assunto: [CINEBRASIL] O real crescimento do cinema brasileiro

autor: Francis Vale / email autor: francisvale em fortalnet.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Quinta Outubro 26 18:55:05 BRST 2006


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Falou, Santeiro.
Bela reflexão e bela conclusão. 
Vamos em frente.

Um abraço do
Francis

> 
> Belo relato da ação da política publica para o cinema no Brasil. Tal
> como a prestação de contas do ministro é de encher os olhos o 
> empenho e engenho com que se houveram nesta condução difícil e árdua 
> de inaugurar relações auspiciosas com a comunidade cultural e a 
> sociedade brasileira e latina. E é por isso mesmo que não tenho pejo 
> de reptá-los a que definitivamente garantam ainda agora no cerrar 
> destas primeiras portas e augurando a abertura das segundas neste 
> domingo, marquem, coroem, não se esquivem, o cumprimento da lei do 
> curta, ainda agora. Basta uma portaria do ministro, basta, convençam-
> no, não temam, o mundo não cairá, o imperialismo só pode estar 
> arquisatisfeito com a sobrevivência e expansão dele, mas por 
> primeira vez, que é nome de filme cubano dos bons, está sendo 
> contido nos limites territoriais de sua arrogância. E não fiquem 
> aborrecidos como soube que ficaram pois não os estamos a voces 
> desafiando com a lei do curta, estamos suplicando que não fuja o 
> estado a seus deveres. Não tergiversem mais, façam cumprir a lei. 
> Aproveitem a deixa do Ministério Publico. Tigres são papéis. Como já 
> tive oportunidade de dizer voces, o estado brasileiro, expandiram 
> enormemente e fizeram muito bem a produção audiovisual no país mas 
> tem agora a obrigação de garantir a sua plena circulação em nosso 
território.
> Que se suspendam todos os benefícios e subsídios diretos e indiretos 
> ao audiovisual estrangeiro. A praça é nossa, a fome é nossa, a vida 
> é nossa e o cinema é nosso tambem. E isto é a homenagem que lhes 
> presto pelo reconhecimento dos teus trabalhos. Sentado, à beira do 
> caminho, espero a portaria. Sergio Santeiro.
> 
> Quoting Orlando Senna <orlansenna em novanet.com.br>:
> 
> >
> >
> >
> > Revista de Cinema 71 ­ Outubro de 2006
> >
> >
> > Entrevista
> >
> > Orlando Senna
> > O real crescimento do audiovisual brasileiro
> >
> > Por Maria do Rosário Caetano
> >
> >
> > O secretário do Audiovisual, cineasta Orlando Senna, expõe nesta 
entrevista
> > o investimento do Ministério da Cultura em sua área, nesses quatro anos em
> > que está à frente da secretaria, e analisa a função desses projetos
> > culturais dentro de uma formação de identidade nacional. Um panorama das
> > políticas públicas adotadas no Brasil e em outros paises da América 
Latina.
> > O secretário defende a democratização da produção audiovisual que adotou,
> > tornando prática a chamada inclusão de populações sem acesso às novas
> > tecnologias transmissoras de conhecimento, como o vídeo e o cinema 
digital.
> > ³Incorporamos à vida cultural setores que sempre estiveram excluídos², 
disse
> > Senna. Os programas são os DOCTV, uma série de documentários que passam na
> > tv aberta, realizados em todos os Estados brasileiros, e o Revelando os
> > Brasis, concurso que permite que pessoas simples possam filmar suas
> > histórias, realizado em parceria com o Canal Futura, que os exibe. Além 
dos
> > pontos de exibição de cinema digital, fomento ao cineclubismo como forma 
de
> > aumentar o número do circuito exibidor, que cresceu 24,86% nestes últimos
> > três anos.
> > Senna explica que esses projetos se inscreveram numa lógica abrangente e
> > contemporânea que coloca o audiovisual como a mais dinâmica economia da 
era
> > pós-industrial. ³Isso significa, em termos de política pública, 
desenvolver
> > programas que consolidem o país como um grande produtor audiovisual, capaz
> > de alimentar os inúmeros circuitos que as inovações tecnológicas colocam à
> > disposição do mercado², disse.
> > Anuncia também os resultados dessa política, afirmando que neste momento 
170
> > filmes estão sendo realizados, em distintas etapas de produção, por todo o
> > pais, e no expressivo crescimento do filme brasileiro no mercado exibidor
> > interno: em 2002 e anos anteriores a taxa de ocupação do filme brasileiro 
em
> > seu próprio mercado estava ao redor de 6% e a taxa média anual de ocupação
> > agora é de 15,6%.
> >
> > .............
> >
> > Revista de Cinema - Que projetos desenvolvidos  nestes três anos e oito
> > meses de trabalho de gestão na SAV-MinC deram bons resultados?
> >
> > Orlando Senna ­ Em prol da clareza, vamos dar outra ênfase à pergunta. Para
> > além da realização de alguns projetos bem sucedidos, esta gestão incluiu o
> > audiovisual na pauta federal, como tema estratégico de Estado. Construímos
> > um programa baseado nas discussões históricas do setor, lançado logo nos
> > primeiros meses do governo Lula, que expressava no próprio nome, ³Brasil: 
um
> > país de todas as telas², o conceito central das políticas que foram
> > implementadas. A democratização e a regionalização das ações e recursos
> > conduziram os projetos desenvolvidos nas áreas  da produção/criação, 
difusão
> > e preservação audiovisuais. Esses projetos se inscreveram numa lógica
> > abrangente e contemporânea que coloca o audiovisual como a mais dinâmica
> > economia da era pós-industrial. Isso significa, em termos de política
> > pública, desenvolver programas que consolidem o País como um grande 
produtor
> > audiovisual, capaz de alimentar os inúmeros circuitos que as inovações
> > tecnológicas colocam à disposição do mercado. E também possibilitar que o
> > audiovisual, enquanto experiência estética, seja vivenciado pelo maior
> > número de públicos possíveis.
> > Estou falando de democracia cultural, que implica na superação do
> > tradicional foco das políticas públicas, que priorizava os produtores
> > culturais. Esta gestão (e aqui incluo as ações do MinC em geral) 
incorporou
> > à vida cultural setores que sempre estiveram excluídos.
> > Os resultados dessa política podem ser expressados nos 170 filmes que 
estão
> > sendo realizados, em distintas etapas de produção, por todo o país, e no
> > expressivo crescimento do filme brasileiro no mercador exibidor interno: 
em
> > 2002 e anos anteriores a taxa de ocupação do filme brasileiro em seu 
próprio
> > mercado estava ao redor de 6% e a taxa média anual de ocupação no governo
> > Lula (2003, 2004, 2005) é de 15,6%. Ou seja, mais do dobro. De 2001 a 2003
> > foram 30 lançamentos anuais, em 2004 e 2005 foram 51 lançamentos anuais,
> > neste 2006 deve ultrapassar os 60 lançamentos.
> > Mas se você me pede que cite especificamente projetos que tiveram bons
> > resultados, enumero os que se tornaram emblemáticos pela inovação e por 
suas
> > capacidades de radicalizarem o conceito central de democratização: o 
DOCTV,
> > o Revelando os Brasis, os JogosBR,  o Olhar Brasil, os programas setorias 
de
> > exportação de TV e cinema, a ampliação dos editais da Petrobrás e do 
BNDES.
> > Devo mencionar a articulação de alguns editais de produção com a
> > teledifusão, um procedimento que está rendendo bons frutos.
> > Os investimentos e os resultados destes quatro anos superam o que temos de
> > referência dos anos anteriores. Somente em produção, foram investidos R$ 
592
> > milhões 350 mil, incluindo recursos diretos e renúncia fiscal. Em sintonia
> > com a diretriz geral do MinC, a Secretaria do Audiovisual desfez a lógica
> > separatista de décadas, que era a concentração das ações/recursos na 
região
> > sudeste. Hoje existe um equilíbrio na destinação das ações/recursos,
> > abarcando todas as regiões ‹ e refletindo na qualidade e diversidade da 
nova
> > geração de cineastas. Essa democratização foi implementada sem prejuízo do
> > eixo industrial Rio-São Paulo, que continuou com o atendimento que exige 
seu
> > status econômico. Isso foi possível com o aumento dos investimentos 
estatais
> > na atividade em 125%, em comparação com a média de investimentos do 
governo
> > anterior.
> >
> >
> > Revista de Cinema - A mais ruidosa proposta do MinC-SAV, a criação da
> > Ancinav, não prosperou.  Restou algo positivo (algum aprendizado) da dura
> > discussão deste projeto?
> >
> > Senna ­ A necessidade premente do Brasil criar marcos regulatórios modernos
> > tinha de vir a público, e esse é um resultado positivo da polêmica da
> > Ancinav.  Quando digo moderno refiro-me à regulação da atividade 
audiovisual
> > como um todo, levando em consideração a interdependência de todos seus
> > segmentos, ou seja, levando em consideração a sua realidade e o avanço dos
> > paises industrializados no que se refere às legislações abrangentes. Esse
> > tema, de suma importância para o posicionamento do Brasil nas estratégias 
de
> > poder global do século XXI, de suma importância para a nossa economia
> > interna, era tratado e decidido pelos governos com duas ou três empresas 
de
> > radiodifusão e com meia dúzia de grandes produtores de cinema. Ao lançar a
> > proposta da Ancinav à discussão na sociedade, com consulta pública, debate
> > entre as diversas áreas do setor e posicionamentos da mídia, o assunto se
> > revelou em sua inteira importância e complexidade. O Pais ficou sabendo do
> > que se tratava, da real dimensão do tema.
> > Sob o ponto de vista prático, o debate público sobre normatização
> > audiovisual ecoou no governo, o presidente Lula criou, em 2005, um Grupo 
de
> > Trabalho Interministerial para elaborar anteprojeto da Lei de Comunicação
> > Eletrônica de Massas. É um processo que adquire novos contornos com a
> > implantação da TV Digital e todas suas conseqüências. A nova grandeza da
> > comunicação audiovisual com o advento da TV Digital, do cinema digital, 
das
> > novas tecnologias e mídias de difusão de conteúdos, só poderá se instalar
> > plenamente no Brasil se forem estabelecidas regras claras, sólidas e
> > democráticas para seus modelos de negócios e sua relação com a sociedade,
> > sua responsabilidade social.  O assunto está vivo no governo e no setor e
> > naturalmente, por força das novas circunstâncias de mercado, voltará ao 
foco
> > em pouco tempo. Tudo indica que uma nova etapa de discussão será menos
> > nervosa e emocional do que a de 2004,  já que terá de convergir sem perda 
de
> > tempo para resultados racionais, para um modelo de organização. O debate 
da
> > Ancinav amadureceu os setores envolvidos.
> >
> >
> > Revista de Cinema -  Me dê um quadro REALISTA da exibição. Como a 
encontrou
> > e como ela está hoje (46 meses depois)? Quantas salas foram criadas para
> > ajudar na difusão do cinema brasileiro? A Sala Cinemateca-BNDES fica 
pronta
> > quando? Ela será ponta de lança de um circuito de difusão do cinema
> > brasileiro.
> >
> > Senna - Houve crescimento de 24,86% do parque exibidor nos últimos quatro
> > anos, quase todo ele no setor de salas de shoppings. Em dezembro de 2002
> > existiam 1635 salas no País, agora são 2041. Um circuito digital deu os
> > primeiros passos e já conta com cerca de 80 salas, com tendência a
> > crescimento acelerado. O BNDES abriu uma linha de financiamento para
> > construção de salas que está começando a dar frutos: uma empresa exibidora
> > em ascensão está utilizando as boas condições desse financiamento para
> > construir dez salas, para crescer. Testada pelo mercado em mutação, essa
> > linha de financiamento deve receber ajustes que permitam acesso também a
> > pequenos empresários interessados em salas digitais de baixo custo. Em 
ação
> > direta do governo, via Petrobrás e BNDES, foram restaurados uma dezena de
> > cinemas tradicionais em várias cidades, e também construidos (como as duas
> > salas da Cinemateca Brasileira). Também vale mencionar o fomento direto à
> > distribuição de filmes brasileiros, uma ação conjunta do MinC/Petrobrás, 
e o
> > Adicional de Renda restaurado pela Ancine.
> > A Secretaria do Audiovisual anunciará ainda este ano o projeto 
Programadora
> > Brasil, um trabalho conjunto do CTAv-Centro Técnico Audiovisual e da
> > Cinemateca Brasileira. Depois de três anos de preparação, levantamento de
> > dados, direitos autorais, análises jurídicas e toda a parafernália
> > burocrática, entramos na primeira fase de implantação. Trata-se de 
organizar
> > o grande circuito dos cineclubes, dos espaços de exibição públicos e
> > comunitários e agora também dos Pontos de Cultura e garantir filmes para
> > esse circuito. Daí a Programadora, que organiza e oferece pacotes de
> > programação a todos esses pontos de exibição, que serão gratuitos ou
> > cobrarão um ingresso barato.
> > Uma ação complementar à Programadora já está se concretizando neste 
momento,
> > que é o edital para os Pontos de Difusão Digital, a instalação de cem
> > equipamentos de projeção em todo o Pais. É um edital destinado a 
cineclubes
> > e instituições públicas, universidades e escolas inclusive, que possuem
> > espaços adequados para exibição. O longo processo de montagem desse 
circuito
> > alternativo e da Programadora Brasil deve mostrar seus primeiros 
resultados
> > em um ano.
> > Mas me permita dizer que não podemos resumir a questão da exibição às 
salas
> > de cinema. Ela envolve outros aspectos, outras mídias e, especialmente, o
> > estabelecimento de estratégias que incorporem outros organismos públicos 
nas
> > ações e no investimento. O programa Olhar Brasil, por exemplo, é
> > praticamente uma convocação aos órgãos públicos estaduais e municipais 
para
> > que desenvolvam  políticas de audiovisual. São onze Estados e/ou 
municípios
> > incorporados através desse programa, que é a instalação de núcleos de
> > produção digital, estabelecendo uma base territorial de
> > criação/produção/difusão, uma efetiva rede inclusiva de novos 
protagonistas
> > regionais. Menciono essa necessidade de parcerias, de união de forças,
> > porque é impossível criar circuitos de exibição que resolvam o problema da
> > demanda brasileira se não incluirmos os Estados e, especialmente, os
> > municípios brasileiros nessa tarefa.
> > Por outro lado, a Secretaria do Audiovisual deu importância especial à
> > parceria com a televisão, que é fundamental como se sabe. Grande parte das
> > editais realizados nesta gestão foram construídos numa perspectiva de
> > exibição via televisão, programas de produção/teledifusão. A parceria com 
a
> > televisão pública se estabeleceu com os programas DOCTV, DOCTV
> > Ibero-americano, Curta Criança, Curta Animação, Animação Um Minuto, Menino
> > Muito Maluquinho. A parceria com a televisão privada foi inaugurada com o
> > Canal Futura, que exibe o Revelando os Brasis, e com o programa Documenta
> > Brasil, envolvendo o SBT, a ABPITV-Associação Brasileira de Produtores
> > Independentes de Televisão e a Petrobrás. A distribuição/exibição é a
> > questão central do cinema brasileiro e da produção independente de tv e, 
por
> > isso, foi priorizada pelo governo.
> >
> >
> > Revista de Cinema - Por que não se construiram circuitos na periferia? Os
> > PONTOS de CULTURA suprem esta lacuna? Em que medida?  Há ESTATÍSTICAS
> > PALPÁVEIS sobre os pontos de cultura. Questiono: passar filme de graça
> > adianta alguma coisa? É preciso dar o peixe ou ensinar a pescar?
> >
> > Senna ­ Uma política pública para a distribuição/exibição está em 
andamento,
> > como acabo de expor, avançando em ritmo abaixo dos nossos desejos mas em
> > conformidade com as dificuldades institucionais e financeiras que uma
> > iniciativa como essa apresenta. São dois movimentos que consideramos
> > complementares e retroalimentadores: ações referentes à ampliação e ao
> > fortalecimento do mercado exibidor e ações governamentais diretas, como a
> > instalação de circuitos culturais alternativos. A periferia está 
contemplada
> > basicamente, no atual estágio da política pública para a
> > distribuição/exibição, nas ações governamentais diretas, já que o mercado
> > não demonstra interesse por esse público. São ações como a Programadora
> > Brasil, Olhar Brasil, Pontos de Difusão Digital, Pontos de Cultura.
> > Um dado importante nessa questão é o cineclube. Fomentamos a retomada do
> > movimento cineclubista, que reúne hoje cerca de 200 espaços de exibição, 
boa
> > parte deles nas periferias das grandes cidades. Quanto aos Pontos de
> > Cultura: já estão em funcionamento 500, sendo que cem deles têm ênfase em
> > audiovisual e o MinC trabalha nesse momento em um projeto de rede 
satelital
> > interligando esses cem pontos. Tudo faz crer que esse percentual de 20% 
com
> > ênfase em audiovisual será estendido pela totalidade, pela ampliação
> > prevista para dois mil Pontos de Cultura até 2008.
> > A questão de passar filme de graça, sempre recorrente, é discutida
> > normalmente de forma reduzida. As pesquisas sobre práticas culturais
> > realizadas em países como a França e o México ­ que têm certa tradição
> > nestes estudos ­ indicam que as barreiras para incluir a maioria das
> > populações na vida cultural não se resumem apenas em obstáculos materiais,
> > como o preço dos ingressos ou a distância dos centros de cultura, por
> > exemplo. As barreiras simbólicas são mais determinantes na decisão de um
> > cidadão escolher ver este ou aquele espetáculo. Exibir filmes 
gratuitamente
> > para segmentos da população que não podem pagar ingresso é necessário sim.
> > Mas não apenas isso, o acesso a um filme tem de ser complementado por 
ações
> > como o Revelando os Brasis, que favorece a experiência estética 
audiovisual
> > do cidadão comum, cria hábitos, incorpora no imaginário destas pessoas 
novos
> > referenciais simbólicos. Adotar o ensino da linguagem audiovisual na 
escola
> > formal é outra estratégia, que estamos construindo com o Ministério da
> > Educação. Aprender cinema na escola como se aprende a ler e escrever o
> > português, porque, apesar da atualidade ter uma grande diversidade de 
meios
> > de formação (especialmente os mídia), a escola ainda é o espaço de
> > socialização mais rico na formação de hábitos e práticas culturais.
> >
> >
> > Revista de Cinema - Investir em um projeto como o "Revelando os Brasis" é
> > pulverizar recursos? Não há excesso de cineastas no país?
> >
> > Senna ­ O objetivo do programa Revelando os Brasis não é formar cineastas. 
O
> > conceito central do projeto é o de inclusão audiovisual, disponibilizando 
as
> > condições necessárias para que populações excluídas dos processos de
> > formação, produção e fruição audiovisuais saiam da marginalidade cultural 
a
> > que foram relegadas. Os códigos audiovisuais formam, hoje, um dos 
elementos
> > definidores das sociabilidades globalizadas, o que exige políticas 
públicas
> > que atendam às populações para que elas possam operar socialmentes nas
> > mesmas condições dos setores que  têm acesso às novas linguagens. Essa
> > preocupação está presente em muitos países, em termos de políticas 
públicas.
> > Nós entendemos que Revelando os Brasis é o programa do MinC que mais
> > radicaliza os conceitos de inclusão e de democratização culturais, tão 
caros
> > à gestão do Ministro Gilberto Gil. Para além do fomento às produções
> > profissionais, ao mercado profissional, entendemos que os governos devem
> > construir outras estratégias para assegurar uma inserção mais soberana no
> > mundo globalizado e Revelando os Brasis caminha nesta perspectiva. Além do
> > conceito central, o propósito da inserção, outro elemento dá uma 
identidade
> > própria ao projeto: o envolvimento de populações de municípios com até 20
> > mil habitantes. Esse público é formado exatamente pelas populações
> > tradicionalmente excluídas das políticas públicas. É importante acentuar o
> > aspecto simbólico que envolve o projeto. Os vídeos resultantes do programa
> > conformam um acervo de imagem de uma riqueza enorme. São registros do 
Brasil
> > profundo, de uma matéria social que normalmente não aparece nas telas do
> > País.
> >
> >
> > Revista de Cinema -  O DOCTV ajudou a aproximar o documentário brasileiro 
da
> > TV? A Rede Pública o encarou com seriedade ou apenas como uma "obrigação"?
> > Por que os docs foram exibidos quase na madrugada?
> >
> > Senna ­ Após quatro anos de exercício, o DOCTV foi capaz de gerar mais de
> > 150 documentários, realizados em todo o País a partir de co-produções de
> > emissoras públicas, produtores independentes e o governo federal. Foram
> > geradas mais de três mil horas de programação qualificada para as tvs
> > públicas brasileiras. O DOCTV  implementou Pólos Estaduais de Produção e
> > Exibição de documentários, com o apoio da ABD-Associação Brasileira de
> > Documentaristas, em todos os Estados da federação, articulando 
organicamente
> > emissoras e produtores locais. Articulando parcerias não para em evento ou
> > uma ação pontual, mas para uma atuação permanente, voltada para a
> > construção de um novo modelo de produção televisiva, capaz de dinamizar
> > mercados regionais de produção e exibição de documentários. O impacto do
> > programa sobre as emissoras públicas foi de tal ordem que incidiu
> > substancialmente na base organizativa do setor, ampliando o quadro de
> > associados da ABEPEC-Associação Brasileira de Emissoras Públicas, 
Educativas
> > e Culturais, responsável pela boa saúde da Rede Brasil. Emissoras de sete
> > Estados, antes desarticuladas da Rede, passaram a integrá-la ao gerar e
> > transmitir conteúdos do DOCTV.
> > No quadro atual de dificuldade vivido pelas emissoras públicas, com a
> > estruturação do setor apresentando enormes deficiências, o modelo DOCTV
> > tornou-se alternativa de produção e matriz simbólica para o 
desenvolvimento
> > da rede, gerando paradigmas fundamentais para a qualidade da programação e
> > para o desenvolvimento da tv pública no Brasil.
> >
> > A programação do DOCTV é composta por faixa de estréias em rede e por 
grades
> > regionais de reprises. A faixa de estréia, definida na primeira edição aos
> > sábados, às 21 horas, sofreu uma alteração na segunda edição, indo para os
> > domingos às 23 horas. Esta mudança se deveu a adequação de  programação, a
> > partir de critérios técnicos de perfil de audiência apresentados pela TV
> > Cultura de São Paulo, que apontaram como positivo   o deslocamento do
> > horário. O foco foi buscar a aproximação do DOCTV com um público adulto
> > interessado, mais disponível neste novo horário. Mas, além desse horário 
de
> > estréias nacionais em rede, o programa tem reprises durante a semana em
> > todos os Estados.
> >
> >
> > Revista de Cinema - Como está o diálogo com a América Hispânica? Por que
> > ainda não saiu a terceira etapa do Acordo Ancine-INCAA? Por que não
> > conseguimos dialogar com a América Hispânica? O que nos separa (já que os
> > que nos une parece ser tão pouco). Octavio Getino diz que a Argentina não
> > tem um circuito alternativo tão bom e grande quanto o nosso. Este circuito
> > tem oferecido espaço real ao cinema brasileiro?
> >
> > Senna - Nesses últimos quatro anos nosso diálogo com a América Hispânica 
tem
> > progredido substancialmente. A iniciativa do DOCTV Ibero-americano teve 
uma
> > ótima repercussão em todo o continente, com destaque para a América 
Central.
> > A criação da RECAM, Reunião Especializada de Cinema e Audiovisual do
> > Mercosul, com a participação dos países membros e dos países associados, 
tem
> > sido um foro privilegiado para o diálogo com os países vizinhos. 
Aumentamos
> > nosso aporte ao Programa Ibermedia e temos mantido um diálogo constante 
com
> > os países da região em todos esses foros. Foram realizadas co-produções 
com
> > Cuba (entre elas o sucesso internacional ³Yo soy Cuba ­ O Mamute 
Siberiano²)
> > e com o México (uma delas o impactante ³Cobrador² de Paul Leduc). O 
governo
> > tem se empenhado em abrir portas para a realização de iniciativas 
conjuntas.
> > Em relação ao acordo de co-distribuição com o INCAA, em primeiro lugar é
> > necessário destacar que os entendimentos entre o Brasil e a Argentina na
> > área do audiovisual, que têm sido alavancados por intermédio da RECAM, 
estão
> > em um nível nunca antes atingido. O acordo de co-distribuição com a
> > Argentina foi uma iniciativa pioneira que corroborou esses esforços. No
> > entanto, temos estruturas diferentes em relação à rede de salas de 
exibição,
> > o que tem causado um sucesso maior na exibição dos filmes argentinos no
> > Brasil do que dos filmes brasileiros na Argentina. Enquanto no Brasil 
temos
> > um circuito alternativo importante, na Argentina não há essa rede de 
salas,
> > o que tem levado o INCAA a investir na formação de uma rede de salas
> > próprias, os Espaços INCAA. O INCAA e a Ancine estão cientes dessa
> > assimetria na execução do Acordo de Co-distribuição e estão buscando
> > alternativas, entre as quais a utilização dos próprios Espaços INCAA. 
Neste
> > momento a Ancine e o INCAA estão trabalhando na extensão do acordo para
> > co-produção.
> >
> >
> > Revista de Cinema - O DOCTV Ibero América ampliará o diálogo entre TVs do
> > sub-continente?
> >
> >
> > Senna ­ O  Programa DOCTV Ibero-América, que está na etapa de produção dos
> > 15 documentários da primeira edição, implantou pólos nacionais de
> > produção/teledifusão em Espanha, Portugal e em 13 países da América 
Latina,
> > reunindo  as principais emissoras públicas desta parte do mundo nos mesmos
> > paradigmas do DOCTV nascido no Brasil ‹ para co-produzir conteúdos com
> > produtores independentes e gerar programação em rede multilateral.
> > O programa implantou no âmbito da CAACI-Conferência das Autoridades
> > Audiovisuais e Cinematográficas Ibero-americanas um fundo internacional
> > voltado para o custeio das operações de produção e distribuição, ampliando
> > as bases de cooperação anteriormente exercitadas pelo Programa Ibermédia 
no
> > campo cinematográfico (agora a CAACI maneja dois fundos, o Ibermedia e o
> > DOCTV Ibero América). A ponte estabelecida entre as emissoras, e destas 
com
> > os produtores independentes, resulta em uma experiência pioneira que 
desenha
> > desdobramentos múltiplos entre os pólos nacionais parceiros, e futuramente
> > entre pólos regionais, como  hoje existem no DOCTV Brasil.
> > A junção da tv pública às políticas de fomento às expressões audiovisuais
> > nacionais é um fenômeno presente na América Latina e o DOCTV veio 
estruturar
> > um modelo de desenvolvimento, em uma ação que prevê também a articulação
> > futura do programa com as mais diferentes experiências de canais
> > internacionais que vem sendo implantados na região. Estou me referindo a
> > iniciativas já no ar, como a Telesur (Argentina, Cuba, Venezuela, 
Uruguai) e
> > a iniciativas em fase de implantação como a TCI-Televisión Cultural
> > Iberoamericana (envolvendo 22 países) e a TAL-Televisão da América Latina,
> > uma iniciativa brasileira (uma OSCIP-Organização da Sociedade Civil de
> > Interesse Público) apoiada pela Secretaria do Audiovisual que agrega cerca
> > de 200 emissoras públicas do continente em um sistema inédito de
> > distribuição.
> >
> >
> > Revista de Cinema - Por que nem o escambo Brasil-Cuba saiu do plano das
> > intenções? Trazer filmes cubanos seria arrumar mais filmes para as
> > prateleiras? Afinal não há espaço no circuito comercial nem para os filmes
> > independentes brasileiros?
> >
> > Senna - Os problemas que existem na distribuição de filmes brasileiros não
> > podem servir de obstáculo a que nosso público possa ter acesso à 
diversidade
> > da produção cinematográfica mundial. A série de acordos internacionais que
> > vimos estabelecendo e lutando pela implementação nos últimos anos devem 
ser
> > entendidos como uma via de mão dupla, em consonância com a defesa de uma
> > política voltada à diversidade cultural. Assim sendo, os acordos de
> > co-distribuição, colaboração audiovisual, co-produção e entendimentos 
afins
> > não devem ser pensados como concorrentes, mas como complementares. Por 
outro
> > lado, a idéia subjacente ao escambo Brasil-Cuba é a de buscar uma via de
> > colaboração com os países de menor desenvolvimento, com os quais não se
> > aplicaria os modelos tradicionais. O modelo do escambo Brasil-Cuba é uma
> > estratégia para superar as assimetrias entre os paises latino-americanos,
> > uma estratégia entre muitas que podem ser inventadas. Assinamos com o 
ICAIC
> > de Cuba no ano passado e estamos na fase de implementação do acordo de
> > escambo, em espanhol ³trueque², ou seja, troca. Estamos além das 
intenções,
> > estamos concretizando o acordo, que é um modelo que chamou atenção na 
CAACI
> > e na RECAM e possivelmente será utilizado mais vezes.
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> > Enviada por: Orlando Senna <orlansenna em novanet.com.br>
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