assunto: [CINEBRASIL] "Memória para uso diário" e o Jongo da Serrinha em

autor: Antonio Paiva Filho / email autor: sombraseletricas em yahoo.com.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Quarta Dezembro 10 15:30:57 BRST 2008


perigo!!!
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Amigos,

Ontem, vi o documentário "Memória para uso diário", de Beth Formaggini. O
documentário fala da velha luta do grupo Tortura Nunca Mais e seus
integrantes em busca dos seus familiares, desaparecidos políticos (que
eufemismo mais mórbido...) durante a ditadura militar.

Claro, você, que não viveu os anos de chumbo nem quewr saber de ler sobre
isso, pensa: ih, mais um documentário militante e chato sobre os parentes
dos desaparecidos, o quanto estão indignados etc., etc.

Nada disso. O filme é muito bom, eficiente. Com um diferencial muito
interessante (e que tem a ver com a mensagem que o Mauro mandou sobre o que
aconteceu com o Jongo da Serrinha): também falam algumas mães moradoras de
comunidades carentes. Em comum: perderam os filhos fuzilados pela polícia -
tipo assim, mataram os rapazes "por nada, só de sacanagem", e depois
tentaram dizer que eram traficantes e morreram em confronto com a polícia. 

Por curiosa coincidência, a desculpa favorita do DOI-Codi para justificar
algumas das mortes de militantes presos e torturados era esta: morreram em
confronto.

O motivo de dar voz a estas mães é claro como água: traçar um paralelo entre
a política de repressão do regime militar e a ação atual da polícia
fluminense nos morros - especialmente agora, na gestão do dr. José Mariano
Von Beltrame.

Para os órgãos de repressão do regime militar, todo mundo era suspeito de
ser subversivo - mesmo com a prova em contrário.

Para a polícia do dr. Von Beltrame, todo jovem morador de comunidades
carentes que matam é traficante e pronto  - mesmo com a prova em contrário.

Ah, sim:

Para o regime militar, todos os que lidavam com cultura, além de
subversivos, eram "vagabundos" ou, no caso de mulheres, "putas" (os mais
velhos podem lembrar-se do general Façanha - é, o sobrenome do gorila era
esse mesmo) - mesmo com a prova em contrário.

Para o dr. Von Beltrame (e o neo-gorila já disse isso, na época de "Tropa de
Elite" - cujo roteiro, aliás e por curiosa coincidência, concorda com a
opinião dele), toda ONG que trabalha em comunidades carentes é cúmplice do
tráfico e pronto - mesmo com a prova em contrário.

O que explica o que aconteceu com a ONG Jongo da Serrinha.

Ah, sim (de novo):

Para o regime militar, ele SEMPRE estava certo - mesmo com a prova em
contrário de suas besteiras. E se não foi divulgada a besteira, é porque NÃO
ACONTECEU - ao menos, pelos olhos dos hierarcas da ditadura.

Para a polícia do dr. Von Beltrame... bem, leiam o que diz a assessoria de
imprensa da Secretaria de Estado (da Falta) de Segurança:

"(...)a assessoria da Secretaria estadual de Segurança Pública se limitou a
informar que 'toda operação policial gera um inquérito', e que 'se houve
excesso por parte da Polícia Militar, a Polícia Civil não constatou'."

A informação veio do blog do jornalista Sidney Rezende
(http://www.sidneyrezende.com/noticia/23793+prejuizos+ao+jongo+da+serrinha+a
inda+nao+foram+calculados), que comenta:

"As expressões religiosas de origem africana são vítimas de intolerância no
Brasil desde à escravidão. Justamente porque são cultuadas por negros e
simpatizantes. A brutalidade contra a propagação prosseguiu mesmo após o
período oficial de "libertação". E ainda hoje se vê que não são aceitas.
Terreiros de candomblé sofrem depredações com frequëncia, espíritas que
fundam sua crença nos deuses afros são discriminados e a diferença social
entre brancos e negros ajuda o aprofundamento do preconceito. A invasão da
sede da ONG Grupo Cultural Jongo da Serrinha, no Morro da Serrinha, em
Madureira, é só mais uma constatação do tamanho do nosso desrespeito com as
diferenças culturais".

Ou seja, dr. Von Beltrame, esconder os seus preconceitos contra o povo e as
besteiras de sua polícia é muito difícil, por causa de uma coisa chamada
LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Durante a ditadura - por causa de um troço chamado
censura - era mais fácil...

Ou é mais fácil agora com a cumplicidade dsa grande mídia, que não noticiou
esta expressão da barbárie com a importância que deveria?



ANTONIO PAIVA FILHO
http://www.sombraseletricas.xpg.com.br 
http://geocities.yahoo.com.br/sombraseletricas

--- Em qua, 3/12/08, Reis Mauro <mauroreis_bh em yahoo.com.br> escreveu:

Repassando o horror.

Mauro Reis


> From: Fernando José de Carvalho Paulino
> <fppaulino em ig.com.br>
> Subject: [conselhoculturanit] Jongo da Serrinha em
> perigo!!!
> To: fernando.polodenoticias em gmail.com
> Date: Wednesday, December 3, 2008, 1:07 PM
> 
> 
> 
>  
> 
> POLÍCIA INVADE E DESTRÓI A ESCOLA DE JONGO DA SERRINHA.
> Estamos estudando uma ação contra essa barbárie.
> 
> "O QUE INCOMODA NÃO É O GRITO DOS MAUS, MAS O
> SILÊNCIO DOS BONS"!!! Luther King
> 
> Luiz Carlos Gá
> 
> Olá Amigos e Amigas, 
> 
> Depois de se meter na trapalhada de ocupar o espaço de uma
> creche no Morro Dona Marta que atendia a 120 crianças para
> transforma-la em uma Posto Policial, a política de
> "segurança" do Governo do Estado do Rio de
> Janeiro, em mais uma de suas atuações truculentas em
> comunidades populares, invadiu na manhã desta última
> sexta-feira a comunidade da Serrinha em Madureira. 
> A operação para prender traficantes, sem qualquer
> planejamento como são as recorrentes invasões de favelas,
> além de botar a vida dos moradores em risco, cometeu um
> crime contra a cultura e as tradições populares do Rio de
> Janeiro, uma vez que destruiu móveis, utensílios e as
> dependências da Escola de Jongo do Grupo Cultural Jongo da
> Serrinha um dos maiores símbolos da preservação da
> memória e das tradições jongueiras - matriz de uma das
> principais expressões da cultura popular do Rio - o Samba.
> Abaixo segue um artigo escrito pelo Desembargador Siro
> Darlan, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da
> Criança e do Adolescente, que dá a idéia do quão absurda
> tem sido a atuação da polícia quando intervém em
> comunidades populares e do quanto não há respeito às
> tradições de cultura e às intervenções da sociedade
> para assegurar à crianças e jovens direitos e
> possibilidades que as políticas públicas deveria mas não
> dão conta. 
>  
> Abraços,
> 
> Junior Perim
> 
> SERRINHA, Capital do jongo e do samba.
> 
> SIRO DARLAN DE OLIVEIRA
> 
> PRESIDENTE DO CONSELHO ESTADUAL DE DEFESA DO DIREITOS DA
> CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
> 
> O Rio de Janeiro está sediando o 3º Congresso
> Internacional de Combate às Violências sexuais contra
> crianças e adolescentes. E, paralelamente, a menos de 50
> quilômetros do Rio Centro, a polícia dá mais uma
> demonstração de despreparo e desrespeito às populações
> mais carentes.
> Assim como fizeram na ocupação violenta do Complexo do
> Alemão, quando deixaram todas as crianças fora das escolas
> por mais de 60 dias, acabam de destruir um dos raros
> espaços culturais e educacionais existentes em comunidades
> empobrecidas, ao atacarem com fúria e violência a
> população da Serrinha sob o pretexto, aplaudidas por
> alguns desavisados cidadãos, de combater os comerciantes de
> drogas, que por incompetência da policia de fronteiras e
> falta de políticas públicas, obrigação dos governos
> estaduais e municipais.
> O Jongo da Serrinha é um dos mais tradicionais grupos de
> cultura do país tendo recebido diversos prêmios por seu
> trabalho artístico e social. Com 40 anos de história, o
> grupo de Madureira foi fundado por Mestre Darcy e sua mãe,
> Vovó Maria Joana Rezadeira que, preocupados com a
> extinção do jongo na cidade, transformaram a antiga dança
> praticada nos quintais da Serrinha num espetáculo. 
> O Morro da Serrinha, localizado na zona norte do município
> do Rio de Janeiro, é uma comunidade urbana com
> aproximadamente 5.000 moradores na sua maioria negros. Com
> cerca de 110 anos de existência, a Serrinha é uma das
> primeiras favelas do país, tendo recebido no início do
> século passado um enorme contingente de escravos negros
> recém-alforriados. Os moradores da Serrinha constituíram
> um núcleo religioso e cultural potencial, visitado não só
> pelos moradores das cidades próximas, como também por
> jornalistas, artistas e turistas de vários pontos do Estado
> do Rio, do Brasil e exterior, interessados em cultura e
> tradições afro-brasileiras. 
> O Jongo é uma herança cultural trazida pelos negros
> bantos que vieram da região do Congo-Angola, na África,
> para as fazendas de café do Vale do Paraíba no século 19
> que ficou preservado na região. Graças a uma iniciativa do
> grupo, o ritmo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio
> Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2005, como o
> primeiro Bem Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Ao
> transformar a antiga dança de roda num espetáculo, Mestre
> Darcy e Vovó Maria inovaram ao introduzir violão e
> cavaquinho no jongo e ao ensinar crianças a dançar,
> antigamente só permitido aos "cabeça branca",
> criando uma nova referência do jongo na cidade e garantindo
> sua sobrevivência no contexto da globalização.
> Em sua trajetória de resistência, o Jongo da Serrinha se
> transformou em uma das mais genuínas referências da
> cultura carioca e vem se apresentando em diversas cidades do
> Brasil e exterior divulgando e preservando o ritmo com
> espetáculos de alta qualidade. 
> Em 2000, o grupo criou a ONG Grupo Cultural Jongo da
> Serrinha (GCJS) para desenvolver estratégias de
> preservação da memória da comunidade Serrinha e do jongo
> e de educação e capacitação profissional para jovens e
> crianças, através da Escola de Jongo (EJ). Recebeu
> diversos prêmios entre eles o Escola Viva (2007), Cultura
> Nota Dez (2006), Cultura Viva (2006), Itaú-Unicef (2007 e
> 2005), Petrobrás Rival BR (2002), Orilaxé (2002) e o
> prêmio mais importante do Ministério da Cultura, a Medalha
> de Ordem ao Mérito Cultural (2003). 
> A ONG tem, em linhas gerais, duas missões institucionais:
> educar crianças e jovens através da arte e da memória e
> preservar o jongo como patrimônio imaterial através da
> produção cultural, gerando trabalho e renda.
> A Escola de Jongo é o projeto sócio-educativo do Grupo
> hoje patrocinado pela Petrobrás, Criança Esperança e
> Ministério da Cultura. A Escola valoriza e fortalece laços
> familiares, comunitários e a identidade local, preservando
> o Patrimônio Imaterial do jongo criando alternativas de
> geração de trabalho e renda. A base pedagógica da Escola
> de Jongo é fundamentada na cultura e memória locais. A
> Escola de Jongo atende a cerca de 120 crianças e jovens,
> diariamente em dois turnos, com aulas de música (canto e
> percussão), dança (afro e jongo), teatro, capoeira angola,
> cultura popular, leitura e Griôs (contadores de história).
> 
> O GCJS também cria produtos (discos, livros, filmes, etc),
> pesquisa, reúne, organiza e produz acervo audiovisual sobre
> o jongo, a Serrinha e a cultura popular brasileira e
> africana.
> Como ONG, está inserido em diversas redes do terceiro
> setor e conta com o apoio de vários parceiros
> institucionais. Para elaboração de metodologia pedagógica
> e planejamento estratégico participa das Redes Social da
> Música, Rede Circo Social e Rede de Memória do Jongo. A
> instituição conta ainda com o apoio da Unesco, FASE/SAAP,
> G.R.E.S. Império Serrano e artistas entre eles Paulão Sete
> Cordas, Letícia Sabatella, Sandra de Sá, Beth Carvalho,
> Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Jorge Mautner, Arlindo Cruz,
> entre outros.
> Pois essa rara escola de cultura e tradição acaba de ser
> destruída pela incompetência dos policiais do Senhor
> Beltrame que sob pretexto de combater a violência, usando
> da mesma, deixou órfãos crianças e jovens que mesmo tendo
> sido roubados em seus direitos fundamentais de cidadania,
> porque lá o governo não chega com creches, educação,
> saneamento básico, se dedicavam a preservação de sua
> cultura e arte, mas tal qual o exército nazista foram
> atacados por fuzis e armas pesadas, enquanto se defendiam
> com sua chupetas, mamadeiras e o som de seus jongos e
> instrumentos. Até quando, Governador, insistirão nessa
> política de desrespeito ás crianças do Rio de Janeiro.
> Não seria a hora de usar um pouco de respeito e
> inteligência?
> Junior Perim
> Coordenador Executivo
> CRESCER E VIVER
> Rua Benedito Hipólito, s/n (Lona de Circo) - Praça Onze -
> Cep.: 20.211-130 - Rio de Janeiro/RJ
> Tel.: (21) 3972-1391 E-mail: junior em crescereviver.org.br
> 


Enviada por: Reis Mauro <mauroreis_bh em yahoo.com.br>





Enviada por: Antonio Paiva Filho <sombraseletricas em yahoo.com.br>

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