assunto: [CINEBRASIL] TV & POLÊMICA SOBRE O MANUAL(ROBERTO FARIAS + REGINA MACHADO)

autor: Rô Caetano / email autor: marosario em uol.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Quinta Fevereiro 8 11:10:55 BRST 2007


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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ALMANAKITO 

QUINTA-FEIRA - 08-02-2007

TV & POLÊMICA 

SOBRE O MANUAL

 (com nova intervenção de ROBERTO FARIAS +  intervenção da advogada REGINA
MACHADO) 

+ WORKSHOPS EM HAVANA + GUARUJÁ & quiosques na AREIA

Embaixatriz Alessandra Silvestre -Levy
promove cursos em Havana

Ela é co-autora de livro sobre o fotógrafo Alberto Korda

Querida Rô,  Veja aí o primeiro de uma série de workshops que estou ajudando
a montar em Cuba,  sobre Fotografia, Arquitetura e Ecologia. O Cinema  virá
depois! Mande para seus amigos, quem sabe alguem se interessa! Bjs, Alê
Para quem sonha conhecer Havana de uma maneira diferente e aprendendo:
http://www.cubaworkshop.com/


P.S.: Vou buscar a informações sobre o método de classificação dos programas
franceses, sei que é  feita por um comitê, mas desconheco os detalhes.



GUARUJÁ E OS QUIOSQUES QUE INVADEM AS AREIAS DA PRAIA DA ENSEADA (até com
piscina)


+ Polêmica TELEVISÃO - UM NOVO CASO ANCINAV? + RESPOSTA DE ROBERTO FARIAS 

TV, CENSURA E A RESPOSTA DE ROBERTO FARIAS: Antes de entrar no tema da
polêmica sobre TV & CENSURA, uma pergunta: como países desenvolvidos e
democráticos como a Inglaterra, Canadá e a França tratam a questão da
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA e dos horários de exibição de programas na TV???

TELEVISÃO, CENSURA & DEBATE PELA METADE

   Segunda-feira de manhã, li, no TV & LAZER (ex-Telejornal), no Estadão
(edição do domingo/04-02-07), excelente texto de Leila Reis, titular da
coluna SINTONIA FINA,  sobre o debate que, HOJE, quarta-feira, ganhou
páginas e páginas na imprensa. O texto de Leila, intitulado OPORTUNISMO
DISFARÇADO, traz um olhinho que diz: "Chiadeira contra a classificação por
faixa de horário e idade expõe a verdadeira intenção das TVs". Com o
equilíbrio  e elegância que que lhe são próprios, LEILA REIS, presidente da
APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), fornece dados e analisa os
interesses envolvidos na questão do novo MANUAL DE  CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA
(para programação de TV), que o Ministério da Justiça deve lançar em breve,
depois de muitos debates e discussões com representantes de vários segmentos
da sociedade civil. Leila, inclusive, citou o documento assinado por
Marcílio Moraes, em nome da Associação dos Roteiristas, etc, etc. E falou de
ANÚNCIO INSTITUCIONAL veiculado pela Rede Globo, atribuindo aos PAIS a
responsabilidade de decidir o que seus filhos devem ver o não. Enfim, um
artigo bastante matizado.

  NA terça, na FOLHA, o ator STEPAN NERCESSIAN, presidente do Sindicato de
Artistas e Técnicos, vereador pelo PPS e ator contratado da Rede Globo),
publicou na página 3 da Folha SP, o artigo CONTROLAR A REALIDADE, E NÃO A
ARTE. No olhinho: "Tantos problemas para serem resolvidos e vem um manual
perturbar quem está trabalhando e crescendo, que é a cultura brasileira".
Argumentou que está com MEDO DA VOLTA DA CENSURA, lembrou que deprimente é a
realidade brasileira e não a criação artística, que está para ser novamente
CENSURADA, etc, etc.

    NA Quarta, O Globo 

deu página inteira, no primeiro caderno, ouvindo seus artistas e mais duas
vozes complementares (ou seja, da Record: Marcílio Moraes e Lauro César
Muniz). Na boca de todos os OUVIDOS/ESCUTADOS pela repórter  as mesmos
argumentos de STEPAN.  Só um lado da questão foi agraciado, pois não HOUVE
espaço para uma VOZ DISSONANTE que fosse. Carlos LOMBARDI, num gesto similar
ao de Regina Duarte, na campanha de 2002, diz que o quadro é ARREPIANTE, que
o Governo TENTA CONTROLAR TUDO, INCLUSIVE O DIREITO de os pais decidirem o
que os filhos podem ou não assistir!.

           ANTÔNIO CALMON -- no encerramento da matéria -- assegura que:
"Há uma vontade TOTALITÁRIA no Governo. QUERIA SABER QUEM SÃO ESSAS PESSOAS
QUE SE ARVORAM NO DIREITO de CENSURAR a criação no Brasil". 

**** QUE COINCIDÊNCIA: eu também queria ler , em O GLOBO, do qual sou
ASSINANTE, uma matéria que desse VOZ a estas pessoas que nos três ou quatro
últimos anos, vêem discutindo o MANUAL que agora gera este 

DEBATE DE UM LADO SÓ!!!

 POR sorte, na capa da Ilustrada de quarta, Laura Mattos faz matéria com
MUITO MAIS elementos que a de O GLOBO. Aborda aspectos jurídicos (batalha
judicial movida pela Globo e OAB), fala em LOBISTAS, ATORES E AUTORES
mobilizados contra o MANUAL, etc. A matéria segue pela página 3 e enriquece
nosso OLHAR sobre o assunto.

           **** PONDERO: será que teremos mais uma campanha SIMILAR à que
combateu o projeto ANCINAV? 


                 Será que mais uma vez as TVs impedirão um debate que se faz
necessário? Que pais (só os DESEMPREGADOS e mesmo assim daqueles que não
procuram emprego, nem BICO, nem nada) podem passar a vida ao lado dos filhos
pequenos, orientando-os para só assistirem COISAS BOAS e saudáveis, que
estimulem sua inteligência e sensibilidade.

    E MAIS: 

até quando vamos ouvir ARTISTAS externarem o MEDO do Governo Lula, um
governo de ALMA supostamente  BOLCHEVIQUE, que trama na calada da noite a
tomada do Palácio de Inverno, escorado em AUTORITARISMO, e salivando pelo
CONTROLE DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, ETC, ETC???? 

    *** Lula e Dona Marisa estão na capa da revista CARAS (isto mesmo,
CARAS!!!!! do GRUPO ABRIL, que transformou a revista VEJA, durante 18 meses,
na maior trincheira ANTI-LULA de nossa história contemporânea!!!!),
mostrando aspectos da vida familiar..... 

QUE HISTÓRIA É ESSA DE VOLTA DA CENSURA???

   Vamos recorrer à HISTÓRIA para não seguirmos repetindo estes CHAVÕES
absurdos: quando houve CENSURA no país, vivíamos sob ditaduras!!!!!!. A
primeira, do ESTADO NOVO (1937-1945), e a segunda, a dos GOVERNOS MILITARES
(1964-1984). A imprensa vivia sob CENSURA DRACONIANA, os outros poderes
estavam manietados (JUDICIÁRIO E LEGISLATIVO). 

O que é o Brasil hoje (desde a queda dos Governos Militares)?????????. 

-- É uma DEMOCRACIA. Todos os poderes FUNCIONAM!!! Quem se sentir AMEAÇADO,
poderá recorrer à IMPRENSA, ao LEGISLATIVO e, principalmente ao JUDICIÁRIO.

           POR QUE ESCONDER isto num debate tão importante como este
coordenado pelo MINISTERIO DA JUSTIÇA? Por que não dar voz a professores
universitários, movimentos sociais organizados?  POR QUE SÓ DAR VOZ a quem
é DONO OU EMPREGADO DE REDES DE TV???  beijos, rô caetano

 TELEVISÃO - UM NOVO CASO ANCINAV? RESPOSTA DE ROBERTO FARIAS: "Maria do
Rosário Caetano. Desculpe, mas a paixão com que você está colocando seus
argumentos demonstra que não leu o Manuel de Classificação Indicativa, nem
mesmo o que diz a Constituição. Ninguém é contra a Classificação Indicativa.
Sei que você é pela liberdade de expressão, que jamais se colocaria a favor
da Censura. Mas, querida, leia o Manual. Ele tem o germe da Censura. E não é
verdade que a Sociedade foi ouvida. Foram ouvidas Associações, Ongs,
constituídas do mesmo tipo de gente que escrevia cartas à Censura durante o
governo militar. Os artistas não foram ouvidos, os profissionais de cinema e
televisão não foram ouvidos. Participei de um Seminário sobre Classificação
Indicativa promovido pelo FAC, onde questionei a eficácia dessa medida.
Lembrei que assisto cinema proibido, desde o tempo em que minha mãe me
levava ao cinema de mamadeira; que minha juventude passei praticamente
dentro do cinema Eldorado em Friburgo assistindo filmes para maiores de 18
anos. A acreditar na eficácia dessa classificação, devo constituir um perigo
para a sociedade. 

 Querida, neste Manual e na Portaria a ser publicada há um conflito claro
com a Constituição. Tanto que o Manual não se baseia na Constituição senão
quando se refere à Classificação Indicativa. Quando quer proibir, refere-se
ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que contém artigos que contrariam a
Constituição e estão sendo contestados no Supremo.

Particularmente, sinto-me ofendido quando você fala dos EMPREGADO DE REDES
DE TV. 

Que é isso? Eles têm de calar-se? O que dizem não deve ser considerado?
Quanto falam estão repetindo a voz do dono? Não são capazes de pensar por si
mesmos? Um dia desses, você disse que nós dois discordamos, de vez em
quando. Neste assunto, querida. Discordo de você frontalmente. Estou até
admirado como uma jornalista do seu porte pode colocar-se a favor de três
burocratas e alguns estagiários pautarem uma nação inteira. Leia o Manual e
verá que não estou exagerando. Beijos. Roberto Farias

ROBERTO, QUERIDO: Quero conhecer o assunto em TODA A SUA COMPLEXIDADE. Não
quero escutar chavões. Quero ler, nos jornais, matérias que ouçam as várias
partes envolvidas no assunto. Quero ser convencida, com ARGUMENTOS, de que
do outro lado estão apenas "alguns funcionariozinhos e alguns ESTAGIÁRIOS da
UnB". Um grande abraço, rô

  A GRANDE FAMÍLIAROBERTO, queridoMais uma questão: Você acha que esta
discussão do Manual deve se ater só aos profissionais do audiovisual? Eu
acho que não. A programação da TV brasileira diz respeito a TODA A SOCIEDADE
BRASILEIRA. Se há "senhoras de Santana" e juízes de menores fanáticos e
moralistas, eles devem ser ouvidos e suas idéias QUESTIONADAS. Mas não
podemos deixar este debate reduzido aos interesses dos donos de TV e das
categoriais profissionais envolvidas com o  "fazeR TV". Bjs rô



RESPONDE FARIAS:

Maria do Rosário Caetano, querida.
Quem disse que a programação da TV brasileira não diz respeito à toda a
sociedade brasileira? A sociedade brasileira tem o poder de assistir ou não
a programação. Aliás, o faz, quando não gosta, ou quando a programação
ofende seus princípios. Numa reunião no Ministério da Justiça, o Silvio de
Abreu citou o exemplo de sua novela intitulada "Torre de Babel" em que ele
exagerou na violência no início e o público repudiou. Percebendo o erro
cometido, voltou atrás, corrigiu os excessos e a audiência voltou. Agora
mesmo, em momentos diferentes, porque a sociedade evolui, os acontecimentos
provocam outros sentimentos nessa mesma sociedade, a novela do Marcílio na
Record chegou a bater o Big Brother exatamente com um tema violento, porque
essa mesma sociedade achou que retratar e denunciar a violência, a corrupção
da polícia pela TV está correto. O que a sociedade menos precisa, Maria do
Rosário, é ser tutelada. Eu não acredito que você não pense como eu. Além de
tudo, o que não se fez foi exatamente ouvir a outra parte, agora acusada de
monopolizar a discussão. Não foram ouvidos atores, diretores, autores. É
preciso que a posição cega contra os meios de comunicação abra os olhos,
veja alguma luz, perceba exatamente o que está acontecendo. O problema não é
a Classificação Indicativa, conforme exige a Constituição. O que não deve,
não pode acontecer é uma postura autoritária, obrigatória, castradora. Que
se façam Seminários sem indução, que não se discuta apenas com as Senhoras
de Santana, como você falou, ou juízes de menores fanáticos e moralistas.
Ninguém tem direito de impor coisa alguma. A Constituição não dá suporte a
isto. É verdade que pretendem "escolher estagiários" para opinarem sobre a
produção. É verdade, eu vi, eu ouvi, eu li. Concordo com você, é preciso
ouvir todas as partes, mas é preciso respeitar a Constituição vigente, não
derivados distorcidos. Espero que esta discussão esteja apenas começando,
mas porque ouviram meia dúzia de fanáticos pelo Brasil afora para dar
legitimidade ao Manual, querem impor uma portaria com força de Lei
imediatamente. É preciso que o ódio que alguns setores têm, principalmente
da Globo, não perturbe, não seja pretexto para tirar da sociedade um bem tão
valioso quanto a liberdade de expressão artística. É inconcebível que três
ou quatro pessoas ditem as normas para todo o povo brasileiro, por mais
categorizadas que sejam. A Classificação Indicativa deve ser indicativa.
Ponto. Se uma emissora desrespeitar, que seja acionada pela Sociedade Civil,
pelo Ministério Público. O que não é admissível, é ter que enviar ao
Ministério da Justiça sinopses, textos para serem avaliados e previamente
enquadrados nesta ou naquela faixa horária. E isso já exigido e feito. O
Manual deve servir para os funcionários do Ministério. A Classificação deve
ser feita pelos responsáveis pela produção. Se não estiver de acordo com o
que pensa a Sociedade, que se tomem as providências e a Justiça decida.
Impor normas, obrigar a respeitar essas normas está errado. Obrigar
determinado programa a ir neste ou naquele horário, está errado. Não há base
legal para obrigar nada. Além disso, Rosário. As pessoas que escrevem para a
televisão não são bandidos, tarados, que desejam o pior para a sociedade em
troca de audiência. Observe que não se está falando de programas ao vivo,
mas de obras, de textos escritos, dirigidos, interpretados. Até que um autor
seja contratado por uma emissora de televisão, ele tem de ralar, mostrar que
é capaz. As emissoras têm seu próprio código interno. Os diretores são
críticos dos textos que recebem, os atores não aceitam interpretar  o que
não sentem, o que não estão de acordo. Há um monte de barreiras internas,
até que um texto se transforme em um programa. E a sociedade está sempre
atenta. Onde está a audiência do Ratinho, hoje? E outros e outros, que a
sociedade acaba por riscar do mapa, ou reduzi-los a uma expressão mínima? O
argumento de que os pais têm de trabalhar e o Estado deve tomar o seu lugar
para decidir por ele o que seus filhos devem ver é mentiroso, usurpador,
autoritário. Um pai continua responsável por seus filhos menores, mesmo se
estiver trabalhando em outro país. Pai de menor que dirige o carro e provoca
um acidente continua responsável por seu filho. O Manual é ruim e
autoritário. Fora o fato de inviabilizar programas com as exigências, fora
as barbaridades de percentuais de violência, 10%, 30%. Fora proibir
enaltecer a beleza. Fora sugestões de amenizar com música de fundo, ou com a
câmera! Você acredita? Imagine! Veja quanto a televisão já fez para que a
sociedade evoluísse, por exemplo, na questão dos gays. Antigamente, você se
lembra porque não faz muito tempo, os pais expulsavam os filhos gays. e A
sociedade evoluiu e hoje eles têm a compreensão e até o carinho dos pais.
Evoluiu por que? Por causa dos meios de comunicação. As desquitadas,
separadas eram consideradas prostitutas. Hoje a sociedade vê a mulher com
muito mais respeito. Quem contribuiu para isso? O Manual está cheio de
referências a minorias, gays, índios, negros, como se essas minorias
precisassem de tutela.
Bem, vou parar por aqui, querida. Espero que você reflita e se importe que a
Globo seja contra, porque atores, diretores, autores, técnicos, cenógrafos,
diretores de fotografia, todo mundo que trabalha seriamente será contra em
todas as emissoras e mesmo a Sociedade Civil, se ela não for manipulada
conforme pretendem as Senhoras de Santana e seus seguidores, através de
organizações fajutas. Posso afirmar que esta é a opinião de milhares de pais
de família, milhares de pessoas responsáveis que ajudam a sociedade a andar
para frente e que odiariam qualquer retrocesso. Tenho certeza de que a
Sociedade Civil, devidamente esclarecida, será contra também. Beijos Roberto

QUERIDO ROBERTO:
          Aguardo, principalmente em O GLOBO, que integra um grupo que tem
emissora de televisão, REPORTAGENS e ARTIGOS de diversas correntes/opiniões.
E não mobilizações de seus profissionais em causa própria. O Jornalismo tem,
por natureza, que ouvir TODOS os lados envolvidos. Quem são os
representantes da sociedade civil mobilizados pelo Ministério da Justiça? A
ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) é um organismo seríssimo
e, me parece, integra a comissão que discute o assunto. Há hegemonia (no
grupo de trabalho) de pessoas dominadas pelo moralismo das "Senhoras de
Santana" e de Juízes de Menores tão ou mais moralistas que elas? Aguardo
matérias POLIFÔNICAS para que eu possa concluir. Na matéria da ILUSTRADA, o
ex-ministro GREGORI (da gestão FHC) dá opinião sobre o assunto sem ver o
MONSTRO da censura rondando o setor. Um professor da USP também. Gostaria de
saber o que você achou da matéria do O GLOBO de ontem. Polifônica? Esqueça
que você é funcionário da emissora. Releia o texto como um leitor comum.
Depois de lê-lo, vc se sente informado para tomar/formar opinião sobre o
assunto? Bjs rô

REGINA MACHADO PONDERA:
Rosário,
 A resposta do Roberto Farias não convence, a de número um porque não
informa, a de número dois porque não fundamenta, apenas vocifera de forma
particularmente delicada e elegante, como ele sabe fazer.
Qualquer debate da questão precisa, de fato, nascer da leitura e
análise do Manual, encontrável no endereço eletônico
http://www.mj.gov.br/classificacao/publicacoes/Manual%20da%20Nova%20Classifi
ca%C3%A7%C3%A3o%20Indicativa.pdf
que, a meu ver, se fundamente basilarmente nos comandos constitucionais.
Como a Constituição regra o Estado, por óbvio que não visa apenas os
criadores, porém toda a sociedade. Assim, o Manual visa a um
equilíbrio entre o direito à liberdade de expressão e o dever de
proteção absoluta à criança e ao adolesocente. Esta, sim, é a
VONTADE DA CONSTITUIÇÃO. Não há como ler o direito de uma forma
não sistêmica, e o Estatuto da Criança e do Adolescente é parte
integrante do sistema constitucional.

Fiz esta observação apenas para corrigir um enfoque constitucional que
considero errôneo. Agora, quanto ao Manual, passarei à sua leitura
atenta e, oportunamente, comentarei para vc. Abraços,
Regina Machado

Cito algumas partes:
QUOTE
A Classificação Indicativa é norma constitucional processual que
resulta do equilíbrio entre duas outras regras: o direito à liberdade
de expressão e o dever de proteção absoluta à criança e ao
adolescente. E porque deriva deste equilíbrio tão tênue quanto tenso
acaba por resultar, ou
melhor, por exprimir um duplo comando: por um lado, dirigindo-se ao
Estado exige do Executivo o
cumprimento do dever de classificar, de produzir e estabelecer
parâmetros para a produção de
informação pública sobre o conteúdo de produtos audiovisuais; e, por
outro, dirigindo-se à Sociedade exige das emissoras de TV, dos
distribuidores de produtos audiovisuais e demais responsáveis, em
primeiro lugar, a veiculação da classificação atribuída a cada
programa e, em segundo, a não-exibição do programa em horário
diverso de sua classificação.

A imagem da balança ao lado pretende dar visibilidade ao ponto central
na constituição deste sistema: a classificação indicativa é norma
constitucional processual processual. Ou seja, a classificação é um
processo, um procedimento que se desenvolve discursivamente. Logo, a
classificação não pode ser reduzida a uma informação sobre a faixa
etária a que não se recomende
determinado produto ou programa; aquela mensagem que vemos fixada nos
cartazes dos filmes - ?inadequado para menores de tantos anos? - é
tão somente a ponta do iceberg. A classificação indicativa é
sobretudo o conjunto de atos realizados sucessivamente para que se
obtenha uma adequada análise sobre produtos audiovisuais. Nesta
perspectiva, classificar é uma questão de método e de metodologia.


Assim, de modo democrático, a classificação
passa a ser concebida e estruturada como um
processo pelo qual diferentes sujeitos ? e não só
emissoras e distribuidores ? podem participar a
fim de que se obtenha argumentativamente a
melhor análise e, por conseqüência, a melhor
informação sobre o conteúdo de produtos
audiovisuais. Sem um novo conceito, todas as
iniciativas que ao longo dos anos e dos governos
foram modificando a classificação indicativa não
passariam de ?novidades? num determinado tempo
e lugar, nunca constituiríamos algo de realmente novo.
Uma nova classificação indicativa só poderia ser fruto
de uma nova concepção capaz de conectar o texto
constitucional com o contexto social e de garantir
uma classificação constitucionalmente adequada.
É importante também destacar a redefinição
do dever do Ministério da Justiça, que é central a
todo processo: ?dever de exercer a classificação
indicativa de forma democrática e objetiva em coresponsabilidade
com a família?. Esclareça-se que
partilhar a responsabilidade pelo exercício da
classificação com a família e com a sociedade, como
determina a Constituição quando trata da proteção
à criança e ao adolescente, não significa deixar os
pais à mercê dos interesses do mercado. Ao
contrario, o Ministério da Justiça está definitivamente
ocupando o lugar que lhe foi reservado pela
Constituição: o lugar de mediador dos diferentes
interesses que se cruzam no processo de
classificação. Ao Ministério cabe permanecer no
centro, tal como o fiel da balança apresentada
anteriormente, e velar pelo equilíbrio entre o dever
de proteção absoluta à criança e ao adolescente e
o direito à liberdade de expressão.
Por isso, essa redefinição tem o condão de
romper com a relação bilateral que durante 15
anos obrigou o Ministério da Justiça a figurar ora
como parte contrária aos movimentos de defesa
das crianças e adolescentes, ora como adversário
das emissoras e dos distribuidores. É justamente
o que significa exercer a classificação de forma
democrática e objetiva objetiva.

Democrática:
? É reconhecer a importância e a responsabilidade
da família e da sociedade (ao lado do Estado) na
proteção dos interesses da criança e do adolescente.
? É a possibilidade de exercer a classificação numa
rede de participantes e interessados.
Objetiva
? Qualquer pessoa pode obter uma classificação
semelhante se realizar a análise a partir dos mesmos
critérios e indicadores.
? É a possibilidade de participação e controle social.

UNQUOTE



A GRANDE FAMÍLIA
Coincidentemente, nesta quarta, falei no CORREIO DA PARAÍBA, do filme A
Grande Família. 
Ao ler seu Almanaque, achei que deveria lhe remeter. Aquele abraço. Lúcio Vilar


O grande tédio
(Anotações de caráter meramente "impressionista")

POR LUCIO VILAR - Correio da Paraíba - 07-02-07
Há

filmes excelentes, bons, regulares, ruins e... simplesmente operações
caça-níqueis. Em que pese a expressiva bilheteria de estréia (R$ 2,5
milhões, com 288 mil espectadores) - algo sempre positivo para a eternamente
incipente indústria cinematográfica brasileira -, o fato incontestável é que
a "A Grande Família" se enquadra muito mais nesta última categoria.
Infelizmente, diga-se. 
A expectativa de quem vai ao cinema pode até não ser das maiores, mas o que
se vê na tela grande é algo tão entediante que decepciona do início ao fim.
Ora, trata-se de uma trama vivenciada, com relativo êxito, todas as
quintas-feiras na TV, cuja origem remonta aos anos 70, Vianinha, Paulo
Pontes e um senhor elenco. 

Como remake, ainda mostra bastante fôlego. Não é por acaso que continua no
ar após cinco anos de exibição. Ao ganhar a telona, entretanto, roteiro &
montagem atropelam-se, incorrendo no pecadilho número um em se tratando de
uma comédia de costumes: abolir a capacidade de divertir a platéia. Ou, dito
de outra forma, ao se mostrar incapaz de nos fazer rir. 

Na migração para a película, portanto, roteiro e montagem atropelam-se,
gerando uma perda de identidade que acaba levando o espectador a um difícil
exercício: se lançar num esforço de interpretação para rir de algumas raras
passagens hilárias, como forma de se convencer que valeu a pena pagar pelo
ingresso. Só então a ficha cai. O invólucro midiático foi, e é,
infinitamente maior que o seu suposto "conteúdo simbólico".  

O integrantes do elenco, com nomes de indiscutível qualidade e reputação
como Marco Naninni, Pedro Cardoso e Marieta Severo, parecem caricaturas de
si mesmos, destituídos da aura de suas respectivas atuações na série
televisiva. A inclusão de Paulo Betti também não ajuda muito. Afinal, nessa
seara com cheiro de naftalina melhor seria ter escalado Evandro Mesquita,
figurinha já carimbada de esporádicos episódios, uma vez que o filme em seu
conjunto respira canastrice por todos os fotogramas...  

Enfim, em época e ritmo de Oscar-2007, melhor gastar seus reais com os
concorrentes em cartaz. Logo deverá sair em DVD, aí quem sabe...



****GUARUJÁ E A INVASÃO DA AREIA DA ENSEADA -- QUESTÃO AMBIENTAL

Sábado passado (03-02-07), o jornal A TRIBUNA, de Santos, publicou amplo
material sobre a invasão (por quiosques) das areias da PRAIA DA ENSEADA. Com
chamada de capa ilustrada com foto imensa, mostrando o quiosque ESKINDÔ
LELÊ, que fez até uma piscina na areia, na mais abusada invasão de área
pública que se faz ver no litoral.
        No DOMINGO (04-02-07), a Folha de S. PAULO deu amplo material sobre
a QUESTÃO AMBIENTAL e a Praia da ENSEADA, com sua areias invadidas pelo MAR
(e pelos quiosques), mais imensa chamada de capa. LERAM???
      O chefe de gabinete da ministra MARINA SILVA respondeu minha carta e
disse que o Ministério encaminhou providências. Vamos continuar, pois, junto
com a SOCIEDADE DE AMIGOS DA ENSEADA, exercitando nossa cidadania. Um
abraço, rô caetano

Enviada por: Rô Caetano <marosario em uol.com.br>

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