
autor: Luís Bacchi / email autor: luisbacchi em uol.com.br
RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Domingo Agosto 26 06:44:11 BRT 2007
CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Gabriela,
Quanto mais produtos agregados, melhor. Sempre.
Em NY quando vamos a um evento tem camiseta do evento pra vender, tem boné,
tem CD, tem tudo. Uma coisa ajuda a outra. Os cara não perdem tempo. E nem
dinheiro.
Filme e videogame. Videogame e filme.
Nunca joguei videogame. Morro de medo de ficar "velho". Vou até aprender a
jogar. E repetir o mantra: filme e videogame, videogame e filme, filem e
videogame...
É pra ser capitalista ? Então tá. Nos aguardem...
abraços
Luís Bacchi
----- Original Message -----
From: "Gabriela Campedelli" <gbic em uol.com.br>
To: <cinemabrasil em cinemabrasil.org.br>
Sent: Friday, August 24, 2007 8:16 PM
Subject: Re: [CINEBRASIL] Analisando os fatos...
Luis:
É absolutamente fora de questão dizer que o videogame desvia
a atenção do moleque do cinema brasileiro. Isso é afirmação
de quem desconhece o mercado de videogames. E, por outra,
desconhece a game culture. Nada contra o Farid, mas ele tá
por fora. Tá por fora inclusive do design de videogames. A
verdade é que o filme foi baseado no extenso conhecimento
que alguns cineastas tem de cinema. E os videogames foram
baseados no filme. O lançamento é simultâneo e o game ajuda
o filme a ter público. E não tira o público do cinema.
Valeria bem pensar que alguns filmes brasileiros poderiam
ter videogames.
Existem, inclusive assuntos no Brasil consoantes. Um deles é
a história fantástica do ET de Varginha. Que, aliás, é
videogame.
Videogames também ajudam o Brasil a vender a própria
tecnologia consagrando-a como a melhor do mundo na área,
como é o caso da linguagem LUA que foi desenvolvida no Norte
em parceria com a PUC-Rio e é usada no game mais acessado do
mundo: o World of Warcraft.
Agora, dá linceça. Fui
Beijos
Gabriela
> Farid,
>
> Entendo perfeitamente o que você diz.
>
> Mas quero observar uma coisa. Não podemos confundir número
de técnicos ou
> despesas de produção com valor dos salários/cachês.
>
> Uma grande produção tem, em geral, uma equipe numerosa. O
que aumenta o
> custo de uma grande produção é (ou deveria ser) o custo
com muitos técnicos.
> E não a contratação de tecnicos mais caros. E, claro, uma
superprodução tem
> uma tendenncia a talvez gastos maiores com produção,
cenografia, efeitos
> etc.
>
> Em um filme de baixo orçamento, o custo deveria ser menor
devido a menosres
> despesas com recursos diversos e também a uma equipe mais
reduzida. E não ao
> pagamento de cachê menor. Claro que isso não se aplica ao
cachê de
> roteiristas, atrizes ou diretores, por exemplo. Uns são
bem mais caros que
> outros e isso faz parte do mercado de cinema em qualquer
lugar do mundo.
>
> abraço
> Luís Bacchi
>
> ----- Original Message -----
> From: "Farid Tavares" <faridjt em uol.com.br>
> To: <cinemabrasil em cinemabrasil.org.br>
> Sent: Wednesday, August 22, 2007 1:17 AM
> Subject: Re: [CINEBRASIL] Analisando os fatos...
>
>
> CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Mercado do Cinema Brasileiro
>__________________________________________________________________
>
>
>
> Luis Bacchi,
>
> Como eu já disse, ler suas mensagens e responder exige
fôlego. Então vou só
> responder à primeira parte, depois respondo ao resto. Eu
não acho que por
> principio um filme brasileiro de 3 milhões de dólares seja
caro. Tem filmes
> que não dá para imaginar sendo feitos com menos do que
isso. E são
> importantes. Não dá para imaginar um Carandiru ou um Tropa
de Elite sendo
> feitos com muito menos do que isso. O problema é quando
todos os filmes
> começam a custar isso, não porque os produtores estão
super faturando, mas
> porque os financiadores e distribuidores só querem grandes
produções e
> recusam filmes menores. E a partir daí, é claro, se a
maioria dos filmes tem
> esses grandes orçamentos, um filme de baixo orçamento não
vai conseguir ser
> realizado porque a equipe vai querer ganhar o que já ganha
nos outros, o
> dono da câmera vai querer cobrar o que já cobra nos
outros, o laboratório a
> mesma coisa, comida, transporte, iluminação e assim por
diante. E então só
> os grandes orçamentos passam a ser viáveis.
>
> Um abraço,
>
> Farid Tavares
>
> > Farid,
> >
> > Está interessante esta análise do mercado, Farid.
> >
> > Acrescento que o filme que você citou como exemplo e
comparou com
> > produções
> > nacionais, "Os Infiltrados", tem os seguintes valores de
mercado até hoje,
> > 20/junho (e utilizando cotação do dólar de 20/jun/07):
> >
> > custo: R$ 190 milhões
> > renda:
> > - bruta: R$ 595 milhões
> > - apenas EUA: R$ 283 milhões
> > - sem EUA: R$ 312 milhões
> > - só home-vídeo: R$ 105 milhões
> >
> > - em alguns países (até nov/2.006):
> >
> > - na Argentina: R$ 1,5 milhões
> > - no Brasil: R$ 5,6 milhões (- no Chile: R$ 0,5 milhões
> > - no México: R$ 4,2 milhões
> >
> > O que o quadro acima nos indica e o que podemos concluir
é que:
> >
> > Um filme extremamente bem sucedido no mercado interno
("Os Infiltrados"),
> > já
> > testado lá fora, já chegando aqui pago, com todo o
marketing colossal na
> > mídia, atores testados e etc rendeu R$ 5,6 milhões.
Portanto, esquecendo
> > que
> > os custos de publicidade já chegaram aqui pagos, se esta
fosse uma
> > produção
> > brasileira o custo não poderia ser superior a R$ 5,6
milhões. Nunca. Teria
> > que ser, inclusive, muito abaixo desse valor. A partir
do faturamento de
> > R$
> > 5,6 milhões quanto sobra exatamente para o produtor ?
alguém tem a conta
> > exata na mão ?
> >
> > Então, vendo a questão por este ângulo e vendo isso de
forma muito
> > objetiva,
> > a sua primeira colocação, Farid, de que o custo da
produção brasileira
> > está
> > alto é um argumento que procede, que você tem razão
nesse ponto. Pelo
> > menso
> > dentro deste quadro que está aí, dentro deste cenario
atual do nosso
> > momento
> > brasileiro. Inclusive temos que considerar que se você
produz 10 filmes,
> > nem
> > todos serão sucesso como "Os Infiltrados". Alguém tem
esta estatística de
> > quantos serão sucesso a partir de 10 produções, por
exemplo ? Não sei de
> > onde tirei isso, mas tenho na cabeça que 10% das
produções tem grande
> > sucesso. Talvez mais da metade se pague com pequenas
variações. E uns 2 ou
> > 3
> > são fracassos. Não sei exatamente estas médias. Mas
podemos perceber que
> > quando um produtor realiza 10 longas, então o custo de
sua produção média
> > teria que ser no máximo a metade ou mesmo um terço da
renda LÍQUIDA de um
> > "Os Infiltrados". Isso para não perder dinheiro. Sem dar
lucro algum.
> > Alguem
> > me corrija se eu estiver errado.
> >
> > Análise:
> >
> > 1) a renda de um "Os Infiltrados" no Brasil, a renda de
um grande sucesso,
> > é
> > ridículamente pequena em termos empresariais.
> >
> > 2) A frequencia aos cinemas não tem grandes disparidades
entre alguns
> > países
> > sul-americanos. Uusando o aspecto "media das populações
x renda bruta" ( e
> > esquecendo padrão de vida, população rural, número de
ingressos, renda per
> > capita etc) temos que a renda do "Os Infiltrados" por
habitante é:
> >
> > Na Argentina No Chile No Brasil No México
> > Os índices de "renda do filme / população" são bastante
parecidos. O
> > Brasil
> > não é nenhum disparate. (lembre-se que não estou
considerando renda/n.º de
> > ingressos)
> >
> > 3) A renda de uma produção americana como essa rende
nestes 4 países
> > sul-americanos algo em torno de 2% de sua renda mundial.
Não é muito
> > considerando o tamanho destas economias e das suas
populações.
> >
> > 4) A renda deste filme no país de origem (EUA)
representa 48% da renda
> > mundial total. Ou seja, o mercado interno deles tem uma
parcela muito
> > substancial da renda mundial. Se todos os países
deixassem amanhã de
> > importar filmes americanos eles poderiam reduzir seus
custos mas
> > continuariam tranquilamente investindo ainda assim um
bom dinheiro em cada
> > produção. A industria deles, apenas com o mercado
interno deles, se
> > sustenta
> > e dá lucro só com o mercado deles.
> >
> > Concluindo algumas coisas:
> >
> > - Podemos utilizar seu metodo, Farid, de dividir e
separar o que é
> > video-game e o que é genuinamente cinema. Mas essa
conceituação é
> > subjetiva.
> > Quem diz que o chamado video-game também não é cinema ?
E, de qualquer
> > forma, o que importa são os resultados concretos. O
videogame, ainda que
> > não
> > fosse cinema, está ocupando o consumidor com o produto
videogame, está
> > tomando o sabado dele, o gasto dele com lazer, etc. E
está roubando isso
> > do
> > produto que você chama de cinema genuino. Então eu
prefiro considerar tudo
> > uma coisa só.
> >
> > - A renda obtida com cinema no Brasil é reduzida. Mas
quanto a isso não
> > estamos tão diferentes do restante dos países mais
próximos (pelo menos
> > comparando alguns de seus principais países). O que não
é nenhum alívio ou
> > consolo. Mas é interessante notar que poderíamos esperar
que 2 ou 3 países
> > tivessem um indice mais semelhante entre si e diferente
dos demais. Mas
> > isso
> > não acontece. E vale uma boa reflexão.
> >
> > - Uma grande sucesso apresentar uma renda relativamente
baixa pode parecer
> > um ponto negativo. E é realmente um ponto negativo. Mas
isso pode mudar
> > dependendo da porcentagem de sucessos dentro de uma
prateleira de produtos
> > que o produtor realiza e oferece ao mercado. E pode
mudar mais ainda
> > conforme o número de prateleiras. A ìndia, por exemplor
ealiza um número
> > de
> > produções B ou C ou Z muito grande e o resultado
econômico é satisfatório.
> > Sò que pensando em estruturar o negócio desta forma, não
vai dar pra
> > pensar
> > em muitas superproduções, claro.
> >
> > - Começo a considerar a hipotese de amanhã eu mudar de
> > ramo...(brincadeira,
> > gente...)
> >
> > Vou ficar por aqui - tenho mais a dizer mas a partir de
agora vou evitar
> > mails muito longos. Melhor pra mim e pra voces.
> >
> > O bastão volta pra sua mão Farid! Manda bala...
> >
> > abraços
> > Luís Bacchi
> >
> >
^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^
> >
> > Farid escreveu:
> >
> > Nas análises que tenho visto sobre a aceitação dos
filmes brasileiros pelo
> > publico, acho que está sendo esquecido um dado que prá
mim é bem óbvio:
> > não
> > dá prá colocar no mesmo saco os filmes brasileiros com
filmes que nem de
> > longe têm similar no Brasil ou no resto do mundo, além
dos Estados Unidos.
> > Ou seja, não dá para comparar a bilheteria dos filmes
brasileiros com a
> > bilheteria desses videogames cinematográficos ou com as
grandes e
> > carissimas
> > animações: Homem Aranha, Quarteto Fantástico,
Transformers, Duro de Matar,
> > Ratatouile e outros.
> > Teriamos que comparar a bilheteria dos filmes
brasileiros com filmes do
> > mesmo estilo. Com os filmes candidatos ao Oscar, por
exemplo. Ou com os
> > filmes europeus.
> > Ao invés de analisarmos a aceitação dos filmes
brasileiros a partir do
> > fato
> > de que a bilheteria desses filmes representou apenas
10% dos ingressos
> > vendidos no ano passado, acho que temos que tirar fora
desse número de
> > ingressos vendidos toda a bilheteria dos videogames
cinematográficos
> > americanos e, aí sim, compararmos o público dos filmes
feitos aqui com os
> > outros que sobram. Podemos ficar surpreendidos com os
resultados.
> > Vejamos os filmes candidatos ao Oscar, com enorme midia
no Brasil:
> > "Dreamgirls" teve menos bilheteria do que o
independentissimo "Cheiro do
> > Ralo". "Caixa Dois" teve mais bilheteria do que a grande
produção
> > elogiadissima "Cartas de Iwo Jima", do Clint. "Ó Pai, Ó"
ficou pau a pau
> > com
> > "Pequena Miss Sunshine". O "Ano em que meus Pais..."
quase bateu "A
> > Rainha"
> > e por aí vai.
> > E na lista dos filmes que passam de 1 milhão e meio de
espectadores
> > praticamente só encontramos esses videogames
cinematográficos, com a
> > exceção
> > de alguns brasucas como "Eu sou Você", "A Grande
Familia", "Carandiru".
> > Por isso, é muito estranho vermos essa propaganda de que
grandes produções
> > brasileiras, com altos orçamentos, pretendem passar dos
dois milhões de
> > espectadores, quando sabemos que isso é exceção e que
nem mesmo grandes
> > produções americanas ganhadoras de Oscar e com elenco
estelar (como "Os
> > Infiltrados", com seu 1,1 milhão de espectadores) chegam
perto disso.
> >
> > Um abraço,
> > Farid
> >
> >
> >
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