assunto: [CINEBRASIL] TELA EM TRANSE

autor: Francis Vale / email autor: francisvale em fortalnet.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Terça Julho 3 15:23:15 BRT 2007


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
____________________________________________________________________________

            LINK DIGITAL,  SUA  FINALIZADORA  EM ALTA DEFINIÇÃO

               TRANSFER LASERGRAPHICS 2 K e 4 K de definição
           ESTAÇÃO FIRE HD 2 K e 4 K de definição, e muito mais:

 TELECINE -  DA VINCI 2K  - EFEITOS - EDIÇÃO - TRANSFER - SOLUÇÕES HD E HDV

  Clique para tirar dúvidas sobre os PROCESSOS DE FINALIZAÇÃO:
          <a href= http://cinemabrasil.org.br/link.html > LINK DIGITAL </a>
^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^



Jorge,

Parabéns pela entrevista. 
Acho que o Araripe colocou bem a questão da crítica, da ocupação das salas e 
das poucas posssibilidades de um cinema independente como o dele tem de 
alcançar o grande público. E também sobre a questão do lançamento.
Como diz um amigo meu, o cinema brasileiro sofre da síndrome do LSS, o 
Lançamento Super Secreto. A maioria dos nossos filmes apoia-se apenas na 
mídia espontânea ( em grande parte, contra ele porque fatura bem com o 
produto americano). Resultado: não vem o público e é retirado na primeira 
semana. O público que ainda queria ver depois da primeira semana fica a ver 
navios e o filme naufraga e encalha nas prateleiras. 
Concordo também quando ele diz que precisa mobilização. E PERMANENTE.
Bola pra frente.
Um abraço do
Francis  

> 
> Caríssimos, diante dos desdobramentos nas listas, com ramificações 
> em alguns blogs, da postagem de Zanin "será que ninguém reage", eu 
> tomei a iniciativa de entrevistar José Araripe Jr., que está 
> lançando seu primeiro longa metragem no circuito comercial. Escolhi  
> "Esse Moços" porque é uma produção emblemática; nordestina, de baixo 
> orçamento, sem atores globais, enfim, um típico filme independente 
> da retomada, disputando espaço com os blockbusters que ocupam quase 
> a totalidade das nossas salas com apenas três títulos. Quem sabe 
> essa entrevista nos estimule a um posicionamento mais vigoroso 
> diante da tela em transe.
> 
> Boa leitura!
> 
> Jorge Alfredo
> 
> TELA EM TRANSE
> 
> entrevista com José Araripe Jr.
> 
> www.essesmocos.blogspot.com/
> 
> - Como se faz para furar o cerco dos americanos e colocar um filme 
> de baixo orçamento no circuitão?
> 
> Felizmente ainda existem distribuidores e exibidores preocupados com 
> esse segmento. Mas furar esse cerco pode não significar nada. O que 
> faz um filme brasileiro ser notado é o volume de publicidade 
> investido nele. E isso também pode significar nada. Pois outros 
> fatores são pré-requisitos ferozes: leia-se o mix de valores 
> agregados: atores famosos, efeitos, sexo, violência...
> 
> E mesmo assim um filme pode naufragar, se o diretor for um 
> desconhecido ou não agradar a crítica. Em meio a tantos lançamentos 
> festejados é praticamente impossível obter espaço na mídia 
> espontânea. De todos os filmes em cartaz no Brasil hoje, Esses Moços 
> é o filme mais atípico. Nossa qualidade está em sermos diferentes e 
> nesse quadro, só o boca a boca pode fazer o filme ter mais audiência.
> 
> - Existe espaço para a critica séria e inteligente no jornalismo 
brasileiro?
> 
> Sim, claro, mas cada vez menos. Infelizmente os formadores de 
> opinião do jornalismo diário, podem condenar um filme à morte antes 
> de sua primeira sessão. Você já observou que já na madrugada de 
> sexta, antes da primeira sessão do filme, é possível ler as 
> sentenças que reduzem um filme à cinzas? Essa é a mesma critica que 
> adora dizer amém aos modismos de hollywood, esses fazem tanto mal ao 
> cinema brasileiro quanto o monopólio dos Blockbusters.
> 
> - Esses Moços é uma vítima disso e você estava preparado para receber
> críticas?
> 
> Sim. Independente de falarem bem ou mal, que importa é que a crítica 
> seja uma análise da obra, com alguma coerência ou método. Pois mesmo 
> quando apontam lacunas, falhas e insatisfação demonstram 
> sensibilidade e acuidade, e, naturalmente, é possível enxergar 
> alguma inteligência por trás do teclado.
> 
> - Você se refere a que tipo de leitura crítica?
> 
>  A crise de identidade da crítica se manifesta antes de tudo no 
> gênero. Hoje se mistura tudo: artigo, reportagem, resenha, colunismo 
> social, opinião, resenha... As mais preguiçosas ou preconceituosas 
> normalmente não se sustentam, na maioria das vezes são conotadas por 
> fatores extra fruição. O complicado é que esses escribas ganham 
> autoridade num espaço de comunicação de massa e abusam do poder.
> 
> - E que mais lhe irritou na postura da crítica em relação a Esses Moços?
> 
> Na estréia do filme no festival do Recife, as mais de duas mil 
> pessoas que lá estavam receberam o filme com muito carinho,
>  interagindo e aplaudindo o filme em cena aberta diversas vezes. Mas,
>  as matérias que se referiram a participação no festival,
>  simplesmente omitiram esse fato. Por acasião do lançamento um mês 
> atrás, fomos vítimas da superficialidade dos resenhistas de Folha, Reuters
> 
> e Veja. Criticas preguiçosas que induziam o espectador a não ver o 
> filme. E o papel da crítica não é esse.
> 
> - Mas, como você fala, me parece que o filme, realmente não agradou à
> crítica?
> 
> Tivemos algumas críticas ruins, outras boas, onde há leituras que conseguem
> perceber o filme com sensibilidade, e apontam as qualidades da obra sem
> benevolência, e os defeitos, sem arrogância.
> 
> Por outro lado recebemos dezenas de depoimentos espontâneos via e-
> mail, ou blogs, de cinéfilos, cineastas e espectadores. Algumas 
> dessas leituras se colocadas lado a lado com as opiniões que 
> menosprezam o filme, no faz refletir de como há um divorcio real 
> entre o olhar leviano da mídia ligeira e o olhar do espectador que 
> apenas sente o que um filme denota.
> 
> - No panorama atual, onde predomina o realismo e o documentário 
> social e biográfico, há espaço para um cinema de fábula como o seu?
> 
> Quem conhece meus filmes anteriores sabe que sou um fabulador. Meu cinema
> está mais para o primeiro cinema, para o teatro de variedades. É 
> cinema, mas não é obcecado pela recriação da realidade. Nele há 
> espaço pro cinema mudo, pro circo, pro teatro e para a poesia 
> principalmente. E o que parece ingênuo é planejado. Isso incomoda 
> quem está acostumado a tudo redondinho. E a carga de despojamento e 
> lirismo que os personagens carregam ao mesmo tempo, não costuma 
> freqüentar o realismo de cartilha.
> 
> - Para esse tipo de filme não faz falta um outro circuito?
> 
> É infelizmente falta. As salas de cinema no Brasil estão virando um 
> gueto de elites. E não apenas da elite que pode pagar. Mas de uma 
> elite de jovens, que desde a infnacia já alugaram o espaço de seus 
> imaginários ao modelo de cinema serial, calcado apenas na velocidade,
>  no superlativo e na pirotecnia. São dois tipos de cinema em 
> conflito: o dominante dos super heróis e um outro: o cinema dos 
> homens comuns.  Para esses comuns sobram apenas 20% das salas, onde 
> ainda é possível ver um tipo de cinema de qualidade, mas aí a 
> concorrência é grande também, e a tendência é também o estrangeiro 
> dominar o segmento. O cinema é uma indústria rica, e dedicada a quem 
> tem poder aquisitivo. Faltam circuitos que deveriam levar a 80% da 
> população, cinema com preços populares. Mas só a televisão e leis 
> mais rígidas podem defender o produto brasileiro dessa lavagem 
> cerebral, que é avassaladora. Essa dominação absoluta dos 
> lançamentos estrangeiros, está apontando para se repensar não apenas 
> as leis, mas o papel do jornalismo, que tem usar seu poder para 
> ajudar a deter esse monopólio.
> 
> - O que você faria diferente na hora de lançar um filme?
> 
> Creio que temos um mercado ocupado e com alguns vícios recorrentes, que
> todos nós temos que enfrentar quando lançamos um filme. Há os 
> lançamentos de nomes consagrados e há os filmes mais populares, na 
> atualidade quase sempre ligados às majors e a Globo Filmes, que 
> conseguem ser lançados com um bom número de cópias e uma boa 
> divulgação, mas, em contrapartida, sofrem na sua grande maioria 
> também, séria discriminação.
> 
> - Os festivais ajudam a carreira de um filme?
> 
> Os festivais, sejam eles nacionais ou internacionais, dão prestígio 
> a um determinado tipo de filme e a crítica, em geral, se sente à 
> vontade para recomendar esses filmes. Esses Moços é um exemplo de 
> filme que não tem muito "o perfil para ganhar festival", é popular,
>  e a crítica não sabe se comportar diante de um filme assim. Os 
> festivais no exterior se tornam mais importantes ainda. Mas, é algo 
> difícil para um filme fora do eixo, pois depende de ligações que 
> exigem maior poder de fogo das produtoras. É claro que o filme 
> independente brasileiro que consegue isso, imediatamente é recebido 
> em seu país com outros olhares. Coisa de uma colonização arraigada,
>  que sagra o filme pobre Iraniano e argentino, como cult e criativo, 
> mas esnoba o igualmente criativo cinema brasileiro de baixo orçamento.
> 
> - Diante de uma ocupação abusiva dos blockbusters, que chega a um 
percentual
> inacreditável de 80% com apenas 3 filmes, está havendo uma reação das
> associações cinematográficas e de parte da crítica. É a Tela em 
> Transe. O que pensa um cineasta que está lançando seu primeiro longa 
> no circuito com um número ínfimo de cópias?
> 
> Só um mobilização ampla pode melhorar esse quadro.É fundamental 
> também que se ocupe anualmente a mídia de massa - principalmente a 
> TV, com campanhas institucionais trimestrais patrocinadas pela 
> estatais, onde possa se juntar as belas imagens de nossos filmes 
> para incentivar e estimular e incentivar o grande público a conhecer 
> os muitos brasis, nosso talentos e nossas historias. Alem disso 
> ampliar a cota de tela, taxar cópia a cópia, criar a cota de 
> trailler e garantir espaço para o merschandesing nos foyers das salas.
> 
> - Em 2001, o cinema brasileiro levou um número considerável de 
> público às salas de cinema como há muitos anos não vinha 
> acontecendo. O que houve de lá pra cá, que não conseguimos manter 
> esse avanço? Houve uma contra reação?
> 
> Principalmente falta de estratégia de comunicação. Os filmes estão sendo
> lançados sem apoio de pesquisas para definir a linha de criação da
> comunicação, e seus verdadeiros públicos alvos. Por outro lado está 
cansando
> essa formula do filme TV. Só campanhas cooperadas que reúnam os sem
> propaganda podem ampliar o posicionamento do cinema brasileiro na 
> mente do espectador. O resto é recrudescer contra o abuso desse 
> quase monopólio. Trabalho de formiguinha, onde nossos heróis 
> desdentados devem agir com inteligência para enfrentar os 
> superpoderosos da américa do norte.
> 
> Enviada por: Jorge Alfredo Guimarães <jorgealfredo em globo.com>
> 

Enviada por: "Francis Vale" <francisvale em fortalnet.com.br>

 ENCONTRE OS PROFISSIONAIS: http://cinemabrasil.org.br/cadastro/
              [a lista cinemabrasil tem 1802 assinantes neste momento]

As listas cinemabrasil, cinema e roteiristas têm: 2683 assinaturas

Estique seus pes, relaxe, e assista trailers  e entrevistas "em tempo real"
.            TV-Net CinemaBrasil - http://cinemabrasil.org.br/tv-netbr.html
___________________________________________________________________________
.   Para sair da lista envie mensagem To: Majordomo em cinemabrasil.org.br   .
.com 1 unica linha no texto da mensagem: UNSubscribe ciNEMABRASIL seuEmail.
.Projeto Cultural CINEMA BRASIL NA INTERNET http://www.cinemabrasil.org.br.
.				Coordenador:    			  .
.                 MarcosManhaesMarins em cinemabrasil.org.br		  .
^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^



RESPONDER A ESTA MENSAGEM

Mais detalhes sobre a lista de discussão CinemaBrasil
Web-Counter hits since Oct 18th/1995.