
autor: Alberto Salvá / email autor: albertosalva em hotmail.com
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data: Quinta Fevereiro 8 19:04:13 BRST 2007
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Muito lúcida a entrevista da Ivana.
Embora eu seja um homem de esquerda desde sempre (pai no exército comunista
na guerra espanhola) não sou um sujeito político no sentido de fazer
política. Por várias vezes pensei em me alistar no PT. Felizmente não o fiz.
Tudo isso para falar na nova cartilha, que está dando o que falar. Deixo
para os competentes levar isso da maneira adequada. Imagino que a minha não
o é. Em vez de ser político escolhi ser catalão (embora naturalizado há 45
anos e vivendo no Brasil há 54) ou seja, curto e grosso. Quem é esse Romão?
Que moral tem e quem dá força a ele para se meter a querer regular homens de
comunicação há dezenas de anos, responsáveis pela mídia dramatúrgica e
documental do Brasil? Temos de abaixar as calças e mostrar o rabo logo para
um governo do PT? Porque se for, estamos perdidos e podemos abrir guerra
contra esse governo. O Gushinken teve que engolir as idéias autocráticas
dele, esse Romão terá também. Não tem nada que discutir. Nós temos que
exigir, e se não nos for dado, então as cartas estarão na mesa e poderemos
ver que estamos num estado de exceção. Pressionados desse jeito, os
responsáveis pelas emissoras e os produtores dos filmes amaciarão tudo e
teremos uma censura extraoficial antes de que seja feita a censura oficial.
Este é um perigo que não se deve desprezar. E insisto: quem é esse Romão
para impingir suas convicções idiotas para o Nelson Pereira, Roberto Farias,
Hector Babenco, João Batista de Andrade, Walter Salles, Fernando Meirelles e
tantos outros que tanto fizeram pela cultura brasileira? Isso sem contar os
jovens, com tanto a dizer. Se não reagirmos com convicção a isso, não
estaremos fazendo jus a nomes que deveriamos reverênciar e proteger, que são
nossos irmãos em ideal e que merecem - como todos nós - pertencer a um país
mais justo, livre e democrático. Foda-se o Romão e todos que com ele estão.
Puxa, parece até e-mail do Sergio Santeiro!
Um abraço a todos, e força. Sem timidezes.
Alberto Salvá
----- Original Message -----
From: "Ivana Bentes" <ivanabentes em uol.com.br>
To: <cinemabrasil em cinemabrasil.org.br>
Sent: Tuesday, February 06, 2007 1:07 PM
Subject: [CINEBRASIL] Periferias na TV e Cinema - Entrevista Brasil de Fato
>
>
> Uuma contribuição para a análise dos discursos,
> um azbraço, Ivana Bentes
>
> [VER FONTE NO FINAL]
>
>
> Pesquisadora analisa a contradição do discursos das emissoras de TV sobre
> a
> periferia: ou pobre é violento ou é o pacífico criativo 02/02/2007 Dafne
> Melo, da Redação
>
> Ivana Bentes é professora e pesquisadora de Comunicação, cinema e novas
> mídias e diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio
> de Janeiro (UFRJ). Participa da Rede Universidade Nômade:
> www.universidadenomade.org.br.
>
> Brasil de Fato - Ultimamente, a televisão tem mostrado interesse em
> retratar
> a periferia não só no jornalismo, mas de forma crescente na dramartugia.
> Por
> quê?
> Ivana Bentes - As favelas e periferias brasileiras e a pele negra,
> modeladas
> por séculos de exclusão e criminalização, vêm se tornando uma "mercadoria
> quente" na cultura urbana jovem, com a disseminação das expressões urbanas
> e
> estilos de vida vindos da pobreza que são um fenômeno global com
> visibilidade na cena cultural mundial. Como aconteceu com a cultura negra
> dos guetos nos Estados Unidos, a cultura da pobreza e das favelas no
> Brasil
> ganha hoje visibilidade como uma fonte de significado e identidade. A
> publicidade precisa de "estilos de vida" para se espelhar e vender.
> Paradoxalmente, comportamentos criminalizados pelo Estado - bailes
> populares
> nas favelas, pixação, venda de produtos piratas e apropriação de espaços
> públicos - se tornam "estilo" de vida passíveis de comercialização. Ao se
> constituírem como consumidores e produtores, pobres e negros passaram a
> ser
> considerados cidadãos, o que tem seu lado evidentemente positivo. Se como
> "mercadoria nova" ou como consumidores, esses novos sujeitos do discurso,
> saídos das favelas aparecem na mídia de forma isolada, não se pode
> neutralizar a sua real força. Trata-se de um processo cultural saído das
> periferias que apreende de forma privilegiada a dinâmica da sociedade
> brasileira, profundamente desigual e, ao mesmo tempo, aberta para as
> "misturas" multiculturais.
>
> BF - Como o morador da periferia está sendo retratado nesses programas?
> Ivana - De formas distintas. Existe um discurso celebratório da "periferia
> legal", como se aquelas produções culturais fossem geração espontânea do
> nosso povo criativo. Admiro as propostas sempre à frente e ousadas de um
> Hermamo Vianna na Globo, que faz antropologia urbana no Central da
> Periferia, ou a Tata Amaral, que vem do cinema dar sua contribuição a uma
> visão menos estereotipada da vida na periferia paulista, em Antonia. O
> perigo é a gente transformar pobreza em folclore ou em gênero cultural,
> naturalizar isso, achar que "puxa, é legal ser pobre". Aceitar essa
> domesticação do racismo, do preconceito, da desigualdade e criar o pobre
> criativo e feliz, mas fora da universidade, sem disputar emprego com os
> garotos de classe média. Enfim, o pobre "limpinho" do discurso higienista,
> pronto para consumo, sem um sobressalto ético, sem perceber a violência
> física e simbólica a qual esses jovens são submetidos.
>
>
> "Racismo não é um problema individual, de caráter, um "acidente", é um
> dos
> fundamentos da
> desigualdade do Estado, da sociedade brasileira. Pobreza não é um
> acidente, não é uma exceção,
> não é um problema individual, é um problema da sociedade"
>
>
> BF - E no jornalismo?
> Ivana - Aí caímos nos discursos mais retrógrado de criminalização dos
> moradores das favelas e periferias, da relação entre essa cultura e a
> criminalidade, na idéia que a violência nasce na favela e que os pobres
> são
> a causa da violência urbana e da insegurança. Enfim, nos estereótipos, no
> racismo, em discursos extremamente conservadores.
>
> BF -O que está por trás deste discurso ambivalente?
> Ivana - A bipolaridade esquizofrênica é, por exemplo, apresentar na
> produção
> ficcional, um mundo folhetinesco, em que os negros e pobres são bons e
> honestos, em que se faz uma idealização, quase uma santificação da pobreza
> feliz. Aí, a mesma "emissora da ética e dos bons costumes premiados" faz
> editorial contra as cotas no Jornal Nacional, ou seja, contribui para
> barrar
> os jovens negros na sua entrada urgente e imediata na Universidade. Então,
> será que o pobre bom é esse folclórico, não-problemático, destituído de
> discurso político, que não reivindica nada socialmente? Racismo na novela
> é
> visto como uma exceção, quando sabemos que no Brasil é a regra. Quem morre
> violentamente no Brasil são os jovens negros pobres. Racismo não é um
> problema individual, de caráter, um "acidente", é um dos fundamentos da
> desigualdade do Estado, da sociedade brasileira. Pobreza não é um
> acidente,
> não é uma exceção, não é um problema individual, é um problema da
> sociedade.
> Então, como é que o mesmo jovem negro criminalizado no telejornal - o
> desordeiro, drogado, traficante, arruaceiro, trabalhador ilegal, invasor -
> vira o pobre legal da novela? Porque alguns são "bons" e outros "maus"? Ou
> porque alguns têm "força de vontade" e outros não? Definitivamente não é
> por
> ai. Essa ambigüidade reflete e, ao mesmo tempo, produz a violência dos
> discursos no Brasil, quando a questão são os fenômenos ligados à pobreza.
>
> BF - Como falar da realidade social brasileira, retratar a periferia, sem
> fazer "canibalismo dos fracos"? Quais experiências você cita como
> positivas?
> Ivana - Canibalismo dos fracos é a gente se comer entre nós. Canibalismo
> potente é o que se apropria das forças, dos instrumentos, do corpo e das
> tecnologias "inimigas" para fazer algo diferente. Acho que temos que
> entender os fenômenos da pobreza, do racismo e da potência cultural que
> vêm
> dos territórios da pobreza, dentro de um contexto global. São fenômenos do
> capitalismo contemporâneo. Então, para entender a periferia paulista em um
> filme como O Invasor (Beto Brant), nos é mostrado a relação que ela tem
> com
> a cultura empresarial, com a falta de limites de certo capitalismo brutal,
> com os métodos gerenciais dos executivos. Ou ainda, o [documentarista]
> Eduardo Coutinho vai à favela e encontra discursos sofisticados e
> complexos,
> visões de mundo que não tem nada a ver com os clichês que construímos. Ou
> então, vemos alguns clipes como os do MV Bill, dos Racionais MCs, falando
> de
> violência policial, tráfico de drogas, da vida cotidiana nos presídios,
> mas
> de forma renovada. Ou um documentário como Prisioneiros da Grade de Ferro
> (Paulo Sacramento), que dá uma câmera para os internos do presídio se
> expressarem, sem demonizá-los. Isso para ficar na produção audiovisual.
> Outro filme excelente é Sou Feia Mas Estou na Moda, (Denise Garcia), um
> documentário sobre o funk feminino no Rio de Janeiro e sua renovação das
> questões de sexualidade, direito reprodutivo, etc. São muitos os exemplos.
>
> "A questão da estética da fome , colocada pelo Glauber no Cinema Novo,
> não foi superada nem resolvida no contexto internacional "
>
>
> BF -No cinema, um dos últimos filmes de maior sucesso de público e
> crítica,
> no Brasil, "Cidade de Deus", retrata esse ambiente da favela. Você disse
> que
> ele criava uma "cosmética da fome". Por quê?
> Ivana - A expressão "estética da fome" foi proposta por Glauber Rocha, em
> 1965, justamente para dizer que precisávamos de imagens não estereotipadas
> da pobreza. Fiz uma paródia, dizendo que Cidade de Deus apontava muito
> mais
> para uma "cosmética da fome", ou seja uma forma esvaziada/estilizada de
> consumir as imagens da violência e da pobreza. Quase fui linchada
> publicamente em um debate em São Paulo. Isso piorou quando o filme
> concorreu
> ao Oscar. Mas a questão dessa cosmética - a glamourização estética da
> pobreza - está muito mais presente em outros filmes. Em Abril Despedaçado
> (Walter Salles), por exemplo. Cidade de Deus é um filme com méritos e
> também
> com questões ambivalentes. A que apontei era essa demonização do negro
> favelado, tornado um "assassino por natureza" e a transformação da guerra
> do
> tráfico em "gênero", como nos filmes norte-americanos de gangues e máfia.
> Apontei questões éticas e estéticas, mas é um filme que como espetáculo e
> linguagem cinematográfica é eficiente e criativo. Filmes existem para ser
> analisados, não julgados. Trato da cosmética da fome nesse ensaio sobre as
> periferias, pois considero que essa questão, colocada pelo Glauber no
> Cinema
> Novo, não foi superada nem resolvida no contexto internacional, é uma
> questão global super pertinente.
>
> BF - Você acha que iniciativas de se retratar a realidade da periferia "de
> fora" estão fadadas a traçar um perfil equivocado dessa população?
> Ivana - Não. Se fosse assim escritores não escreveriam sobre situações que
> não viveram, cineastas só falariam de seus grupos sociais, etc. A questão
> não é essa, a questão é o quão complexa é a visão de mundo possível nesses
> filmes e programas. Adoro televisão, vejo inúmeros programas na TV aberta,
> no cabo, em DVD. É muito difícil restituir, entender, expressar alguns
> fenômenos e idéias sem cair em clichês. Certamente que a entrada de jovens
> vindos das periferias na TV, na universidade, nas redações de jornal, nos
> teatros, nas editoras, nos lugares de decisão política e produção cultural
> muda muita coisa, muda estereótipos, traz discursos que podem disputar e
> concorrer com o que está ai já dado.
>
> BF -Cidade de Deus originou um programa televisivo, Cidade dos Homens, que
> agora também vai virar filme. Alguns cineastas como Walter Salles, acusam
> o
> Globo de empobrecer a linguagem cinematográfica levando a estética
> televisiva para o cinema. O que você acha disso?
> Ivana - O programa de TV Cidade dos Homens foi muito feliz em justamente
> tentar fugir de alguns estereótipos do próprio filme Cidade de Deus. É um
> bom exemplo de que a TV pode apostar na inteligência e ser bem sucedida. A
> priori, não existe problema em combinar tecnologias e estéticas vindas do
> cinema e da TV, são linguagens que se aproximam. Mas, infelizmente,
> historicamente, a TV brasileira nunca foi aliada do cinema brasileiro.
> Isso
> está mudando, porque hoje o cinema brasileiro ganhou prestígio, tem apoio
> político e políticas públicas que o valorizam, têm mais financiamentos no
> Ministério da Cultura, na Secretaria do Audiovisual, nas leis de renúncia
> fiscal. A própria sociedade brasileira tem hoje uma outra postura diante
> de
> seu cinema. O problema é simplesmente a TV parasitar o circuito de cinema
> duplicando o que deu certo na TV aberta, sem arriscar, apostando nas
> fórmulas televisivas que deram certo. O cinema tem que ter sua
> biodiversidade, e não duplicar a monocultura televisiva.
>
> BF - No Brasil, o cinema considerado popular são filmes da Xuxa,
> Trapalhões,
> Angélica, etc. Como fazer um cinema popular no Brasil com qualidade?
> Ivana - Não existe nenhuma fórmula, existem muitos mitos do que é popular,
> do que as pessoas "querem" ver. Não acho que a pesquisa de opinião ou
> testes
> de platéia resumam as possibilidades da inteligência popular, subestimada
> nesse discurso paternalista de que "damos o que o povo gosta". Com atores
> conhecidos da TV, campanhas de mídia agressivas, com merchandising na
> novela, no programa de auditório, no caderno de cultura da empresa,
> matéria
> no telejornal, algum público acaba aparecendo. Mas quem tem R$ 15 para
> pagar
> no ingresso? Para ter público para o cinema brasileiro tem que passar os
> filmes brasileiros de graça na televisão aberta, baixar o preço do
> ingresso,
> passar filmes nas escolas, criar uma cultura audiovisual.
>
> "A TV Digital pode se abrir para os movimentos sociais, para o cinema
> brasileiro, para a produção independente, para a produção que vem das
> periferias. Mas isso não vai acontecer sem pressão "
>
>
> BF - Nesse ano, houve a decisão da TV Digital que era visto como um
> instrumento de grande potencial democratizante, podendo dar vazão à
> produção
> independente de audiovisual...
> Ivana - Acho que as cartas ainda estão sobre a mesa e se houver pressão e
> mobilização política, a TV Digital pode se abrir para os movimentos
> sociais,
> para o cinema brasileiro, para a produção independente, experimental,
> universitária, para a produção que vem das periferias. Mas isso não vai
> acontecer sem pressão. Os interesses são enormes nessa área e vêm de
> todos
> os lados. A sociedade tem que intervir e pressionar também, afinal, as TVs
> são concessões públicas. Nada mais natural que lhe seja restituído o
> direito
> de produzir uma comunicação que expresse a sua singularidade e
> multiplicidade. Se esse governo conseguir mudar a mentalidade corporativa
> e
> monopolista dos meios de comunicação, vai ter realizado uma das maiores
> mudanças na história do país. Mas sem pressão e apoio, nenhum governo faz
> tamanha mudança.
>
> BF - O que muda com o digital?
> Ivana - Com tantas possibilidades tecnológicas de multiplicar os canais de
> Comunicação com o digital, todos nós nos tornamos potenciais produtores,
> distribuidores e consumidores de informação, de arte, de linguagem. Isso
> já
> está acontecendo com a internet, quebrando consensos, fazendo uma
> guerrilha
> semiótica, no campo das idéias. A sociedade tem que estar tecnologicamente
> equipada para fazer essa que será a grande revolução do capitalismo
> cognitivo, onde todos nós nos transformamos em unidades móveis de produção
> e
> expressão, sem mediadores. Daí a importância hoje de lutar por emissoras
> de
> TV públicas - nem privadas e nem estatais - mas da sociedade. Internet
> pública e gratuita e telefonia também de graça. São as bases da produção
> contemporânea e da cidadania. Essa cultura da periferia que estamos vendo
> explodir tem a ver com essa apropriação e subversão da tecnologia. São as
> tecnologias capazes de criar a "intelectualidade de massas", como diz
> Antonio Negri no seu livro Multidão.
> ____________________________________________________________________________
> _________
> A periferia, como convém
> Pesquisadora analisa a contradição do discursos das emissoras de TV sobre
> a
> periferia: ou pobre é violento ou é o pacífico criativo
> 02/02/2007
> Dafne Melo,
> da Redação
>
> A periferia está na moda? A julgar pela produção audiovisual, mais do que
> nunca. Somente a maior emissora do país, a TV Globo, dedicou quatro
> produções ao cotidiano dos moradores dos grotões das metrópoles nos
> últimos
> dois anos: a programa Cidade dos Homens, a série de Regina Cazé para o
> Fantástico, Central da Periferia e, para o mesmo programa, a exibição do
> documentário Falcão, Os Meninos do Tráfico. Mais recentemente, houve a
> exibição do filme Antônia, em forma de minissérie.
>
> Em entrevista ao Brasil de Fato, Ivana Bentes, professora de Comunicação
> da
> UFRJ, analisa o discurso "esquizofrênico" das emissoras de TV: se nos
> programas jornalísticos o jovem negro continua marginalizado, como o
> criminoso representado por uma sombra na parede e uma voz metálica, esse
> mesmo jovem é visto como "o favelado legal" na dramartugia.
>
> O cinema também não fica de fora do que Ivana chama de "cosmética da
> fome",
> ou seja, a glamourização da pobreza e da violência das periferias. Sobre
> esse tema, a professora dedica um dos ensaios de seu novo projeto, uma
> pesquisa sobre as periferias - ainda não finalizada - em que busca a
> análise
> das imagens produzidas nas últimas décadas sobre o tema, analisando as
> mudanças tecnológicas e do imaginário da sociedade, nesse processo.
>
> [FONTE
> As Periferias e a Intelectualidade de Massa/ Entrevista Ivana Bentes/
> Brasil
> de Fato
> http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/a-periferia-como-convem
> ]
>
>
> Enviada por: "Ivana Bentes" <ivanabentes em uol.com.br>
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Enviada por: Alberto Salvá <albertosalva em hotmail.com>
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