assunto: [CINEBRASIL] CBC - O Mercado Audiovisual Brasileiro

autor: Luís Bacchi 0 / email autor: luisbacchi em uol.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Domingo Dezembro 16 15:31:49 BRST 2007


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Alberto,

O seu projeto é interessante.

Embora não exista projeti nenhumque não tenha pontos negativos, vejo no seu, 
além dos pontos positivos, dois pontos problemáticos:
a) o realizador teria que arcar inicialmente com um alto custo: filmagem, 
equipe, material etc.
b) mais ou menos, o projetio passaria de alguma forma por um julgamento para 
decidir se recebe ou não a verba - e devemos evitar a todo custo que exista 
algum julgamento do projeto.

Que tal seria se houvesse um financiamento para produções cinematoráficas 
com uma carência de 12 ou 18  meses, correção monetária integral e justa, 
juros zero e prazo de 4 anos para pagamento ?
(veja nesta minha hipótese também há uma comissão julgadora, o que é d enovo 
um ponto negativo - mas pelo menos se julga apena so aspecto financeiro - e 
tem uma vantagem:  o realizador põe 100% da verba do próprio bolso - se ele 
não quitar o empréstimo tem um imóvel em garantia, um avalista etc.)

abraços
Luís Bacchi


-----Mensagem Original----- 
De: "alberto salva" <albertosalva em hotmail.com>
Para: <cinemabrasil em cinemabrasil.org.br>
Enviada em: sábado, 15 de dezembro de 2007 11:30
Assunto: Re: [CINEBRASIL] CBC - O Mercado Audiovisual Brasileiro


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Mais uma vez dou total apoio a Ana Paul e ao Roberto pelas posições que
estão defendendo abaixo. Sou o exemplo vivo desta falta de interesse por
aqueles que fazem um longa com o dinheiro do seu próprio bolso e depois se
vêem desvalidos, sem nenhum apoio oficial, nem que seja para finalizar o
filme. Acho a implementação do Mercado Suplementar de Renda uma excelente
forma de incrementar o investimento em produções independentes. Reconheço
que quando esse método for implementado, as firmas com capital de giro
poderão se sensibilizar em relação a esse tipo de produção, sabendo que lá
na frente poderão se ressarcir do investimento. Mas vou um pouco além: por
duas vezes na minha carreira cometi a quixotada de fazer filmes por conta
própria. A primeira foi lá no início, com o longa Como Vai, Vai Bem? e agora
com o longa Os Seios de Deus. Em nenhum dos dois casos havia uma firma por
trás capaz de financiar a realização do filme. Então, tanto um quanto o
outro foram feitos por gente com extrema dedicação e com remuneração zero.
Nos tempos do Como Vai, Vai Bem? havia um romantismo que permitia esse tipo
de coisa e me surpreendi agora de que ainda houvesse pessoas dispostas a
esse tipo de aventura. Mas garanto: não posso fazer outro filme e pedir que
trinta ou quarenta pessoas (entre equipe e atores) trabalhem nas mesmas
condições. Eu devo a essas pessoas e é muito doloroso dizer a elas que não
sei quando entrará o próximo dinheiro. E mesmo com o Mercado Suplementar não
se pode esperar que pessoas esperem pelo ressarcimento posterior. Só uma
firma com capital de giro.
Assim, a idéia de Mercado Suplementar, embora muito boa e a médio ou longo
prazo seja uma grande solução, só beneficia os realizadores de um tipo de
produção.
Há meses atrás veiculei uma proposta de financiamento do Estado a partir do
copião editado, onde a entrada de recursos seria mais a curto prazo. Ninguém
se manifestou. Joguei novamente a proposta e apenas uma diretora de cinema
da Abraci, timidamente apoiou. Só.
Leio hoje essa proposta e continua parecendo-me razoável, embora bastante
rudimentar e incompleta. Mas serve, pelo menos para discussão entre colegas.
E assim, lá vai embaixo pela terceira vez.


                                 Proposta

Proponho que se encaminhe uma proposta de estorno da quantia dispendida por
produções independentes e sem finanaciamento oficial.
Este estorno deveria ser feito de acordo com a apresentação de contratos
assinados com aluguel de equipamentos, equipe e atores e dentro de certos
parâmetros previamente estabelecidos.
A concessão destes financiamentos "à posteriori" seriam abalizados pela
qualidade dramatúrgica e profissional do material e suas possibilidades para
Transfer 35 mm. Seria um investimento em cima não de um roteiro, de um
projeto ou um currículo, mas de algo muito concreto: o filme. Se o filme
apresentado fosse bom, com alguma supervisão para prevenir imaturidades
técnicas na finalização, o resultado final seria bom. E se o material
apresentado não fosse bom, não haveria o investimento e o empreendimento
teria sido apenas uma tentativa e um passo para a aprendizagem. Tentativa e
risco apenas da produção.
Da maneira que as coisas estão, uma equipe entusiasmada pode se organizar em
cooperativas e trabalhar em projetos deste tipo. Pode até trabalhar sem
receber, mas farão isso em um filme. Sabendo que o dinheiro não será
estornado e portanto em nenhum filme que eles fizerem dentro desses
critérios haverá remuneração, ninguém fará o segundo filme.

Isto é uma proposta não para substituir os filmes de orçamentos mais
elevados, coisa que os Editais, venham de onde venham, fazem dentro do
possível. Não é qualquer tipo de filme que pode ser feito na base do "low
budget". Mas certamente este estorno poderia iniciar cineastas, preencher um
tipo de proposta de produção e também de mercado.

That´s all Folks
                                     Alberto Salvá

>From: "Roberto Faria" <rf.farias em uol.com.br>
>Subject: Re: [CINEBRASIL] CBC - O Mercado Audiovisual Brasileiro
>Date: Sat, 15 Dec 2007 00:28:54 -0300

>
>CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema 
>Brasileiro
>____________________________________________________________________________

>
>
>Caros.
>
>Quero fazer um comentário sobre a exposição da Ana relativa ao painel sobre
>O Mercado Audiovisual Brasileiro, que Ana Paul acaba de colocar na lista.
>
>
>
>O levantamento feito pela Nielsen mostra as distorções da atual política do
>governo para o cinema brasileiro. A mais gritante é a falta de incentivo e
>estímulos à produção realizada por aqueles que não se valem dos mecanismos 
>e
>não estendem o pires que foi oferecido aos cineastas desde que começou a
>política dos incentivos à fiscais..
>
>
>Estes fazem parte dos que como diz o relato de Ana Paul, "...estão
>encontrando caminhos
>alternativos de exibição e também de produção. Há produções totalmente
>alternativas circulando no mercado, feitas sem apoio de mecanismos oficiais
>em produtoras totalmente independentes da Ancine."
>
>Tenho repetido incansavelmente que os filmes feitos assim, com esforço e
>recursos próprios merecem mais incentivos  que aqueles que recebem
>incentivos "antes". Por várias razões: a escolha do filme a ser feito é de
>exclusiva decisão dos seus realizadores, porque não depende de comissões;
>desmobilizam, por desnecessária, toda a parafernália burocrática, que
>atualmente envolve cerca de 400 funcionários na ANCINE, para fiscalizar as
>contas dos que realizam seus filmes com os incentivos fiscais captados
>"antes"; evitam a proliferação dos que só fazem filmes porque têm talento 
>de
>captadores; estimulam aqueles que realmente desejam dedicar sua vida ao
>cinema.
>
>E como se faz isso? Como recompensar os que se atrevem a fazer seus filmes
>sem depender dos incentivos fiscais concedidos "antes" da sua realização?
>Resposta: através do "Mercado Suplementar de Renda", chamado de Adicional 
>de
>Renda, um incentivo que premia os filmes com um percentual calculado sobre 
>a
>renda, segundo o seu desempenho na bilheteria. Ou seja, incentivo "após" o
>filme ser realizado e não antes.
>
>De quanto deve ser esse percentual?
>
>Sabemos que para que o cinema brasileiro possa atrair recursos privados
>seria necessário termos um mercado de pelo menos 4.000 salas e só temos
>2.000. O "Mercado Suplementar de Renda" deve ser pelo menos do tamanho 
>dessa
>diferença, ou seja, que complemente o mercado com uma renda equivalente às
>2.000 salas que estão faltando.
>
>E de onde podem vir esses recursos?
>
>Sabemos que são empregados pelas leis de incentivo (Audiovisual e Rouanet)
>algo como 200 milhões de reais/ano.
>
>Sabemos que toda a arrecadação do cinema brasileiro nesse mercado de 2.000
>salas não tem passado de 10 milhões de reais, incluindo aí a parte do
>exibidor (50%) e a do produtor  (50%) que ainda paga 20% de comissão ao
>distribuidor). Vale dizer que, no final, o produtor recebe algo como 20% da
>renda de bilheteria, depois de descontadas também as despesas de cópias e
>publicidade.
>
>Que significa isso?
>
>Que com 20 milhões de reais, que equivalem a 10% do que é empregado
>anualmente (200 milhões) em incentivos concedidos "antes" do filme
>realizado, pode-se duplicar a renda bruta dos filmes nacionais, o que
>equivale a mais que quadruplicar a renda do produtor.
>
>Tenho proposto uma transição na aplicação dos recursos incentivados,
>primeiro instituindo um Adicional de Renda que corresponda a mais 2.000
>salas de cinema para todos os filmes nacionais, mantendo durante algum 
>tempo
>as duas formas de incentivo. Depois, em um prazo a discutir, a utilização
>dos incentivos "antes", apenas aos estreantes e aos filmes que buscam
>exercícios de novas estéticas, filmes que claramente têm dificuldades de
>mercado, como aquela metade dos 80 filmes que ainda não conseguiram 
>exibição
>que consta do relatório exposto aqui pela Ana Paul.
>
>Roberto Farias
>
> ----- Original Message ----- 
>
>  From: Ana Paul
>
>
>  Primeiro painel: O Mercado Audiovisual Brasileiro. Palestrantes: Melanie
>Schroot (Nielsen/EDI), João Baptista Pimentel (cineclubista) e Solange Lima
>(ABD nacional)
>
>  Melanie trabalha na Nielsen, renomado instituto de pesquisa, levantando
>dados muitos confiáveis do mercado exibidor brasileiro das mais diversas
>maneiras: borderôs eletrônicos, telefonemas, emails e até fax, quando se
>trata de cidades muito pequenas e sem tantos aparatos tecnológicos.
>
>  A Nielsen faz um banco de dados bastante aprofundado que pode ser
>pesquisado sob qualquer critério: qual a bilheteria dos filmes de comédia 
>na
>cidade de Fortaleza no mês de dezembro, qual a carreira de um determinado
>filme em todas as cidades e em todas salas de exibição, enfim, qualquer
>combinação de informação. Esses dados são vendidos em conjunto ou em parte
>(no caso de um filme só) para exibidores, distribuidores e produtores para
>uso geralmente na elaboração de estratégias de marketing. Na verdade,
>qualquer uso pode ser feito desses dados, exceto o judicial. Mas valeu por
>saber que é possível, com as novas tecnologias, levantar com fidelidade
>qualquer bilheteria.
>
>  Melanie fez uma apresentação bastante fiel do mercado de filmes
>brasileiros em sala de cinema, ressaltando o glorioso ano de 2003, com
>participação de 23 % e a situação em outros anos, oscilando na média de 8 a
>10 %. Mostrou ainda dados bem curiosos como a produção por gêneros,
>revelando que 80 documentários brasileiros foram exibidos nos cinemas
>comerciais nos últimos dez anos, mas apenas três animações nacionais
>ocuparam as salas no mesmo período.
>
>  Em seguida, o cineclubista João Baptista Pimentel fez um levantamento
>muito interessante dessa atividade no Brasil. Não apenas uma tradição de
>cinefilia na discussão de filmes, mas o cineclube tem se mostrado como um
>importante meio de exibição de filmes brasileiros em cidades que sequer
>possuem uma sala de exibição comercial.
>
>  Para terminar esse painel, a representante da ABD nacional, Solange Lima,
>tocou em outros pontos importantes da distribuição e exibição de filmes no
>Brasil. Da produção realizada em 2006, aproximadamente 80 filmes, metade
>deles ainda não foi exibida comercialmente. Há produtores que estão
>encontrando caminhos alternativos de exibição e também de produção. Há
>produções totalmente alternativas já circulando no mercado, feitas sem 
>apoio
>de mecanismos oficiais em produtoras totalmente independentes da Ancine.
>Essa produção pode ir tanto para um círculo local de videolocadoras ou 
>mesmo
>camelôs, como no modelo nigeriano.
>
>  Não puderam comparecer à discussão Felipe Macedo e Alfredo Bertini, que
>poderiam dar outros exemplos, dados e pontos de vista. Certamente ficou uma
>visão do lado oficial demais e do lado alternativo demais, sem a
>possibilidade de se enxergar meios-termos numa questão tão complexa.
>
>
>
>
>Enviada por: "Roberto Faria" <rf.farias em uol.com.br>
>

Enviada por: alberto salva <albertosalva em hotmail.com>

 

Enviada por: "Luís Bacchi" 0<luisbacchi em uol.com.br>

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