assunto: [CINEBRASIL] Fw: OS SEM -TELA

autor: Andrea Gloria / email autor: andreagloria em corfilmes.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Terça Outubro 31 16:58:03 BRST 2006


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Marcos,
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Envio para replicação na Cinema Brasil.
Abs,
Andréa Glória.

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      Os sem-tela 

      Sem contrato de distribuição, filmes brasileiros agradam em festivais,
mas podem nunca estrear; diretor da Columbia propõe barreira às filmagens 



            Divulgação
           O ator Rafael Raposo vive Noel Rosa e a atriz Camila Pitanga é a
musa Ceci em "Noel - Poeta da Vila"  

      SILVANA ARANTES
      DA REPORTAGEM LOCAL 

      Um dos filmes preferidos do público da 30ª Mostra de Cinema de SP não
tem garantia de estrear nos cinemas.
      "Noel - Poeta da Vila", do brasileiro Ricardo Van Steen, está na lista
de 14 finalistas -peneirados pelos espectadores da Mostra, entre 120 longas
de novos diretores- ao troféu de melhor desta edição. O vencedor sai na
próxima quinta.
      "Noel - Poeta da Vila" não tem contrato com nenhuma distribuidora, o
tipo de empresa responsável pelo lançamento dos filmes nos cinemas e também
nos ramos auxiliares do mercado exibidor, como DVD e TV. Pode, portanto,
ficar inacessível ao grande público.
      O filme de Van Steen não é exceção no cenário da indústria
cinematográfica brasileira. Entre os 143 títulos que estão atualmente
inéditos ou nas fases de produção e finalização no país, apenas 43 têm
contrato de distribuição e, por conseqüência, estréia assegurada, segundo
dados da Ancine (Agência Nacional do Cinema).
      A representação nacional na Mostra de São Paulo confirma e ilustra o
fenômeno. Dos 16 filmes de ficção da disputa nacional, quatro não têm
distribuidor (leia lista nesta página). Na categoria documental os números
são mais expressivos. Pelo menos sete dos 15 documentários selecionados pelo
festival paulista não têm (ainda) perspectiva de lançamento.
      Para o diretor da distribuidora Columbia, Rodrigo Saturnino Braga,
essa é uma distorção do mercado brasileiro, que deve ser corrigida. "Acho
que um roteiro não deveria entrar em filmagem no Brasil sem ter uma
distribuidora", afirma.
      Saturnino Braga parte de uma análise "da perspectiva industrial", na
qual lhe parece óbvia a inconveniência de investir uma soma de dinheiro
(público, na maioria das vezes, já que os filmes no Brasil são realizados
com receitas de renúncia fiscal) na produção de um produto que não tem
garantia de ser comercializado.

      Polêmica
      Mas, como o cinema tem a dupla face de arte industrial, a adequação
proposta pelo diretor da Columbia esbarra no domínio da liberdade de criação
e causa polêmica até entre seus pares distribuidores. "Concordo com Rodrigo
que, devido à facilidade de captação de dinheiro incentivado [pelas leis de
renúncia fiscal], cada vez se fazem mais filmes sem preocupações de que eles
tenham acolhida tanto por qualquer distribuidora quanto pelo público", diz
Jorge Peregrino, vice-presidente para América Latina e Caribe da Universal
Pictures, outra gigante da distribuição.
      Mas Peregrino pondera: "Não concordo em coibir que filmes sem
distribuidor desde o início sejam produzidos, até porque seria um crime
contra a liberdade de expressão".
      Mesmo se a barreira atingisse apenas os filmes beneficiários de
incentivo fiscal, o executivo da Universal acha que haveria um efeito
adverso no mercado: "Onde ficaria o primeiro filme e a "descoberta" de novos
cineastas, cada vez mais necessária?".
      O distribuidor Bruno Wainer, da Downtown, classificada entre as
distribuidoras brasileiras "independentes" (em oposição às filiais das
"majors" norte-americanas), tem opinião semelhante à de Peregrino. "Não acho
que tenhamos que fechar o mercado para que se produzam só filmes que tenham
compromisso com distribuidor", afirma.
      Por outro lado, Wainer está de acordo também com Saturnino Braga:
"Concordo com ele que há muito dinheiro disponível para fazer filmes que não
têm compromisso com nenhum tipo de mercado, seja autoral, seja comercial. E
acho que deveria diminuir o número desses filmes que nascem de geração
espontânea".
      Presidente da Ancine, Gustavo Dahl diz que a idéia de Saturnino Braga
"faz sentido, do ponto de vista da racionalidade de utilização dos recursos,
mas isso acabaria com a espontaneidade do impulso de produção".
      Dahl cita outro fator de distorção no mercado brasileiro de cinema,
que, na sua opinião, colabora para aumentar o gargalo que deixa filmes
prontos longe dos cinemas: "O número de salas subdimensionado para o tamanho
do país [2.900] desestimula a constituição de distribuidores brasileiros.
Objetivamente, não há espaço físico [para lançar todos os filmes
produzidos], e a competição fica exacerbada", afirma.
      Peregrino, por sua vez, não debita o problema nem ao setor da
distribuição nem ao da exibição. "Entendo que invocar o famoso "nó" da
distribuição, como também se invoca o da exibição, é apenas uma desculpa
para não admitir que existem filmes com potencial e filmes sem potencial.
Enfim, produtos ruins e produtos bons."
      Mas como explicar então que filmes ameaçados de permanecer na
prateleira alcancem sucesso em festivais? Jorge Durán, autor de "Proibido
Proibir", longa sobre a juventude brasileira que venceu neste ano em
Biarritz, entrou no Festival do Rio e na Mostra de SP e permanece sem
distribuidor, responde com uma analogia musical: "Você não gosta de mim, mas
sua filha gosta".


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