
autor: Ivana Bentes / email autor: ivanabentes em uol.com.br
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data: Quinta Outubro 12 07:10:17 BRST 2006
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Para quem ainda não viu a exposição Zooprismas de Arthur Omar, com 7
video-instalações novas, imagens e fotografias, no Centro Cultural da
Telemar no Rio, convidamos para ver (até 29 de outubro, de terça a domingo)
e assistir a palestra com o teórico francês Philippe Dubois, autor de
Cinema, Vídeo, Godard. Um abraço, Ivana Bentes
Cinema de Exposição
conferência com Philippe Dubois, professor e diretor da Universidade de
Paris III
Dia 17 de outubro, terça-feira às 14h no Centro Cultural Telemar
Rua Dois de Dezembro, 63 Flamengo. Rio de Janeiro Entrada franca
Dentro do quadro da exposição Zooprismas, de Arthur Omar, o teórico francês
Philippe Dubois vai falar da dupla influência entre cinema e arte
contemporânea e de como "expor imagens". A influência do cinema na arte
contemporânea e a tendência nos museus e centros culturais de todo o mundo
de apresentar imagens em movimento. As video-instalações, as instalações
fotográficas e as obras que fazem do movimento e do tempo sua matéria-prima
podem ser vistas na exposição de Arthur Omar, um artista que atravessa os
diferentes meios e traz uma série de questões que renovam a prática
artística e colocam novos desafios para a teoria estética.
Philippe Dubois é um dos principais pesquisadores da atualidade no campo da
estética das iamgens com contribuições decisivas na reflexão sobre a
fotografia, o cinema, o vídeo e o domínio digital. Foi professor da
Universidade de Liège e, desde 1988, é professor da Universidade de Paris
III (Sorbonne Nouvelle), onde é diretor da Unidade de Formação e Pesquisa
"Cinema e Audiovisual". Tem extensa obra publicada em revistas de vários
países, com ensaios sobre Jean-Luc Godard, o cinema moderno e as relações
entre arte e tecnologia. No Brasil publicou o livro "Cinema, vídeo, Godard"
(Cosac Naify) e fez a curadooria da exposição "Movimentos Improváveis. O
Efeito Cinema na Arte Contemporânea. CCBB/2003
ARTE/CRITICA
Publicado em O Globo. Segundo Caderno. 09 de outubro de 2006
ZOOPRISMAS /
Arthur Omar tem um papel relevante na inserção da videoarte na história da
arte
Luiz Camilo Osório *
Quando a obra de Arte é seu próprio suporte
É comum entrarmos em uma exposição hoje e surgir a dúvida de se aquilo que
vemos é mesmo arte ou se é cinema. Esta separação de território foi por água
abaixo já faz algum tempo. Parte significativa do que se fez em arte desde a
década de 1960 apontou para a explosão desta divisão tradicional entre as
artes do tempo e as do espaço. A possibilidade de estar em um cinema ou em
uma galeria implica poder estabelecer novas relações com o público e ampliar
os sentidos do que está sendo visto. Não é o suporte que define a arte, mas
a arte que se constitui no suporte, seja ele qual for: uma pintura ou uma
videoinstalação.
A exposição de Arthur Omar no Centro Cultural Telemar é um exemplo desta
contaminação de meios de expresssão. É um uso do audiovisual para além da
narrativa cinematográfica convencional, ou seja, que não se deixa amarrar
por uma história, mas por fluxos intensos de imagem. Todo o Centro está
tomado pelo artista, com uma sequência de trabalhos que vão da fotografia à
videoinstalação, articulando luz, corpos e movimento.
Música surpreende em vários momentos
"Zooprismas", instalação que dá título à mostra que recebe o público no
primeiro andar, remete aos cinecromáticos de Palatnik e às origens da
experimentação com movimento na fotografia. Os efeitos de quase hipnose
nescem de uma inteligente operação de câmera e montagem, cuja projeção em
enorme tela de mais de dez metros fascina de imediato. explorar
possibilidades variadas de peojeção é fundamental para dar às
videoinstalações uma liberdade que foi retirada do cinema, sempre limitado à
tela retangular e frontal.
A aceleração e a retenção dão à imagem digital uma temporalidade inexistente
no filme tradicional ou na pintura. É uma possibilidade técnica cujos usos
poéticos insuspeitos podem abrir novas potências semânticas para a imagem.
"Ballet nº 2", no Segundo andar, é bom exemplo desta experimentação. Arthur
Omar filma uma sequência de dança realizada dentro de uma exposição sua na
Alemanha e opera com uma lentidão que dá aos corpos uma concentração
própria. Não é o êxtase do Carnaval, tão frequente em sua obra, mas o
domínio livre da improvisação e do gesto.
A precisão e a potência dos gestos observados pelo retraimento do movimento
nos fazem ver uma inteligência que não passa pela consciência. Neste mesmo
andar, cabe destacar "A menina do brinco de pérola". Trata-se de um
instantâneo do olhar que capta e constrói o inusitado das semelhanças
poéticas. O lirismo do retrato de Vermeer pode se fazer presente no rosto
breve e iluminado de uma jovem afegã.
Conceber afinidades no interior das diferenças é uma constante nestes
trabalhos. O cinema se transforma em pintura, en dança e em música. No
terceiro andar, "Luz, lumière, light" nos mostra a origem do cinema no
esforço da mão em capturar a luz, domesticá-la. Se em "Zooprismas" o efeito
da imagem em movimento é vertiginoso, aqui a dança da luz que escorre pela
mão é cadenciada e lírica. A música é um dado surpreendente não só neste
trabalho como em vários momentos da exposição. A videoarte assume um lugar
definitivo na história da arte, e Arthur Omar tem um papel relevante nesta
inserção.
(Luiz Camilo Osório. O Globo 09/10/06)
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ZOOPRISMAS, de Arthur Omar
Vídeos/ Intalações/ Fotografiia
até 29 de outubro de 2006
De terça a domingo, inclusive feriados
Centro Cultural Telemar-Rio de Janeiro
Rua Dois de Dezembro, 63- Flamengo
Rio de Janeiro - Tel. 31313060
De terça a domingo, das 11h às 20h.
Entrada franca
www.centroculturaltelemar.com.br
Galeria Nara Roesler www.galerianaroesler.com
Enviada por: "Ivana Bentes" <ivanabentes em uol.com.br>
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