assunto: [CINEBRASIL] estamos em guerra

autor: Dioclécio Luz / email autor: dioclecioluz em terra.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Terça Outubro 9 20:17:04 BRT 2007


CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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pessoas
segue abaixo um artigo que peguei no clip do fndc, sobre o filme tropa de
elite. não concordo com nada que tem nele. distribuo pq representa um
pensamento dominante. mas vamos por partes..
1) quem é o autor? desconheço. é articulista do jornal o globo? leitor?...
mas é sintomático que estja no jornal o globo.
2) sua declaração: "Sim, porque comprar DVD pirata é uma atitude das mais
horrendas que um cidadão que paga impostos pode ter. Afinal, o cinema
brasileiro é subsidiado/incentivado pela Ancine, que recebe recursos
públicos, isto é, o filme é investimento nosso". ora, eu não sabia disso. se
o filme tropa de elite foi subsidiado por mim, então tenho direito de pagar
menos pelo ingresso no cinema, e de fazer cópias e distribuir com os amigos.
agora, se eu não tenho esta vantagem, então tenho direito, pelo menos de
comprar uma cópia por R$ 5. errado tá o sistema que pega meu dinheiro, bota
num filme, diz que eu tenho que pagar R$ 16, e não posso fazer cópia. 
3) outra declaração: "É claro que aceitarmos uma polícia enérgica também
ultrapassa qualquer pacto social, mas aí parceiro, guerra é guerra". este é
o argumento central do filme, guerra é guerra. desta forma gabriel darrigo
(quem é?) legitima as mortes, o bope, as torturas,... e toma como argumento
algo assim, do velho testamento, se eles fazem isso nós também podemos
fazer, olho por olho e dente por dente - exatemente como faz o nazista
george bush. guerra é guerra na opinião do bope. não é a minha. e de muita
gente. já disse aqui: me coloquem bem longe de um cara do bope, se o bope
for isso que mostrou o filme.
4) declara: "O filme é fantástico exatamente por provocar todo esse debate."
não é bem assim, o debate surge porque as pessoas estão incomodadas com o
filme e a forma com que ele lida com o problema. infelizmente parece que o
filme de josé padilha se apresenta como solução para um outro filme, o
documentário de salles. lá ele mostra que o problema é grande e não tem
solução a vista. padilha tenta provar (usando a opinião do bope) que tem a
solução, ou um paliativo. e padilha não pode dizer que é a opinião do bope e
não a sua - cinema tem responsabilidades. o diretor que escolhe. ele
escolheu isso. agora assuma.

dioclécio
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A guerra da 'Tropa de elite'
08/10/2007 | 
Gabriel Darigo 
O Globo Online 
Finalmente assisti ao filme "Tropa de elite" no cinema. Sim, porque comprar
DVD pirata é uma atitude das mais horrendas que um cidadão que paga impostos
pode ter. Afinal, o cinema brasileiro é subsidiado/incentivado pela Ancine,
que recebe recursos públicos, isto é, o filme é investimento nosso. Mas,
infelizmente, temos o "jeitinho brasileiro", a eterna mania de querer sempre
estar "se dando bem", mesmo que o "se dar bem" de hoje seja o problema maior
de amanhã. Por exemplo, aquele que trabalha numa loja de CDs e DVDs, ou
aquele que trabalha num cinema que fechou e, que, hoje, compraram o pirata,
amanhã, desempregados, vão reclamar com quem? 
Isso tudo está intrinsecamente ligado com toda a problemática do filme, que
com certeza esbarra no velho argumento de que a falta de oportunidade leva
os jovens das comunidades carentes ao tráfico. Será? Não sejamos hipócritas
de negar que as oportunidades para estes jovens são reduzidas e que foram
"esquecidos" pelo Estado. Mas como aceitar que um traficante decida o que as
pessoas da comunidade podem ou não fazer, se podem ou não andar na calçada.
Para mim, isto sim é fascismo, o chefe do tráfico impõe um verdadeiro regime
totalitário. Maldade não tem nada a ver com falta de oportunidade. Ora, como
explicamos todos aqueles também filhos diretos dessas mazelas sociais que
continuam firmes trabalhando e ganhando um salário mínimo? 

É claro que aceitarmos uma polícia enérgica também ultrapassa qualquer pacto
social, mas aí parceiro, guerra é guerra. Muito tem se falado das cenas de
tortura, dos excessos do Bope mostrados no filme, porém todos esquecem
daquela que, na minha opinião, é a cena mais forte do filme - os dois jovens
sendo executados de forma cruel, um inclusive no famoso "microondas". Isso
tem a ver com falta de oportunidade? Como resocializar um marginal que põe
fogo numa pessoa e fica assistindo? Talvez essa cena não choque tanto
porque, embora de crueldade ímpar, já se tornou banal em nossos noticiários
cariocas e até nacionais (pós-Tim Lopes). 
O que tem chocado a platéia não são as cenas de confronto da polícia com os
bandidos, porque essas, embora não sejam vistas no dia-a-dia pela maioria da
platéia, dada a fartura de reportagens são de fácil imaginação. O Bope com
certeza não é a solução para o tráfico, mas é um remédio paliativo, ou
melhor, um inibidor de apetite, esta voraz fome do tráfico de se tornar o
Estado dominante e não mais paralelo, impondo de vez o real regime
totalitário em que já vivem as comunidades carentes. 
Quanto aos "excessos" apontados, não vejo diferença entre estes e aqueles
que qualquer um de nós estamos sujeitos na mão dos traficantes, sejamos
moradores de favelas ou não. Outra questão levantada pelo filme é o
financiamento do tráfico pelos usuários de classe alta, os "playboyzinhos da
Zona Sul". É claro que é uma visão de um policial que, como sabemos,
dificilmente pertence a esta classe econômica, mas o fato é que o usuário
está tanto na Zona Sul como nas favelas. Assim, ninguém pode reclamar do
regime totalitário se o apóia de forma veemente. Por isso, discordo da
opinião de que legalizar é a solução, pois retomando o raciocínio do começo
do texto fica claro porque a legalização não acabaria com o problema. Ora,
se as drogas fossem legais, tributadas e vendidas em lojas por 2x, haveria o
"contrabando/tráfico" vendendo por x. E os amantes do "jeitinho brasileiro"
comprariam de quem? E o contrabandista não defenderia seus estoques, não
teria pontos de venda (bocas de fumo), não teria armas para combater a polícia? 
Por isso, só se pode legalizar quando estivermos num estágio de civilidade
acima do que estamos hoje, quando nos entendermos melhor como sociedade e,
principalmente, quando entendermos que não podemos ganhar sempre e que tudo
tem seu preço. Por isso, pague impostos e cobre nas urnas aquilo que deseja
diferente. Cada um tem sua parcela de culpa nessas questões. 
O filme é fantástico exatamente por provocar todo esse debate. E quem ficou
perplexo com o filme, leia o livro, que, aí sim, entenderá as entrelinhas do
filme, que não conta da missa a metade. Por enquanto, guerra é guerra, parceiro.

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Enviada por: "Dioclécio Luz" <dioclecioluz em terra.com.br>

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