
autor: Gabriela Campedelli / email autor: gbic em uol.com.br
RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Segunda Janeiro 1 16:16:35 BRST 2007
CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Dioclécio:
Pois é, um filme que fez grande bilheteria por causa de seu
marketing corre o risco de não ser arte, em muitos casos é,
de fato, uma arte menor, se podemos de alguma maneira
classificar a arte assim. Vamos admitir que podemos sim
classificar a arte dessa maneira, vamos, então admitir que o
Paulo Coelho vende milhões é tem uma literatura rasa, de
apelo fácil. Ou, podemos até pensar isso da Xuxa, que ela
faz muita bilheteria mas que seus filmes são ruins. Pois
bem, constatamos aqui uma verdade, a Xuxa vende por causa do
marketing e não por causa da arte. Acontece que o contrário
também é verdadeiro, tem filme que vende por causa da arte e
não por causa do marketing. E tem filme também que não tem
bilheteria porque tem o marketing ruim e filme que não tem
bilheteria com marketing bom e arte ruim. Outros filmes não
tem bilheteria porque são pretensamente arte e não tem
marketing. Eles igualmente não são arte. Casos assim são
comuns no cinema brasileiro. Mais grave do que isso, foram
feitos com o dinheiro público e nem retorno eles são, não
estimulam o cérebro e muito menos estimulam o crescimento de
uma indústria. E isso é pior do que um filme da Xuxa ou um
livro do Paulo Coelho ou da Bruna Surfistinha. Isso é a
maioria do cinema brasileiro.
As exceções mais infelizes e mais raras são os filmes que
são arte boa e não dão bilheteria.
Pois veja, pensando nisso, eu sou a favor da idéia do
adicional de bilheteria. Mas, eu sou a favor de mais uma
idéia, que os cineastas contemplados com dinheiro do fomento
sejam obrigados a pagar uma taxa semelhante àquela da
Ancinav a outro cineasta desejoso de um incentivo do
governo, de acordo com o montante que o mesmo receber da
bilheteria. Assim, pelo menos, a comissão julgadora vai
prestar mais atenção na hora de escolher projeto e o cumpadi
vai ter que ser muito bom a fim de ser aprovado.
Agora, não precisamos ser gênios para concluir que quem
nunca jogou Wow e o classifica de jogo bobinho, que deve
desconhecer completamente um personagem chamado Carmem San
Diego e ignora em gênero número e grau a história da base
militar em Doom, que essa pessoa indubitavelmente nunca
conseguiu compreender os meandros em Silent Hill e que essa
pessoa de fato deve fazer parte da classe social que ele
definiu como "burguesia fedida". Aliás, não precisa ser
nenhum gênio, muito menos acadêmico, qualquer criança de 13
anos seria capaz de mostrar para esse ser representante do
preconceito da "burguesia fedida" (já que tem burguesia que
é pelo menos perfumada") que música que toca em game bobinho
é feita por orquestra sinfônica e cantada em latim. Que a
arte gráfica de muitos dos jogos "bobinhos" são baseadas em
Michelangelo, Leonardo Da Vinci, Picasso, entre outros
gênios e que as histórias dos jogos "bobinhos" são baseadas
na mitologia grega, nas histórias reais da Segunda Guerra,
nos mitos romanos, nas páginas de shakespeare, nas novelas
de cavalaria, nos grandes autores de todas as eras. Agora,
só para comentar uma coisa: ignorância é foda!
[]'s
Gabriela
> pessoal
> a cada pouco tempo vem a discussão: filme de arte versus
filme-indústria,
> filme-comércio.
> creio que devemos pensar em arte e não-arte, ou
quase-arte. porque, que eu
> saiba, cinema é para ser arte. e quando não é arte, é o quê?
> vejamos.
> quando um pintor faz uma obra, não vem essa pergunta. a
gente sabe que ele é
> bom ou não é na arte dele. é artista ou não é. e fim. Goya
é um grande
> pintor vendendo ou não seus quadros para aquela burguesia
fedida. o mesmo
> poderia dizer de van gogh.
> acho que o equívoso é este: vender ou não vender. ou, no
caso do cinema, ser
> assistido ou não, é arte ou não.
> é um equívoco porque os filmes da xuxa, para dar um
exemplo, sempre serão
> filmes sem arte.
> os que são contra a arte é que provocam este equívoco.
> blade runner é um filme de arte seja ou não assistido por
milhões.
> paulo coelho é um escritor menor, sem arte, venda ou não
milhões.
> então, a questão de ser ou não filme de arte é o público
que faz.
> chaplin fazia arte e era assistido por milhões.
> na verdade quem tenta provocar e sacramentar o equívoco -
a pretensa disputa
> entre filmes de arte e não arte - são os não-artistas. os
artistas ficam os
> não-artistas passam. vendem milhoes, mas passam. não mudam
a história, não
> mudam a história do cinema.
> daniel filho, por exemplo, pode fazer 10 mil filmes, mas
se mantiver este
> nível de arte, será lembrado apenas pela bilheteria, e não
por fazer algo de
> novo.
> o que falo em arte não é novo. quem entende um pouquinho
de arte sabe do que
> estou falando. é o óbvio. uma obra de arte é arte ou não é.
> não importa se custou 10 bilhões ou 10 centavos. se foi
vista por uma ou dez
> mil pessoas.
> são os negociantes da arte, os homens da indústria, os que
não sabem fazer
> arte, que criam essa polêmica.
> isso não existe em outras áreas da arte.
> na literatutra ninguém tem dúvidas de que paulo coelho é
um escritor menor.
> e que clariuce linspector é maior. e fim.
> nas artes plásticas romero brito é menor, carlos scliar é
grande, krajcberg
> idem,...
> em teatro antunes filho é grande. como ator antonio
fagundes é limitado. e
> por aí vai,...
> entaõ por que essa polêmica sobre cinema? ocorre que o
cinema é uma arte
> cara, e muita gente que não entende de arte quer ganhar
dinheiro com ela e
> tenta acabar com essa história de que cinema de arte é
isso ou aquilo. arte
> é arte. e ponto. insisto: não impoorta se custou 1 bilhão
ou 1 centavo, se
> foi vista por uma ou 1 milhão de pessoas.
> quem não sabe fazer arte, quem não tem criatividade e vive
do negócio do
> cinema é que vive defendendo o cinema enquanto negócio,
indústria. e quer
> que a gente aceite o cinema como um negócio igual aos
outros. são estes que
> decretam o fim da arte no cinema, e para tanto criticam o
cinema que tem
> arte como aquele que poucos assistem, hermético, "cabeça".
> a arte, porém, lembro, tem sempre uma várias feições: ela
é estética,
> entretenimento, mas também crítica. a arte que é apenas
entretenimento é a
> descartável, a menor. se a obra de arte não leva a pensar,
é menor.
> não. não se trata de conceito meus. mas conceitos óbvios
da arte. não é
> preciso ser profundo para pensar assim.
> quantos aos games. enquanto não aparecer arte nestes
jogos, eles serão
> somente joguinhos bobos para adolescentes matar o tempo. a
novidade é esta:
> mais opções de se matar o tempo. substitui-se o dominó
pelo game. isto não é
> muita coisa. não vamos mistificar o que é pouco.
>
> dioclécio luz
>
> >
> >
> > Luis:
> >
> > É isso ai. Concordo que existem boas idéias que não foram
> > colocadas em prática.
> > Vce tem razão em muitas das coisas que vce diz.
> >
> > Feliz Ano Novo!
> > Com muitos filmes (e games) brasileiros!
> >
> > Beijos
> > Gabriela
> >
> >
> >
> > > Gabriela,
> > >
> > > Estou de acordo com tudo que você escreveu. Corretíssimo.
> > Ou pelo menos,
> > > pensamos da mesma forma.
> > >
> > > Acho que eu nao soube me expressar bem. Concordo que o
> > banqueiro tem
> > > interesse nos clientes, sejam quais forem, desde que isso
> > tenha um retorno
> > > que ele considere razoavel. E também que o banqueiro não
> > vai ter interesse
> > > em financiar filmes intelectuais que não obtenham este
> > retorno financeiro. E
> > > não acho que isso esteja errado ou que a realidade seja
> > outra. É assim
> > > mesmo. O que eu acho é que, em vista desta realidade,
> > devemos nos fazer
> > > clientes interessantes para o banqueiro. Devemos nos
> > transformar em clientes
> > > rentáveis. Bom para o banqueiro e melhor ainda para nós
> > porque um filme
> > > rentável significa publico assistindo nosso trabalho e
> > também significa que
> > > faremos o próximo em seguida. Então, tem que haver um
> > cinema brasileiro
> > > profissional no mais amplo sentido da palavra
> > profissional.. Um cinema
> > > industrial, real. Onde um técnico de iluminação, por
> > exemplo, nao faça um
> > > longa a cada 2 anos, mas que tenha trabalho nos 12 meses
> > do ano. E para isso
> > > ocorrer o cinema precisa existir de fato. E para o cinema
> > existir de fato é
> > > preciso que o sistema seja implantado, desde o seu início,
> > com uma estrutura
> > > que privilegie a bilheteria. Um cinema que seja feito
> > partindo da premissa
> > > de que um filme será produzido para que seja assistido.
> > Parece óbvio isso,
> > > né ? Mas não é tão óbvio assim. Quando digo para algum
> > cineasta:
> > > "Sabe, estive pensando esses dias aí, e andei tendo umas
> > idéias, algumas
> > > meio malucas...uma delas, sabe, é que devíamos talvez,
> > sabe, sem querer te
> > > ofender, a minha idéia era fazer filmes para serem
> > assistidos...o que vc
> > > acha, hein ?"
> > > Bom a resposta em geral é meio brava, meio irritada:
> > > "Como assim ?! Você quer que eu agora faça filmes pra
> > serem assistidos ?!
> > > Que maluquice é essa? Você com certeza é um desses
> > neo-liberais, vendidos,
> > > imperialistas, contra a arte...!"
> > >
> > > Então, eu acredito que temos que vencer essa barreira e
> > esse preconceito de
> > > achar que se o filme for visto então isso será obra do
> > demônio. Bom, sei lá,
> > > né Gabriela, eu e você pensamos dum jeito mas muita gente
> > pensa de
> > > outro....sei lá....Mas eu acho que na medida em que
> > fizessemos filmes para
> > > serem vistos, ou seja, na medida em que produzisemos
> > filmes só pra depois
> > > juntar uma pessoas e projeta-los, então aí sim, fariamos
> > alguma bilheteria,
> > > depois muitos filmes e mais tarde, quando produzissemos um
> > quantidade
> > > razoavel de filmes então uma porcentagem tal de nossa
> > produção pudesse ser
> > > destinada a filmes experimentais, "filmes difíceis",
> > filmes de vanguarda etc
> > > que até poderiam (ou não) ter boas bilheterias. E, com um
> > sistema brasileiro
> > > de produção e exibição de filmes nacionais, diversos
> > outros segmentos se
> > > aliariam ao cinema e ao mesmo que investiriam nele, também
> > obteriam
> > > rendimentos deste mesmo cinema. Os bancos poderiam lucrar
> > com seus
> > > financiamentos, os industriais colocando seus produtos a
> > mostra, o governo
> > > arrecadando mais impostos, o mercado de trabalho obtendo
> > mais empregos e até
> > > artistas produzindo mais arte.
> > >
> > > Tudo muito bonito. Mas tem um porém. Pra isso acontecer
> > era bom já ir
> > > botando a mão na enxada. Não faria muito mal que o sistema
> > de subsidios e
> > > incentivos já indicasse ao produtor que seria bom já ir,
> > por exemplo,
> > > procurando o mercado. O mecanismo de incentivo priorizaria
> > quem produz para
> > > o mercado. A idéia de adicional de bilheteria, por
> > exemplo, vai nessa
> > > direção porque inclusive obriga o produtor a arriscar pelo
> > menos em parte o
> > > dele também. Mais isso, menos isso, não importa.O que
> > importa é que a
> > > legislação de incentivo indique e de certa forma obrigue o
> > produtor a buscar
> > > o mercado. E nada disso adiantará, se o mesmo governo não
> > construir de
> > > alguma forma e simultâneamente uma estrutura de
> > distribuição e exibição
> > > desta produção nacional. Porque mesmo se o produtor
> > arriscar também o seu
> > > capital e produzir apenas o que o mercado deseja, isso
> > também irá por agua
> > > abaixo se não existir uma exibição que promova e venda
> > este filme nacional.
> > >
> > > Agora citando o aspecto que você abordou dos cineastas
> > mais velhos. Havendo
> > > uma produção subsidiada ou incentivada priorizando a
> > realização de filmes
> > > para o mercado e uma exibição competente, provavelmente o
> > cineasta mais
> > > competente será o mais valorizado. Então, o cineasta mais
> > antigo, quase sem
> > > sombra de dúvida, será mais valorizado. Não por ser o mais
> > antigo mas por
> > > ser o mais competente. E, é bom lembrar, mesmo que não
> > fosse o mais
> > > competente, deveria ser o mais valorizado. O profissional
> > mais experiente,
> > > que já passou por ciclos riquissimos do cinema brasileiro
> > tem um valor
> > > inestimavel. Tem primeiro um valor ao dirigir agora filmes
> > de qualidade. E
> > > tem um outro valor, muitíssimo maior que só ele tem: ao
> > dirigir um filme,
> > > este cineasta experiente estará passando todo seu
> > conhecimento a novos
> > > técnicos e novas gerações. Então, o cineasta mais
> > experiente deveria ser
> > > disputado a tapa pra trabalhar no mercado. Senão pela
> > produção de novos
> > > filmes, pela sua condição única e rara de transmitir um
> > conhecimento que
> > > está aos poucos se perdendo. Pegue um filme da Vera Cruz,
> > da Atlantida.
> > > Dizem que nos anos 70 o som do cinema era ruim e que agora
> > o som tem
> > > qualidade e que ja foi até indicado ao Oscar. Tudo bem,
> > concordo em parte.
> > > Mas pegue um filme dos anos 50 e 60 e você verá filmes tão
> > perfeitos
> > > tecnicamente quanto os atuais em termos de som (claro, sem
> > Dolby e etc) e em
> > > diveros outros aspectos como montagem, luz etc.. Ou seja,
> > quem trabalhou
> > > naqueles ciclos que foram tecnica e artisticamente
> > riquissimos podem
> > > transmitir não apenas um conhecimento, mas também um
> > entusiasmo, um élan,
> > > quase que um "dom" aos novos e jovens cineastas. Mas, como
> > ja disse, havendo
> > > uma produção e exibição com vistas ao mercado consumidor,
> > nem mesmo
> > > precisaria de um incentivo paralelo aos cineastas mais
> > experientes. Eles
> > > sendo, como são, muito competentes, ja seriam disputados
> > pela sua
> > > competencia em fazer novos e bons filmes que atenderiam ao
> > mercado. E ao
> > > mesmo tempo seriam muito importantes na formação não
> > apenas técnica mas
> > > artística de toda uma nova geração. E isso não tem preço.
> > >
> > > Quanto ao teatro, eu dizia que o teatro em si mudou e ao
> > mesmo tempo não
> > > mudou. E detalhei um pouco alguns aspectos. Não analisei
> > sob o ponto de
> > > vista específico de bilheteria. Você diz que o teatro foi
> > enfraquecido pelo
> > > cinema. Eu teria algumas ponderações a fazer a este
> > respeito, mas não tenho
> > > os dados todos em mãos e não teria muita certeza do que eu
> > estaria
> > > afirmando. prefiro não discordar pra nao falar besteira.
> > >
> > > Quanto aos games eu posso opinar, mas não recomendo que
> > ninguém leve a serio
> > > o que digo sobre games. Entre a minha opinião e a sua,
> > prefiro a sua que tem
> > > mais conhecimento do assunto. Mas como sou muito metido me
> > arrisco a dizer
> > > algumas coisas. A distribuição do cinema, em breve, será
> > também facílima e
> > > de custo baixissimo. A previsão é de que os filmes sejam
> > transmitidos para
> > > as salas de cinema via satélite. E que o video-home seja
> > entregue nas
> > > residências carregando arquivos na internet. Então não
> > vejo grande diferença
> > > do cinema e do game neste aspecto. Agora, você citou que o
> > game tem o
> > > aspecto da interatividade. Este aspecto é imbativel. Se
> > ele for decisivo, o
> > > game ganha todas, não sobra pra mais ninguem, nem pra
> > teatro, nem pra cinema
> > > e nem pra tv. Se a interatividade for essencial então nos
> > cineastas teremos
> > > que partir para o game (...era o que me faltava...rsss) ou
> > então morreremos
> > > na praia. Se hoje a Tv perdeu espaço para a internet,
> > amanha o cinema
> > > perderá espaço para o game. Mas apenas em parte. Acredito
> > firmemente que o
> > > entretenimento em que o consumidor não interage continuará
> > a predominar.
> > > Caso a interatividade fosse algo que despertasse tanto o
> > interesse ela ja
> > > teria sido mais amplamente utilizada até quando não havia
> > cinema. O teatro,
> > > por exemplo, pode ser interativo. Mas essa moda nunca
> > pegou ( e nao foi por
> > > falta de tentar). Mas admito por outro lado que o game se
> > presta mais a
> > > interatividade pois, ao contrário do teatro, o game tem
> > uma tecnologia mais
> > > adequada ao processo da interatividade.
> > >
> > > Quando olho o que ocorre hoje nos fotologs, blogs e orkuts
> > da vida me parece
> > > inevitavel que os games vão mesmo se tornar cada vez mais
> > uma realidade. E
> > > eles vão sem duvida abocanhar em maior ou menor parte o
> > mercado de
> > > audiovisual. E, como você disse, falta uma política para
> > que este mercado
> > > aconteça de forma segura. E, principalmente, para proteger
> > o produto
> > > nacional.
> > >
> > > Ou seja, pra variar, Gabriela, usamos palavras diferentes
> > mas concordamos
> > > em quase tudo.
> > >
> > > abraços
> > > Luís Bacchi
> > >
> > >
> > >
> > >
> > > ------------------------------------
> > >
> > > Gabriela escreveu:
> > >
> > > Luis, ainda tendo artistas assim outros assado, os
> > banqueiros não vão
> > > investir no cinema nacional simplesmente porque eles não
> > acreditam
> > > que cinema nacional seja um bom negócio, e não porque
eles são
> > > insensíveis.
> > > Acho que para você entender a cabeça de um banqueiro
> > imagine que um
> > > banqueiro tem clientes. E o dinheiro que ele reserva para
> > > investimentos de alta monta é dos clientes dele. Se ele
> > investe em um
> > > filme pretensiosamente intelectual, cujos fatores são em
> > sua maioria
> > > subjetivos e a análise da concorrência é distorcida e ele
> > perder
> > > dinheiro, ele está perdendo o dinheiro dos clientes dele.
> > Os clientes
> > > de um banqueiro podem ser as mais diversas pessoas.
Podem, por
> > > exemplo, ser aposentados. Bom, dai estamos falando de
> > dinheiro que
> > > poderia servir a diversas coisas, conforme for a
> > possibilidade do
> > > banqueiro. É muito realista. É. Sobra o capital de risco.
> > O capital
> > > de risco é em geral uma parte restrita do orçamento de um
> > banco,
> > > digamos, uns 2% do orçamento total. Ele é um bolo que é
> > dividido em
> > > investimentos de risco, dos quais o cinema poderia, se não
> > fosse
> > > péssimo negócio no Brasil, fazer parte. Bom, dai vce pega
> > um sujeito
> > > que tem uns 90 anos, brilhante cineasta para as elites,
> > que participa
> > > de vários festivais internacionais e nota que ele não tem
> > retorno em
> > > capital, por mais sensível que o banqueiro for, ele vai
> > preferir
> > > investir na última descoberta da empresa de química.
Um risco?
> > > Certamente um risco. Um novo creme de beleza depende de
> > inúmeros
> > > fatores. Mas, vejamos, ele tem 2% do orçamento total para
> > investir.
> > > Não existe glamour num projeto de cosméticos para beleza.
> > Vejamos: um
> > > cientista que dedicou a vida às moléculas, cujas
> > descobertas ajudaram
> > > muita gente além daquelas que apenas querem ser belas,
cujas
> > > descobertas ajudaram a salvar vidas. Você ainda acha
que os
> > > banqueiros são insensíveis porque eles apenas não investem
> > no cinema.
> > > Eu acho que não. Eles podem visar o lucro, mas eles também
> > são gente
> > > e, por serem sensíveis eles talvez não invistam no cinema.
> > Mas de
> > > fato não é por falta de sensibilidade, nesse ponto
> > concordamos.
> > > Deixa eu te explicar uma coisa: a maioria dos games não é
> > nada além
> > > que um filme interativo. É arte, tão arte quanto é o
> > cinema. E, o
> > > teatro mudou sim muito. Antes do advento do cinema, da
TV, da
> > > internet, e de todos os meios de entretenimento que
> > conhecemos, o
> > > teatro era a escolha de entretenimento. Quando chegou o
> > cinema, este
> > > passou a ser a escolha de entretenimento. A TV conseguiu
> > diminuir um
> > > pouco o seu status de escolha de entretenimento,
> > competindo um pouco
> > > com o cinema pela sua natureza audiovisual, ainda assim, o
> > cinema, a
> > > imagem em movimento, os filmes de ficção são claramente a
> > escolha de
> > > entretenimento do século XX. Hoje, a escolha de
> > entretenimento da
> > > nova geração é o game. E por quê? Porque ele é melhor que
> > o cinema?
> > > Certamente não porque em maior ou menor medida aquilo que
> > é escolhido
> > > como mainstream no mundo gamer é certamente mais próximo
> > ao cinema do
> > > que vce pode imaginar. O que muda então?
> > > A distribuição. Como assim? Bem, são bibliotecas
instaladas em
> > > terminais de computadores que criam possibilidade de
> > entrega de
> > > scripts com histórias, praticamente em tempo real. São
> > terminais de
> > > game em sistemas proprietários que permitem a exibição de
> > DVDs, blu-
> > > rays e etc. São filmes que são distribuídos juntamente com
> > os games
> > > para entretenimento doméstico, em alguns modelos de
> > negócios para
> > > entretenimento coletivo etc etc etc. São possibilidades de
> > criação de
> > > comunidades para troca entre usuários criando com isso
> > economia.
> > > Certamente enquanto arte, o game não é superior ou
> > inferior a nenhuma
> > > outra arte, nem mesmo as pessoas que fazem esse ou aquele
> > game ou
> > > filme o são. Eu nunca disse isso porque considero no atual
> > state of
> > > art que um não é nada além de uma ótica diferente sobre o
> > outro. O
> > > que certamente atrai a atenção de um banqueiro é que o
> > modelo de
> > > negócios de um é certamente menos arriscado e mais
lucrativo e
> > > artisticamente tão poderoso quanto o outro.
> > >
> > > E essa é a única e principal diferença. E, se o cinema
> > soubesse, se
> > > houvesse a menor estratégia que fosse na cabeça daqueles
> > que sentam
> > > todos os dias usando seu poder de burocratas de cinema, se
> > houvesse a
> > > menor consciência do modelo de negócios que está surgindo,
> > certamente
> > > cada um deles não pensaria em outra coisa senão entender
> > como é que
> > > faz para entrar no esquema de distribuição dos games. Mas,
> > aqui no
> > > Brasil não se pensa assim e a maioria dos sistemas
> > simplesmente é
> > > proibida de ser acessada, quando não é taxada e outras
> > coisitas mais.
> > > Tudo isso em nome da proteção do mercado para o cinema
> > nacional. Diga-
> > > se de passagem, mercado que nem nosso é.
> > >
> > > []'s
> > > Gabriela
> > >
> > >
> > >
> > >
> > >
> > > Enviada por: "Luís Bacchi"
> >
> > Enviada por: "Gabriela Campedelli"
> >
>
> Enviada por: Dioclécio Luz <dioclecioluz em terra.com.br>
>
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