
autor: Gabriela Campedelli / email autor: gbic em uol.com.br
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data: Terça Abril 3 19:12:03 BRT 2007
CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Não exatamente Francis. O índice é o HHI que leva em conta o
faturamento, mas também o volume de espaço publicitário
produzido. Não dá pra simplesmente dizer que todos os
anunciantes estão na Globo porque simplesmente não é
verdade. O critério objetivo, então, é uma análise de vários
números e não apenas um número isolado.
[]'s
Gabriela
> Gabriela,
>
> Quer dizer que o que importa não é o faturamento e sim o
número de
> investidores em publicidade para determinar a participação
no mercado. Está
> bem. Aprendi mais essa. Vou dormir tranquilo.
> Abraços,
> Francis
>
> > Caro Francis:
> >
> > Sem querer desmerecer a sua colocação, sinto lhe
informar que seu
> > critério não é objetivo.
> > O faturamente mais alto de um dos atores em relação aos
demais, em
> > muitos dos casos, não significa que ele tenha uma fatia
maior do
> > mercado. Já o exemplo que você citou, então, não significa
> > absolutamente o que você está querendo provar. Primeiro,
o fato da
> > rádio Parafuso Frouxo não ter faturamento alto
certamente não é um
> > retrato da concentração dos meios de comunicação de
massa. Esse é
> > um primeiro ponto. Pode ser que ela seja incompetente, mal-
> > administrada, etc.. O segundo ponto é o seguinte, o bolo
> > publicitário pode ser representado em suas maiores
fatias apenas
> > por poucos investidores, enquanto uma parcela menor
desse mesmo
> > bolo é concentrada em muitos investidores. Ou seja,
aqueles que
> > compõem o mercado são, portanto, a totalidade dos
investidores e
> > não a quantidade de dinheiro que eles investem nesse ou
naquele
> > meio de comunicação. Sendo que apenas um dos
investidores pode ser
> > responsável por 20% do faturamento total de uma
determinada rede,
> > mas ele representa apenas 1% do mercado. Vejamos, com
faturamentos
> > bastante distintos, a quantidade de verba destinada
para a mídia
> > impressa é infinitamente menor que a quantidade de
verba para a
> > mídia televisiva. No entanto, exitem mais investidores
anunciando
> > em mídia impressa do que em mídia televisiva. A fatia
do mercado da
> > mídia impressa é maior que a da mídia televisiva, embora o
> > faturamento da mídia televisiva, em alguns dos casos,
seja maior
> > que o da mídia impressa. O critério apresentado, como
você pode
> > notar, não é objetivo. Vejamos um exemplo, 30 segundos
de um
> > comercial local na Rede Cabeça sem Parafuso (RCP) custa
X quanto
> > que na Globo custa 20 X. Apenas um anunciante compra o
espaço da
> > Globo enquanto 10 compram o da RCP. A RCP tem uma fatia
maior do
> > mercado, mas um faturamento menor que o da Globo.
Agora, para
> > chegar à concentração no mercado brasileiro vce precisa
do número
> > de empresas nesse mercado e do market share de cada uma
dessas
> > empresas, lembrando vce que market share não é
exatamente o faturamento.
> >
> > []'s
> > Gabriela
> >
> > On Mar 28, 2007, at 9:30 AM, Francis Vale wrote:
> >
> > >
> > > Caros Listeiros,
> > >
> > > Peço licença pra entrar no meio desse fogo cruzado
entre a Gabriela
> > > e o
> > > Gustavo.
> > > Como eles divergem em relação à abrangência do
conceito de oligopólio,
> > > gostaria de colocar em avaliação um critério mais
objetivo de medir se
> > > determinado grupo empresarial constitui oligopólio em
relação à
> > > produção e/ou
> > > comercialização de mercadorias, bens e/ou serviços: o
percentual que o
> > > FATURAMENTO do grupo representa em relação ao total
dos recursos
> > > obtidos pelo
> > > conjunto dos integrantes daquela atividade econômica.
Por exemplo:
> > > quanto
> > > representa o faturamento da rádio PARAFUSO FROUXO, da
cidade
> > > nordestina de
> > > Punaré em relação ao total dos recursos financeiros
aplicados em
> > > PUBLICIDADE
> > > e OUTROS SERVIÇOS RADIOFÔNICOS em todo o País? Em
algum lugar,
> > > teremos esses
> > > dados.
> > > Pra mim, o que importa é a fatia abocanhada do mercado.
> > > E quando o grupo econômico atua em uma série de
atividades, uma
> > > apoia a outra.
> > > E se for de meio de comunicação, aí é que o apoio é
forte. É a bola
> > > de neve. É
> > > a história do "burro carregado de mel".
> > > Na visão capitalista, vale mais o que diz a revista
Forbes. É a
> > > grana. O rei é
> > > quem mais fatura. E mais fatura porque tem mais
empresas e
> > > empreendimentos que
> > > foi acumulando pela aquisição de pequenas empresas em
situação pré-
> > > falimentar.
> > > Não precisa citar nomes. Isso existe, que eu conheça,
em alguns
> > > estados
> > > brasileiros.
> > > Por outro lado, o faturamento vem em função dos
serviços oferecidos,
> > > principalmente a publicidade, todos agarrados na saia
da audiência
> > > ou da
> > > tiragem, no caso de jornais e revistas.
> > > E assim, ponho em discussão esse critério que
considero mais
> > > objetivo. Sujeito
> > > a chuvas e trovoadas.
> > >
> > > Um abraço do
> > > Francis Vale
> > >
> > >> Gustavo:
> > >>
> > >> É incrível a sua disposição de querer associar as
> > >> observações das pessoas com a defesa de empresas
privadas.
> > >> Pra começar eu não estou defedendo a Globo ou
qualquer outra
> > >> empresa, mas estou defendendo o emprego correto de um
> > >> conceito de economia. Embora vce não consiga admitir
o que
> > >> vce disse está errado. E não adianta dar voltas ao mundo,
> > >> citar o FCC e distorcer o que eu escrevi. Com absoluta
> > >> certeza, audiência é uma medição de preferência do
> > >> espectador e não um indice para determinar se uma
empresa de
> > >> comunicação exerce um monopólio ou um oligopólio no
mercado.
> > >> Sem dúvida, a audiência indica que ela tem uma vantagem
> > >> competitiva no mercado, mas não indica o market share que
> > >> ela tem do mercado publicitário porque o subsídio é
cruzado,
> > >> ou seja, o reflexo do domínio do mercado é a venda de
espaço
> > >> publicitário para empresas de publicidade e não a
audiência
> > >> conseguida com um determinado programa. A Globo
possui uma
> > >> grande parcela do mercado publicitário, mas ela não
> > >> configura nem oligopólio nem monopólio como vce
descreveu.
> > >> No mais, o FCC usa sim a audiência para fazer suas
medições
> > >> absurdas quando a TV é paga, entretanto, o indíce que
é de
> > >> fato levado em consideração para determinar monopólio ou
> > >> oligopólio, nos EUA e no resto no mundo é o HHI onde a
> > >> audiência é apenas um reflexo da tendência do mercado
> > >> publicitário.
> > >> Tomou?
> > >>
> > >> []'s
> > >> Gabriela
> > >>
> > >>> Gabriela se superando. Dessa vez você foi mais rápida do
> > >> que a Globo
> > >>> para defender o oligopólio. Impressionante como tem
gente
> > >> que não perde
> > >>> tempo em beijar a mão. Aliás, nesse caso, você não está
> > >> sozinha. Muito
> > >>> pelo contrário.
> > >>>
> > >>> Mas, como sou uma pessoa de muita paciência, vou lhe
> > >> responder.
> > >>>
> > >>> Em primeiro lugar, a comparação entre Cuba, Vietnã,
> > >> Holanda e França foi
> > >>> uma piada, uma ironia. E nada mais chato do que ter que
> > >> explicar piada.
> > >>> "Entendeu: França, Holanda, Canadá... ditaduras...
> > >> hahahaha... não
> > >>> entendeu???? Pô!"
> > >>>
> > >>> Em segundo lugar, para que haja oligopólio não é preciso
> > >> que exista 100%
> > >>> de nada. Esta é justamente a diferença entre
oligopólio e
> > >> monopólio.
> > >>>
> > >>> Em terceiro lugar, você que gosta tanto de citar
livros e
> > >> autores,
> > >>> sugiro que leia um pouco sobre economia política da
> > >> comunicação.
> > >>> Recomendo um livro excelente, do professor Cesar Bolaño,
> > >> da Universidade
> > >>> Federal de Sergipe, chamado "Indústria cultura:
capitalismo e
> > >>> informação". Nele você vai aprender que a mercadoria que
> > >> os meios de
> > >>> comunicação produzem chama-se "audiência". É com essa
> > >> mercadoria que
> > >>> eles transacionam no mercado publicitário. Portanto, a
> > >> existência de
> > >>> oligopólios nos meios de comunicação não é medida pela
> > >> oferta, mas pela
> > >>> audiência.
> > >>>
> > >>> É esse, inclusive, o critério adotado pela FCC para
> > >> determinar o nível
> > >>> de concentração de um determinado mercado.
> > >>>
> > >>> Já a concentração de propriedade é outra discussão e sem
> > >> mede pelos
> > >>> critérios de concentração vertical (quando um mesmo
grupo
> > >> empresarial
> > >>> domina diversos ramos do processo de comunicação) e
> > >> concentração
> > >>> horizontal (quando um grupo concentra várias empresas do
> > >> mesmo setor). O
> > >>> meu exemplo inicial demonstra, além do oligopólio,
> > >> concentração vertical.
> > >>>
> > >>> Abraços pacientes e penitentes,
> > >>> Gustavo.
> > >>>
> > >>>
> > >>>
> > >>> Enviada por: Gustavo Gindre <gindre em indecs.org.br>
> > >>>
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