
autor: Francis Vale / email autor: francisvale em fortalnet.com.br
RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Quarta Outubro 8 17:26:52 BRT 2008
CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Cynthia
Em primeiro lugar, quero louvar sua iniciativa de pesquisar modelos
alternativos de exibição. Afinal, a exibição continua sendo( a meu ver) o
principal problema do cinema brasileiro.
Antes de lhe dizer o que penso sobre as maiores dificuldades na exibição do
filme brasileiro, gostaria de contar uma história sobre "distribuição" de
outros produtos. É o seguinte: tenho um amigo que tem um bar, onde o principal
produto é uma determinada marca de cerveja, que vende mais de mil garrafas por
semana. No entanto, o distribuidor da cerveja somente lhe vende a quantidade
de garrafas que ele pretende se comprar também uma quantidade elevada de
refrigerantes de pouca procura. Ele é obrigado a submeter-se à imposição do
distribuidor, vender os refrigerantes por preços abaixo do mercado,
compensando-se com o lucro certo da cerveja. Se não quiser os refrigerantes,
fica sem aquela marca mais procurada e cai no prejuízo.
O caso da distribuição cinematográfica é semelhante. O distribuidor dos filmes
norteamericanos de grande sucesso de bilheteria ( "Homem Aranha", "SuperMan,
etc)também condiciona o aluguel das cópias dos "sucessos" à aceitação de um
determinado número de filmes norteamericanos que já se sabe antecipadamente
que não farão boa bilheteria. E assim, as salas de exibição tradicionais são
ocupadas pelos filmes das grandes distribuidoras norteamericanas.
Por outro lado, quando você tiver notícia de um filme brasileiro que está
fazendo sucesso de bilheteria e ficando em cartaz por mais de duas semanas,
pode ir conferir que a distribuidora é norteamericana e está cumprindo o
número de dias que a lei reservou ao cinema brasileiro. Claro, que há
exceções. Para confirmar a regra.
Como vemos, a situação do cinema não é muito diferente da cerveja. Nenhum
exibidor que pretenda se manter no ramo vai deixar de aceitar as imposições
das distribuidoras. Porque a sobrevivência dele depende dos filmes de sucesso
que ficam em cartaz por várias semanas, de casa cheia.
Enquanto o Poder Público não intervier nesse assunto com seriedade, o cinema
brasileiro vai continuar nessa situação: produzir bastante para encher as
prateleiras. E o povo fica sem ver um cinema que ele paga com os impostos que
o fisco recolhe.
É isso que penso. Até que me demonstemn o contrário.
Um abraço do
Francis Vale
> Olá a todos,
>
> aproveitando as discussões recentes aqui na lista (exibição digital
> e a questão do fim dos festivais), gostaria de colocar mais lenha na
> fogueira.
>
> Estou fazendo uma pesquisa sobre modelos alternativos de
> distribuição cinematográfica e quero colocar uma pergunta para os
> produtores, cineastas e demais membros da lista:
>
> PARA VOCÊS, QUAIS SÃO AS MAIORES DIFICULDADES NA DISTRIBUIÇÃO DO
> FILME BRASILEIRO HOJE?
>
> Desde já, muito obrigada pela atenção,
> Cynthia Zaniratti
> Mestranda em Ciência da Informação/UFMG e gestora cultural
>
> --- Em seg, 6/10/08, Marcos Manhães Marins <marcos em cinemabrasil.org.br>
> escreveu:
> De: Marcos Manhães Marins <marcos em cinemabrasil.org.br>
> Assunto: Re: [CINEBRASIL] MAIS UMA DO BARRETÃO: Sindicato quer
> acabar com Para: cinemabrasil em cinemabrasil.org.br Data: Segunda-
> feira, 6 de Outubro de 2008, 14:36
>
> CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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>
> Concordo neste ponto inteiramente com Roberto Farias. Vejam abaixo.
> Precisamos reler o que Barreto falou à imprensa, pois não faz
> sentido algum terminar com os festivais, para sobrar mais dinheiro
> para a produção, visto que não fez sentido produzir se não for para
> exibir, e a exibição DE CINEMA começa quase sempre pelo circuito de
> festivais. Quem tem o texto original?
>
> Selo para elitizar festivais, limitar a uma meia-dúzia nas grande capitais?
>
> Penso que tem de se investir nas duas coisas: na produção e na exibição.
>
> Na Produção, com os editais e com outros tipos de financiamento para
> casos de sucesso comercial mais amarrados, com base em pesquisas de
> audiência e coisas assim. Tem o filme de estreante, e tem o filme de
> arte que tentam dar ao público algo que ele pode gostar muito mesmo
> sem conhecer, que deve contar com fundos perdidos, patrocínios
> limitados. Tem o filme de empresas do ramo, com experiência para
> garantir o sucesso da empresa através de um LOTE de filmes de
> diversos produtores, como as que operam FUNCINES, e o filme de
> empresas do ramo, com experiência própria de anos, que podem
> garantir o sucesso, através do controle de conteúdos, para que o
> filme seja o que o público diz querer assistir, e que poderiam pegar
> empréstimo incentivado, mas não necessariamente patrocínio a fundo perdido.
>
> E na Exibição em várias frentes também. Há a necessidade de se expandir
> o número de salas comerciais para emplacarmos a proporção de uma sala
> comercial por cada 30.000 habitantes (nos EUA é cerca de 1:10.000), e
> para estas deve haver linhas de crédito incentivadas, não o fundo perdido.
> Parece que o FUNDO SETORIAL terá carteiras neste sentido. O BNDES também
> mantém, mas precisa ser ACELERADO (PAC do Cinema?). Assim como há a
> necessidade de SE MANTER e incentivar a fundo perdido as iniciativas
> das mostras, dos festivais nos mais longíquos lugares do país, e
> também dar recursos para que se consolidem pelo menos mais 2200
> pontos de exibição não comerciais (cineclubes, pontos de cultura)
> pelo Brasil a dentro. A dobrar o número de salas, já que temos
> apenas 2200 salas comerciais.
>
> Infelizmente, no Brasil não temos GRANDES ESTÚDIOS que tenham cacife
> para se juntarem e investirem na modernização do parque de salas de
> cinema como está ocorrendo nos EUA. Dependemos muito do ESTADO, mas é
> função dele, neste estado lamentável que o cinema se encontra no
> Brasil, de investir. Não há necessidade de se REGULAR a
> nacionalidade dos donos de cinema, e pode-se incentivar que façam
> mais salas no Brasil, se assim quiserem. O que é preciso REGULAR é a
> ocupação do mercado com conteúdo estrangeiro. Para garantir que os
> donos de cinema (brasileiros e/ou estrangeiros) não vão tomar
> prejuízo, há de se investir COM PRIORIDADE em DISTRIBUIDORAS
> ESPECIALIZADAS NO FILME BRASILEIRO, o que parece que não temos aqui
> neste país. Temos as que são escritórios das MAJORS de Hollywood. E
> as brasileirinhas, pequeninas distribuidoras, que não têm recursos
> para enfrentar as grandes e comprometidas em escoar o cinema de suas
> matrizes. Ninguém fala nisso. O Brasil está produzindo 80 filmes
> profissionais de longa-metragem por ano. Hollywood produz 250, por
> aí. Só que eles lá têm EXPERTISE para programar regionalmente, nacionalmente
> e internacional, para o público certo de cada filme, que aqui,
> parece, não se sabe fazer. Todo filme parece que tem a obrigação de
> atingir o público geral, e acabamos com a maioria dos filmes
> brasileiros atingindo a 20.000 pessoas, um abuso com o dinheiro
> público. Uma ponte de aço e concreto que custa no mínimo R$ UM
> MILHÃO e por onde passam 20 mil pessoas e só. Depois recolhe-se a
> ponte, e fica recolhida por anos e anos. Pode?
>
> Dá para ganhar dinheiro com filme brasileiro. No entanto, vemos Globofilmes
> e Luiz Carlos Barreto, grandes produtores de filmes, lamentando o insucesso
> dos seus longas-metragens. O que está errado? Falta dinheiro, mas dinheiro
> não é tudo. Com vontade política nossa, e do Estado, a coisa vai.
>
> O cobertor não é tão curto para ter de se descobrir a cabeça para cobrir
> os pés. A atividade audiovisual tem de COBRAR a execução do PAC da
> Cultura, a execução do FUNDO SETORIAL DO AUDIOVISUAL, a execução dos
> planos para a TV PÚBLICA. Tudo ao mesmo tempo, e já, porque o TEMPO
> não é nosso aliado. O público está fazendo EVASÃO direto, não querem
> mais o tipo de cinema que lhe é ofertado pelo mercado. O MERCADO, o
> mais comercial, tem de se atualizar, ou vai enfrentar o que enfrentaram
> oa GRANDES BANCOS americanos, tão cheios de si, dando nota para nossa
> economia, e incapazes que foram de gerir a economia deles. O ESTADO
> tem de soltar as rédeas, acreditar no PRÉ-SAL de verdade, e investir
> no cinema, no país. A ATIVIDADE tem de se movimentar, porque já faz
> tempo que há um marasmo visível a olhos nús por parte das entidades
> que representam o setor. Sozinha a coisa não anda, e deixa espaço
> para que uma simples declaração equivocada dada à imprensa já ponha toda
> a atividade em polvorosa. Sem pânico, mas com muita determinação,
> o SETOR AUDIOVISUAL BRASILEIRO tem de ser repolitizar, se
> reorganizar, para continuar a sua trajetória rumo a um AUDIOVISUAL
> BRASILEIRO UNIDO E DE ALTA QUALIDADE ARTÍSTICA E TÉCNICA.
>
> Grande Abraço,
> Marcos Manhães Marins
> CINEMABRASIL.org.br
>
> Enviada por: Cynthia Zaniratti <cpzani em yahoo.com.br>
>
>
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