assunto: [CINEBRASIL] Encam: Folha censura texto de pesquisadora favorável ao atual

autor: Sergio Santeiro / email autor: santeiro em anaterra.mus.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Sexta Outubro 20 10:08:19 BRST 2006


Presidente do Brasil
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Nossa e eu que pensava que eu era o tal. Dona Ivana arrebenta o balão.
G-e-n-i-a-l.


-----Mensagem original-----
From: "Cesar Cavalcanti" cesarcavalcanti em terra.com.br
Date: Thu, 19 Oct 2006 20:45:58 -0300
To: "Cesar Cavalcanti" cesarcavalcanti em terra.com.br
Subject: Folha censura texto de pesquisadora favorável ao atual P
	residente do Brasil

Folha censura texto de pesquisadora favorável ao atual Presidente do Brasil 


O texto que segue, da professora universitária e pesquisadora de Comunicação
da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ivana Bentes, foi encomendado
pela Folha de S.Paulo para ser publicado neste domingo (1º) no Caderno
Mais!, especificando que o autor deveria escolher um antigo presidente da
República, já morto, que, "ressuscitado", comentaria os fatos políticos de
agora. 

Ivana escolheu João Goulart, o Jango. Produziu e enviou o texto para o
jornal da família Frias. Neste sábado (30), foi-lhe comunicado que não será
publicado. O motivo: o texto estava "fora do foco", Jango virou Lula! 

Leia abaixo o texto censurado:

Morri no exílio, na província Argentina de Corrientes, em 6 de dezembro de
1976, sozinho , vítima de ataque cardíaco, numa fazenda da fronteira.
Tentava voltar para o Brasil, de onde me expulsaram com o Golpe Militar
depois que anunciei, no dia 13 de março de 1964 num comício para 150 mil
pessoas na Central do Brasil que iria fazer a Reforma Agrária, Urbana, as
reformas na Educação, a Reforma Eleitoral, Tributária...

Não deixaram fazer nada e me derrubaram! As forças mais conservadoras da
sociedade Brasileira se uniram e foram convocadas a me depor, toda a
imprensa ficou contra mim, Esse já era o terceiro golpe midiático-militar,
botaram a classe média horrorizada na rua, as senhoras da TFP, editoriais
alarmistas e moralistas, páginas e páginas de jornais, rádio, TV. Assustaram
todos até que cai no dia 1º de abril de 1964. 

Não adiantou, estou de volta! Não sei como, só sei que eu João "Jango"
Goulart, ex-presidente deposto, retornei, é dia de eleição e estou
concorrendo de novo para Presidente do Brasil. Mudei de partido. Estou
grisalho, perdi um dedo da mão (onde?) e me dou conta que as forças que me
derrubaram em 1964 estão quase todas aí. Continuo com apoio popular, estou
com enorme vantagem nas pesquisas, mas por que os jornais dos últimos meses
são todos contra mim e meu partido? Estou sendo de novo linchado? Em 64
diziam que eu ia implantar o comunismo no Brasil e agora que estou
implantando a corrupção em Pindorama! 

Meu assessor me informa que vamos assistir à fita com o meu debate na
televisão. 

Estou reconhecendo o pessoal da pesada de 64. 

Então tenho uma visão exata de quem eu sou e o que represento no Brasil de
2006, me vendo pelos olhos dos meus inquisidores. Roda o VT. Não, dá um
Play. Play it again, Jango! Ouço, e então presente, passado e futuro se
dobram na tela da TV.

Entrevistador e dono de uma empresa de TV:

Sr. Presidente, de todas as reformas que o senhor propôs, uma é a mais
perigosa de todas, é um acinte aos empresários da comunicação, de rádio e
TV. Sr. Presidente, o senhor tentou entrar na nossa caixa preta, regular
nossas empresas com uma Agência. Nós somos contra, Sr. Presidente! Onde já
se viu? Deu está dado! Não queremos ninguém novo no negócio. Canal de TV
para Ong, para Universidade, para favela? Eles não precisam de nada disso e
ainda fazem uns vídeos que são umas porcarias. 

Qualidade temos nós com essa imagem plastificada, atrizes esticadas
digitalmente, programas incitando à delação. Eles a gente emprega pra
figuração, usa para vender celular e fazer propaganda da nossa diversidade
cultural. Os pobres têm estilo, são vibe, hiper, mob, servem pra vender
quinquilharias e show. Mas dar canal de TV pra essa gente, Presidente?

Jango: Eu tenho um ministro da cultura que é músico e negro e quer botar
ilha de edição, câmeras de vídeo e Internet de graça por onde der . É O
início da Reforma da Cultura, da Educação, da Comunicação, junto com o
Fundeb, o Fundo para a Educação, que eu criei lá em 62, e reeditamos agora.
Por que ninguém fala do Fundeb?! Eu tenho orgulho de estar implantando o
Fundeb!! As cotas no Brasil! Estou botando os negros e os pobres dentro da
Universidade. Temos que acabar o vestibular, tornar o acesso universal. Além
disso eu criei o Bolsa Família, tirando um contingente da miséria, é a maior
transferência de renda já feita nesse país. Eu apóio o MST, os Sem-Teto! Me
deixem fazer as Reformas! As novas e aquelas, que vocês abortaram em 64 !

Professor-Doutor-Pesquisador:

Desculpe, sr. Presidente. Eu fiz mestrado com bolsa Capes, doutorado com
bolsa sandwich em Paris VIII, CNPQ, e tive bolsa de pós-doutorado em Oxford.
Meus alunos têm bolsa de iniciação artística, científica, extensão... Mas eu
sou contra a Bolsa Família!!! É Assistencialismo dar 50 reais (é muito,
acostuma mal) para pobre. Populismo, sr. Presidente! Minhas bolsas eu ganhei
todas por mérito. Mérito! E olhe que sou bolsista há 10 anos! Deus me livre
perder minha bolsa! 

Antropóloga, antes de entrar na roda de debate:

Ô diretor, chama um negro aí para aparecer no programa, mas tem que ser
contra as cotas. A gente é branco, professor-doutor, não vale. É pro povo
entender que é uma merda, que eles têm que entrar para a Universidade
sozinhos, por mérito, se não vai cair o nível da universidade. Botar um
antropólogo branco, louro de olhos azuis falando mal das cotas não vale, vão
cair de pau na gente. Tem que ser negro falando mal das conquistas dos negros.

Diretor de TV:

Você sabe, a gente detona as cotas diariamente nos editoriais, colunas,
manchetes, mas nas novelas tem que ser a garota negra com o galã branco .
Botamos na tela uns negros limpinhos, bonitos, cheios de dignidade. Provamos
que eles vão vencer sozinhos. Cota para quê? Nunca fomos racistas! Querem
criar o racismo no Brasil, sr. Presidente. O senhor está muito mal
assessorado nessa área. Aliás, não vai ter cota para negros em empresas de
TV, vai? Deus me livre! Não dá pra fazer Escrava Isaura no Leblon. 

Entrevistador-cronista-consultor:


Sr. candidato, o senhor está na frente das pesquisas, mas como esse povo
ignorante, desdentado, feio, pode decidir por mim? Eu, que freqüentava o
Palácio do Planalto, que era amigo e confidente do sociólogo, seu
cronista-conselheiro. Eu, que sou especialista em pornografia política.
Achei que poderia ser de direita mas escrever genialmente como o Nelson, mas
não tenho esse talento. Estou aqui me olhando na TV e só vejo um
publicitário mal-sucedido, porque o meu candidato a presidência vai perder
as eleições e meus amigos vão ficar fora do poder. Sou a encarnação das
forças do ressentimento. Pelo menos sou psicanalizado, me acho um crápula,
mas tudo bem. Os empresários me pagam 10, 20 mil por palestra ou consultoria
para eu anunciar o apocalipse. Não tenho o que perguntar. Só queria dizer
olhando bem na sua cara. Eu te odeio, sr. Presidente, e morrerei escrevendo
contra tudo o que o senhor significa (baba).

Apresentadora de TV:

Então Sr. Jango, depois de ouvir isso tudo sobre o seu governo, o que
significará a sua reeleição? 

Jango: "O triunfo da beleza e da justiça". E não me chamem mais de Jango, o
ex-presidente morreu, no golpe de 64, exilado na fronteira, em 1976. O novo
presidente nasceu das crises que vocês criaram, tentando me derrubar , uma
duas, três, quantas vezes? Não estou mais só, em 2006, tenho 55% das
intenções de votos, atingi o coração do Brasil, sou uma radicalização da
democracia. Meu nome é Muitos. Sou uma potência da multidão.


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        for <santeiro em anaterra.mus.br>; Thu, 19 Oct 2006 20:46:07 -0300
Received: from caledonia.hst.terra.com.br (caledonia.hst.terra.com.br
[200.176.10.7])
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	Thu, 19 Oct 2006 23:46:05 +0000 (UTC)
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	by caledonia.hst.terra.com.br (Postfix) with ESMTP id 79869349006F;
	Thu, 19 Oct 2006 20:45:58 -0300 (BRT)
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Folha censura texto de pesquisadora favorável ao atual Presidente do Brasil 


O texto que segue, da professora universitária e pesquisadora de Comunicação
da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ivana Bentes, foi encomendado
pela Folha de S.Paulo para ser publicado neste domingo (1º) no Caderno
Mais!, especificando que o autor deveria escolher um antigo presidente da
República, já morto, que, "ressuscitado", comentaria os fatos políticos de
agora. 

Enviada por: Sergio Santeiro <santeiro em anaterra.mus.br>

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