assunto: [CINEBRASIL] FW: O PT ainda não incorporou os avanços da experiência do

autor: Solange Lima / email autor: sollima5 em hotmail.com     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Terça Outubro 31 20:36:06 BRST 2006


Ministério Gil
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Bom uma coisa sabemos. O Presidente é Luis Inacio Lula da SIlva!
Outra cois também sabemos, o Gil é genial, porém ele só pôde implantar a sua 
política ousada e arrojada porque o Presidente Lula acreditou e apostou na 
sua proposta.
Logo se o Lula é novamente o presidente, vamos em frente queremos o Gil 
novamente!
Em time que está ganhando não se mexe.

Solange Lima - Produtora

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Amigos,

acabei de ler essa entrevista e não me contive... tenho que compartilhar com
vocês.

beijo,

Lu
**
*Carta Maior - SP*
26/10/2006 - 16:48

<http://clipmail2.interjornal.com.br/clipmail.kmf?clipic7hnl&grupo(744#>
Política "O PT ainda não incorporou os avanços da experiência do Ministério
Gil"

André Martinez, presidente do Instituto Diversidade Cultural, entende que o
Partido dos Trabalhadores não absorveu as experiências realizadas pela
equipe de Gilberto Gil no Ministério da Cultura

Carlos Gustavo Yoda

Poucos são os que entendem de políticas públicas para a cultura no Brasil.
Talvez isso se deva pelas distorções sobre o que seja política cultural
entre as práticas tão acomodadas do balcão de negócios. O consultor André
Martinez, especializado em planejamento e gestão de políticas e
empreendimentos culturais, foi procurado por Carta Maior para fazer uma
avaliação de Gil no ministério e das políticas públicas para a cultura
apresentadas pelos dois candidatos à presidência no segundo turno.

Sobre o PT, o maior erro, segundo ele, é o partido não ter absorvido os
avanços da experiência do Gil ministro. Quanto ao PSDB, "persiste a lógica
cartesiana dos termos bélicos ocupando o espaço do rizoma, que melhor
caberia à cultura e à sustentabilidade. Ainda o papo do bom negócio. Não
mais para sustentar promoção de marca, mas um modelo de desenvolvimento
pseudo-sustentável, ditado pelo capital, em que a cultura é apenas meio para
tapar buracos".

Leia abaixo a entrevista:

Carta Maior - Como o sr. avalia a gestão da política pública para a cultura
no Brasil?

André Martinez - É preciso antes definir a premissa do que se espera, ou se
deveria esperar, de um ministério em um Estado democrático. Não tão somente
conduzir movimentos governamentais em relação ao atendimento de demandas
emergentes dos eleitores, mas, acima de tudo, articular a práxis de uma
sociedade em relação à conquista de sua própria autonomia. Como estrutura
formalmente constituída para esta práxis, espero que o poder executivo
articule políticas públicas, o que significa dizer articular os movimentos
sócio-econômicos na sociedade em direção à conquista de seu bem-comum, da
razão em si destes movimentos terem se articulado para instituir um estado
de direito. A capacidade de articulação, portanto, é uma vocação
indispensável para justificar a existência das instituições públicas. As
políticas públicas são os instrumentos para o exercício desta vocação,
mobilizando e deixando-se mobilizar por esforços coletivos em relação a
determinados propósitos específicos, mas também caros para todos, também
universais. A interdependência, aliás, entre o específico e o universal é a
própria razão de ser da política pública.

Como é a formulação de uma política pública? Em primeiro lugar, buscar uma
abrangência que represente a sociedade como um todo monístico capaz de
participar. Tentar entender a diversidade da sociedade. Em segundo lugar,
propor um foco de transformação, um propósito específico, administrável, que
a todos interesse. Uma forma de pensar e agir orgânica, que possa ser
universalmente compartilhada. Todos queremos saúde, trabalhemos por ela,
sigamos este norte.

Mas o que acontece quando agregamos à política pública o adjetivo cultural?
Qual é a consistência da especificidade a que nos referimos? Qual o sentido
da política cultural, se a cultura abrange um espectro tão amplo que vai dos
modos de vida à construção do imaginário? Onde está o foco? Não sendo
possível uma única especificidade para a complexa relação de sistemas do
domínio da cultura, ao pensarmos em políticas culturais, adquirimos o vício
de compreendê-las somente conforme a situação de mundo que mais afeta nossa
vida no tempo e no lugar que habitamos. Políticas de economia, políticas de
identidade, políticas de orgulho, políticas de prevenção, políticas de
reparação, e assim vai, dependendo de nossas carências.

Por estes motivos, tenho afirmado que, antes do Gil, o Brasil ensaiou muitas
práticas de Estado para a cultura, jamais políticas culturais. E jamais
políticas de qualquer outra ordem. Não podemos sequer afirmar, por exemplo,
que a doutrina "Cultura é um bom negócio", tenha configurado uma política
econômica para a cultura. Jamais passou de arremedo tímido, buscando gerar
algumas oportunidades esquálidas para que os agentes setoriais da atividade
econômica formal da cultura pudessem subexistir.

CM - E em relação à gestão do ministro Gil, o sr. acredita que houve avanços
nesse pensamento?

AM - A gestão Gil, a despeito de todas suas fragilidades executivas,
introduziu tecnologia de política cultural no Brasil. Compromissada em
sustentar a complexidade da cultura, segue construindo com muito
profissionalismo um discurso que aposta com franqueza na articulação, ao
mesmo tempo em que reconhece a cultura como direito, modo de vida e
liberdade. A Secretarias do MinC são rigorosamente orientadas por
especificidades, enquanto o ministro empenha-se em construir uma pauta
pública que reconheça a universalidade dos mesmos aspectos. Um avanço sem
precedentes que tem colocado o país à frente da agenda internacional pela
Diversidade Cultural.

Além dessa inteligência pública melhor institucionalizada, adquirimos nosso
ministro-poeta-popstar-negro-baiano, brasileiríssimo com seus sincretismos
identitários. Por um lado, personifica a ruptura de todas as dicotomias
culturais ditadas pelo pensamento eurocêntrico. Sendo, agindo e pensando,
ministro Gil abre caminhos concretos para uma reflexão mais complexa acerca
da questão política da cultura no Brasil e no mundo. Por outro lado, o mito
é um artista-articulador unânime e ativo. Ninguém deixa de ouvir Gilberto
Gil e ele nunca deixa de cantar sua poética. Tê-lo à frente do ministério
potencializa sobremaneira o efeito de discurso das políticas culturais
propostas. Ano passado, em Dakar, durante o primeiro encontro da Rede
Internacional de Políticas Culturais após a promulgação da Convenção da
Diversidade Cultural (leia a reportagem aqui), pude presenciar Gilberto Gil
ocupando o centro das atenções entre 50 ministros de cultura dos países
signatários da Unesco. O articulador da diversidade.

Então, a pergunta que fica é: se temos ministério e política cultural, por
que é insuficiente a ação do poder executivo? Penso que o quê da questão não
seja a potência da proposta do Governo Lula, mas uma deficiência estrutural
da política operada a partir dela. Além de discurso consistente, de valor
simbólico e de liderança engajada, uma política pública requer também outras
categorias para gerar transformação: a sustentabilidade do discurso, a
capacidade de estruturação e o orçamento. Aí reside o calvário do projeto e
da equipe de Gil, pois uma abordagem que tem a cultura como centralidade nos
modos de vida e no exercício das liberdades requer um Governo capaz de
incorporar esta noção em absolutamente todos os seus movimentos. O que se
passa no Brasil é a precariedade dessa incorporação. O discurso do
ministério tem mais sustentabilidade nos movimentos do Terceiro Setor do que
nos dos demais ministérios. Mais nos movimentos da Unesco, do que nos do
Planalto. O orçamento contingenciado do MinC é apenas a evidência mais
explícita dessa disfunção. Além disso, precisamos conviver com a antiadesão
de nossas instituições sociais privadas - sempre tão vorazes e imaturas -
aos interesses públicos. No episódio da Ancinav, pudemos vivenciar a toda a
brutalidade e potência de intervenção das grandes redes de televisão, que
conseguiram congelar o debate público acerca da apropriação dos meios e
conteúdos audiovisuais. No andar da carruagem, tudo o que os brasileiros
conseguiram institucionalizar a favor de sua liberdade cultural foram
algumas poucas estruturas, como os Pontos de Cultura e o SNC, vitais, porém
insuficientes. Ainda assim, a proposta que eu desejo para a cultura, sejam
quais forem nossos próximos presidentes, é a política Gil.


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Enviada por: "Solange Lima" <sollima5 em hotmail.com>

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