assunto: [CINEBRASIL] Um ótimo artigo sobre Creative Commons e a crise de legitimidade da

autor: Ivana Bentes / email autor: ivanabentes em uol.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Segunda Outubro 1 18:46:01 BRT 2007


UBC e ECAD
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Subject: Um ótimo artigo sobre Creative Commons e a crise de legitimidade da
UBC e ECAD


Um excelente artigo, esclarecedor. Com o Creative Commons, assim como na 
lógica da cultura digital,  quem perde legitimidade são os intermediários. A 
idéia de que as licenças  (license em inglês, "licensa" é um descuido do 
"portuglês") vão "beneficiar a Microsoft e as teles" é um discurso alarmista 
e realmente não tem fundamento. Os artistas e produtores podem licenciar 
suas obras para "uso não comercial"sem o menor problema.  Deu em O Globo de 
29/09/2007. abs. Ivana Bentes

SOLUÇÃO CRIATIVA

RONALDO LEMOS

O Creative Commons é um projeto de licenciamento baseado integralmente na 
legislação vigente sobre os direitos autorais. As licenças do Creative 
Commons permitem que criadores intelectuais possam gerenciar diretamente os 
seus direitos, autorizando à coletividade alguns usos sobre sua criação e 
vedando outros. Ele é um projeto voluntário: cabe a cada autor decidir por 
seu uso e qual licença adotar.
Existem várias modalidades de licenciamento, desde mais restritas até mais 
amplas. A licença mais utilizada do Creative Commons não permite o uso 
comercial da obra. A obra pode circular legalmente, mas quando utilizada com 
fins comerciais (por exemplo, quando toca no rádio ou na televisão 
comerciais), os direitos autorais devem ser normalmente recolhidos. Essa 
licença possibilita a ampla divulgação da obra, mas mantém o controle sobre 
sua exploração comercial.
O projeto tem sido criticado recentemente por representantes das sociedades 
que fazem a arrecadação e distribuição de direitos autorais, como a UBC 
(União Brasileira dos Compositores) ou o Ecad. Tais críticas são 
compreensíveis.

Essas sociedades vivem há muito tempo uma crise de legitimidade de duas 
naturezas: interna e externa. Interna porque precisam conviver com a 
insatisfação permanente de seus próprios membros. Apesar do aumento 
significativo da arrecadação do Ecad (de 112 milhões em 2000 para 260 
milhões de reais em 2006), esses recursos ainda não chegam adequadamente à 
maioria dos autores. Quando chegam, isso ocorre após a dedução de taxas de 
administração que não são estabelecidas pelo mercado, mas arbitradas, já que 
o Ecad detém o monopólio sobre sua função.A segunda crise de legitimidade é 
externa.

Com o surgimento da cultura digital, o número de pessoas que passaram a 
criar obras intelectuais multiplicouse enormemente. Enquanto isso, todas as 
sociedades arrecadadoras do mundo, quando reunidas, representam menos de 3 
milhões de autores.

É muito pouco. Esse baixo número de representados contrasta com o crescente 
número de novos criadores na era digital, ansiosos por modelos inovadores de 
gestão e exploração das suas obras.
O Creative Commons ajuda a atender parte desses anseios e por isso é 
criticado. Já as sociedades arrecadadoras, por sua vez, permanecem com um 
grave dilema institucional.

Ao verificar o estatuto do Ecad, por exemplo, nota-se que o poder de voto 
dentro da instituição é dado de acordo com o volume de recursos arrecadados 
por suas sociedadesmembro no ano imediatamente anterior.

Ou seja, quem arrecada mais dinheiro tem mais voto. É uma re pre sen ta tiv 
ida de não de pessoas, mas de poder econômico (em vez de democracia, 
plutocracia). Isso praticamente inviabiliza o surgimento de novas 
associações de autores. Especialmente associações que reúnam a nova geração 
de músicos, por natureza arredios à ineficiência, à burocracia e à ausência 
de transparência.

Quando um artista licencia sua obra através do Creative Commons, ele não 
abdica de maneira alguma dos direitos sobre ela. Ele permanece a todo 
momento como dono da totalidade dos direitos sobre a sua criação. Essa 
situação é diferente, por exemplo, do modelo em que criadores intelectuais 
transferem a totalidade dos seus direitos para um intermediário. Nessa 
situação, sim, o criador deixa de ser o dono de sua obra. A partir desse 
momento, nada mais pode fazer com ela.

É inegável que autores e criadores têm o direito de optar sobre como 
explorar sua obra. Mas é claramente do seu interesse poder conjugar a 
manutenção dos seus direitos com a distribuição e exploração de suas obras. 
Quando um grupo musical como o Mombojó licencia suas músicas através do 
Creative Commons, isso não impede — se o grupo assim desejar — o lançamento 
de disco com essas músicas por uma gravadora. Ao contrário, maximiza o 
alcance da sua criação, legalmente, enquanto preserva o controle sobre sua 
exploração econômica.

Esse é apenas um dos caminhos que os criadores da nova geração estão 
interessados em trilhar. O desafio é inventar novos modelos, gerando formas 
de sustentabilidade econômica mais eficientes e democráticas para a criação 
intelectual, mais adequados à nova realidade digital. Trata-se de um desafio 
para toda a sociedade.O Ministério da Cultura tem sido elogiado no Brasil e 
no mundo por ter abraçado essa discussão, incentivando a busca de soluções 
criativas para seus impasses. Por causa desse pioneirismo, o ministro 
Gilberto Gil realizou o discurso de abertura da assembléia geral da 
Organização Mundial da Propriedade Intelectual em Genebra no ano passado, 
convite raro para autoridades brasileiras.
O Creative Commons responde apenas por permitir algumas possibilidades de 
experimentação, que já foram adotadas por muitos artistas zelosos de seus 
direitos. Apesar de voluntário, hoje existem cerca de 150 milhões do obras 
licenciadas através do projeto. Ao mesmo tempo, seu escopo vai muito além 
das obras musicais.

Um dos seus aspectos mais importantes é o chamado Science Commons, que 
fortalece e amplia a disseminação do conhecimento científico.

Assim, o Creative Commons demonstra que, nesta época de grande autonomia 
gerada pela tecnologia digital, é possível que o direito autoral seja 
exercido diretamente, e com grande facilidade e praticidade, pelos autores e 
criadores, e não apenas através de intermediários. 




Enviada por: "Ivana Bentes" <ivanabentes em uol.com.br>

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> >> Tô numa lan house e meu tempo vai acabar.
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> >> 
> >> Luiz Tadeu Teixeira, LTT, lutalte, ltadeuteixeira, mas pode me chamar de
> >> Titio
> >> 
> >> 
> >> 
> >> 
> >> 
> >> > Caramba! Como dizia meu vô: "isso é que é um homem de opinião". "Tanta
> >> > loucura cheira à lucidez", diria ele também, se estivesse vivo. Usados os
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> >> nossos
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> >> > Canela
> >> >
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> >> > From: "Santeiro"
> >> > To: "[ABDISTAS]"
> >> > Sent: Monday, September 18, 2006 10:41 AM
> >> > Subject: [Abdistas] [Spam] Re: ATA DA ABD
> >> >
> >> >
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> >> do
> >> > que é e do que não é. Nem é o caso. Acho um brutal desrespeito uns e 
> >> outros
> >> > ficarem aborrecidos só por que são contra-argumentados porque querem 
> >> decidir
> >> > a vida de muita gente sem ouvir ninguém a não ser um ao outro 
> >> abobrinhando
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> >> contigo.
> >> > Aliás, é praga destas listas, quem enfia a carapuça é quem menos a 
> >> merece.
> >> > Fica sobrando. O resto assobia, olha pros lados, é como o crime na rua,
> >> > ninguem viu, ninguem sabe, ninguem ouviu, omertá, é a lei do silêncio que 
> >> só
> >> > serve pra isso, pra propaganda eleitoral, pro forró, pro funk, pro disco,
> >> > pro eletronico, berrando até as quatro da manhã no meu ouvido não tem 
> >> lei. E
> >> > é engraçado as crianças dormem a sono sôlto, não tão nem aí, deve ser 
> >> porque
> >> > gastam mais energia, correm o tempo todo por aí, não são como eu,
> >> > resmungando e arrastando os pés esclerosados.
> >> > > Discussão é assim. Um pensa assim outro pensa assado, e se os 
> >> interessados
> >> > dissessem o que pensam e pensassem o que dizem seria mais fácil. Não abro
> >> > mão de dizer o que penso e de pensar mas pensar muito antes de dizer 
> >> alguma
> >> > coisa, e jamais, jamais, digo qualquer coisa. Esta é a minha forma de
> >> > manifestar meu respeito ao próximo.
> >> > > Quanto às questões levantadas por esta precária discussão e decisão de
> >> > voces não podia ser mais delicado. Se para criar, como dizia Tolstoi, ser
> >> > universal é falar de sua aldeia, já para regulamentar uma lei federal de
> >> > âmbito nacional periga cair naquele caso em que para descolar um conchavo
> >> > local entrega-se o cumprimento da própria lei federal, o que aliás é 
> >> ilegal.
> >> > > Lembraste bem, quando rocei no teu quintal, belo filme, bela 
> >> experiência,
> >> > ganhei em livre concorrencia do Jean Manzon, eu era melhor? não, era mais
> >> > barato. Ria-me mineiramente com o nome da tua roça. Volta Redonda? Ué, eu
> >> > nunca vi volta quadrada. Eu sei, era o rio que passava na tua vida, mas
> >> > tambem nunca vi rio quadrado. E o meu Rio de Janeiro continua lindo,
> >> > continua sendo.
> >> > > Leis federais jurisdicionam todo o território nacional, cada um de 
> >> todos
> >> > os quintais, não só um nem só outro. A lei do curta não é icms nem iss, a
> >> > menos que se queira entrar na briga de estados e municípios pra ver quem
> >> > atrai mais investimento. Regulamentar aqui de um jeito, ali de outro, é
> >> > procurar encrenca, podes crer. A Lei é uma só e vale igualmente para 
> >> todos,
> >> > eis o fundamento da democracia, não é o que o povo gosta, não é o que o 
> >> povo
> >> > quer. Leis são simples,isto ou aquilo, e não meio disto meio daquilo como 
> >> na
> >> > feira. Qualquer lugar do mundo que se preze a constituição cabe na palma 
> >> da
> >> > mão, bate na palma da mão, bate na palma da mão. Aqui não, é o país dos
> >> > bacharéis, e dos baixa-réis, e dos baixa-ao-rés, mais vale um bom acordo 
> >> do
> >> > que uma boa causa. E por causa disso vão-se os anéis e vão-se os dedos. 
> >> Não
> >> > os meus, que mamãe não mos deu pra malandro tungar. Aqui não, a 
> >> constituição
> >> > é o valhacouto de quem se acoita, parece e é um catálogo de telefone, 
> >> sabe
> >> > com quem tá fala
> >> > > ndo? Sei
> >> > > não, a CIA interceptou a ligação, a minha, não, não só a minha, a de 
> >> todo
> >> > o mundo, como no Brasil, como no Chile, na véspera do golpe acontece uma
> >> > pane nas comunicações, porque não votam a lei geral da comunicação? sei 
> >> não,
> >> > seu "arbusto" não quer, senão invade a gente, como em Granada, "tierra
> >> > soñada por mí", como na Guatemala, como quer na Colombia, na Bolivia, na
> >> > Venezuela e quis de novo agora em Cuba, mas não deu, o comandante está de
> >> > novo na parada, ainda é cedo, vejam só. Aqui não, aqui é tarde, mandaram 
> >> os
> >> > filmões, os filminhos, e os filmecos e a meia-elite adora, finge que 
> >> viajou
> >> > de avião não mais da Varig, menos ainda da Panair, mas da Pan-Am em que 
> >> os
> >> > americanos da mesma forma em que explodiram o La Moneda "se 
> >> autoconsumiram
> >> > em pleno ar só pra preservar a civilização melhor que não tem 
> >> carro-bomba,
> >> > terrorista-bomba, menino-bomba, só tem avião-bomba. E a sub-elite 
> >> brasileira
> >> > que sonha como os marginais cubanos a viver em Miami, e é só porque lá 
> >> não
> >> > foram e a conspirar
> >> > > contra
> >> > > a mãe terra, sonha também nas salas e nos complexos, "Como era Verde o 
> >> Meu
> >> > Vale", o dêles, porque a nossa privatizaram a dois mil-réis financiados a
> >> > perder de vista pelo BNDES e nem assim quitados nem no primeiro mês.
> >> > > Se eu fôr bonzinho, parar de escrever esta bobagem, o que não consigo,
> >> > baixou uma compulsão de financiar o homem mais rico do mundo com os meus
> >> > preciosos dedinhos, ah não, e eu sou bobo, minha janela é pirata, nem seu
> >> > vírus bate em mim, como missivou o missivista. quem sabe eu não ganho um
> >> > edital do BNDES, da Petrobrás, do Minc, da FAPERJ, do CCBB, do Unibanco,
> >> > enfim desse bando de marmanjo mamando nas tetas do suor do povo 
> >> brasileiro.
> >> > Quem sabe se eu parir, que-isso, homem não pare, homem só deita na rede, 
> >> uma
> >> > resolução boazinha que não chateie ninguem lá na Ancine, lá na Motion
> >> > Pictures, lá no Minc, quem sabe se eu abdicar da lei como o Jango, como o
> >> > Getúlio, como o Jânio, eu não ganho a vassourinha de ouro pra botar na 
> >> minha
> >> > cristaleira que mamãe deixou pra mim de herança. "E a vergonha, que é a
> >> > herança maior que minha mãe me deixou".
> >> > > E quem não quizer esperar o ano inteiro pode ver concentrado na 
> >> maratona
> >> > sem vergonha da espoliação nacional os festivais internacionais do que há 
> >> de
> >> > pior na cinematografia mundial, um monte de lixo que ninguem entende 
> >> nada,
> >> > mas é tão bonito, aquele povo todo lindo, todo louro, ou todo sujo, todo
> >> > escuro, sim porque no cinema não só o belo mas também o "ugly is 
> >> beautiful",
> >> > nóis não intende nada, não é como filme brasileiro que nóis intende tudo,
> >> > assim não tem graça, e o mistério, e o suspense, e o sydfeld, nóis não
> >> > intende porque isso é que é bom. Chega minha nega de pedir autógrafo pros
> >> > gringos, é tudo ignorante, nem sabe falar quanto mais escrever basirero.
> >> > "American friend, give me some money", eu faço tudo, se não quer eu, 
> >> minha
> >> > irmãzinha faz, é o que se ouve em qualquer rua de Copacabana, outrora a
> >> > princesinha do mar ou "Ai de ti, Copacabana", "lá sou amigo do rei, lá 
> >> tenho
> >> > a mulher que quero, na cama que escolherei", usurpando numa só frase, o
> >> > velho Braga e o velho Bande
> >> > > ira, é o
> >> > > do beco, não é a tôa que sou fã dele e do Beco do Rato tambem, o melhor
> >> > festival de cinema que eu amo, como a Maré, o Rui Barbosa, voces sabem do
> >> > que estou falando? Pois é, aqui sim é onde tremula a nossa bandeira, 
> >> tremula
> >> > e não trêmula.
> >> > > A Lei do Curta é para o POVO é uma boa frase, acontece que o povo não 
> >> tem
> >> > poder aquisitivo para ir ao cinema comercial que passa o filme 
> >> estrangeiro
> >> > que é o que complementa ou suplementa e é quem tem que financiar a 
> >> exibição
> >> > do curta com o que sobrar dos 95% que manda pra comprar tanque pra 
> >> invadir o
> >> > mundo e se aperrear invade nóis tambem, de novo, como em 1500.
> >> > > Tu acha que nós é lampada xenon pra dar luz pra estranho na nossa sala
> >> > escura, na nossa poltrona de mola, no nosso sofá-cama-pé-de-palito? Tu 
> >> acha
> >> > que vou segurar vela pro Tio Sam conhecer a nossa batuqueira, os nossos
> >> > quitutes, o nosso gingado, nossa rabada, com polenta, nosso xinxim, a 
> >> nossa
> >> > irmã? Tu é besta. É pra ficarmos sem as calças, as cuecas e os testículos
> >> > tambem? É nada. Eu lá sou de ficar batendo bronha no buraco da fechadura. 
> >> É
> >> > pra entrar na nossa sala e tinir trincando, ou não é?
> >> > > Se os exibidores fossem espertos e não subempresários medíocres que
> >> > sacaneiam sua própria clientela porisso, não só mas tambem, é que tá 
> >> cheio
> >> > de camelô, baixariam o preço do ingresso, inventariam promoções, como um
> >> > curta por exemplo, programariam filmes brasileiros o tempo todo. Mas não,
> >> > todos só sabem querer do Batman que já vem publicizado, o release já vem
> >> > traduzido, não dá trabalho, nem precisa pensar, parece até a ata da abd 
> >> que
> >> > não ata, nem desata.
> >> > > Acho que se exibissem os que quisessem, pequenos, de bairro, de metrô, 
> >> de
> >> > botequim, de cineclube todos os filmes brasileiros de ontem, de hoje, de
> >> > sempre, como a cópia nova do "Tudo Azul", por exemplo, já viram que 
> >> beleza,
> >> > ou do "Descobrimento do Brasil", idem, o Ribeiro ficaria feliz , bastava
> >> > exibir seu acêrvo, já imaginou, Oscarito e Grande Otelo, o tempo todo, e 
> >> de
> >> > graça para ele, custo zero, sem um tostão de investimento, podia até usar 
> >> as
> >> > leis de incentivo para restaurar os filmes, sustentando o notável, isto 
> >> sim,
> >> > notável trabalho do Centro de Pesquisadores e das Cinematecas, isto no 
> >> ano
> >> > do centenário de Oscarito e talvez tambem do Grande Otelo. Podia até 
> >> pagar
> >> > os direitos de imagem dos atôres, sacaneados e explorados em vida, porque
> >> > não ressarcidos post-mortem, e os vivos ainda em vida.
> >> > > Quem sabe poderiam produzir um filme para o Anselmo Duarte com o artigo
> >> > 3o., que também pode ser usado para compôr o fundo do curta, e dos outros
> >> > heróis, estes sim, do cinema brasileiro. Porque não o Castro Alves, do
> >> > Nelson, por sinal autor recente de um dos mais lindos e seguramente o 
> >> mais
> >> > moderno e atual filme da década, que essa indigitada desconversa de voces
> >> > impede-me de render-lhe a homenagem que merece. Prestaram atenção na
> >> > iluminação do filme, toda em segundo plano? Merece um livro. Vou 
> >> adiantar: e
> >> > a gata preta? Em Brasilia, a metrópole sem esquinas em que quando a noite
> >> > cai todos os ratos são pardos, uma messalina em cada esquina, princesa,
> >> > ninfeta, família, promícuas, resistir quem há de. Um lago cheio só de
> >> > tubarões, maiores ou menores, capangas empurrando-se para melhor servir o
> >> > chefão, entediado, que diabos de país é esse em que nem em dólar se 
> >> compra a
> >> > consciencia de algum cidadão. A visão futurista de uma ponte, metáfora
> >> > inédita e inspiradérrima de todo o burgo
> >> > > . As
> >> > > curvas não só das estradas de Santos que são como sempre quis Niemeyer 
> >> as
> >> > curvas da mulher amada e também das desalmadas. "Cidade, teu nome é 
> >> Mulher",
> >> > parece nome de filme, e é. Os pequenos corruptos espremidos na metade 
> >> carona
> >> > enquanto o grande, sózinho, espalhado, na metade dele,
> >> > interior/carro/movimento, e sem rebatedores, disse-me o grande mestre. 
> >> Sem
> >> > rebatedores? Em corte seco, não, maravilhas do digital, planos quase
> >> > idênticos sucedem-se sem brusquidão. Em um mesmo plano, ao levantar e 
> >> baixar
> >> > a cabeça do personagem magistral no seu linho italiano amarfanhado, se eu
> >> > fôsse mulher, se eu fôsse gata, vai-se sem corte um plano só, um plano
> >> > sequencia através dos tempos, não só, através dos planos do tempo
> >> > cronológico em pleno tempo dramático, o tempo do inconsciente, e
> >> > inconsciente tem tempo? do real ao imaginário ao delírio e de volta ao 
> >> real,
> >> > como diz o vulgo, três veis sem tirar, pobre de mim, mal guento uma.
> >> > > E fico eu aqui, feito um louco, desesperado, pra ver se não me enraba o
> >> > inimigo, a mim só não, a todos nós. É a estratégia do manso: de tanto 
> >> recuar
> >> > quem sabe nós num pega eles pela retaguarda. Só que de tanto recuar nós
> >> > voltamos ao mundo précolonial quando se acreditava que a terra era plana 
> >> e
> >> > ao chegar ao fim da fuga, discosta, mergulha-se sem querer no Abismo, 
> >> tambem
> >> > é nome de filme, e dos bons.
> >> > > Eu já fui lá, quiquei no fundo do poço, como contei pro Nelson e voltei
> >> > como o Ney em "Amuleto de Ogum", só que não sou de Ogum, sou Oxalufan e 
> >> de
> >> > Obaluaê. E quem me protege? Como no filme, rápidos flashes sucessivos,
> >> > velocíssimos, por onde andou minha razão, sim, São Miguel Arcanjo, 
> >> cercado
> >> > dos santos gêmeos meninos, Cosme e Damião, e pelas cortes dos erês,
> >> > guardiãos ou guardiães, é mera questão de opiniães, como o Rosa, e eu 
> >> tenho
> >> > medo até de falar, mas minha mãe de santo, minha madrinha, Vera de Ogum,
> >> > iorubá, me falou, não tenha medo, tenha orgulho de falar. Eu sou o santo
> >> > velho.
> >> > > "Podem me prender, podem me bater, que eu não mudo de opinião, daqui do
> >> > morro eu não saio não". Todos podem ter até a fôrça mas eu tenho a razão 
> >> e o
> >> > sentimento do mundo. Até mais ver. Essa eu vou tocar na rádio. Grobo. 
> >> Sergio
> >> > Santeiro.-
> >> > >
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