreza contemplada com uma chance na tela. O
telespectador, cada vez mais sensível aos apelos da mídia e mais e mais
indiferente à realidade que o cerca, adora dar um jeitinho de usar o BBB e
os programas do gênero para fazer justiç a social com as próprias mãos.
Como os participantes selecionados por sorteio até agora tinham sido os mais
pobrinhos do elenco de fortões e pin ups (vide Mara e Agustinho, os dois
sorteados da última edição), o telespectador justiceiro acaba tendo uma
chance de alimentar o seu pendor de fazer caridade com a bolsa alheia. Por
telefone, através de torpedos da telefonia móvel ou via Internet, acaba
votando em fulaninho apenas pelo fato de ele ser "mais pobrinho e precisar
mais". Ou seja, já que a distribuição de renda proporcionada por critérios
sociais e políticos não deslancha, então nada mal fazê-la através de um
clique ou de uma discagem.
Essa estratégia do telespectador pode ser uma ótima lavanderia coletiva de
consciências brasileiras, mas é um balde de água fria na estratégia original
da emissora: privilegiar o jogo, a astúcia, a capacidade de manter-se no
programa mesmo que para isso o cocorrente tenha de ser atirado aos leões.
Nesse sentido, a arrogância agressiva de Roberto Justus em seu " Aprendiz" é
um exemplo primoroso do que é um reality show que privilegia os vencedores
ao invés dos coitados pobrinhos.
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Enviada por: Rô Caetano <marosario em uol.com.br>
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