assunto: [CINEBRASIL] LUIZ CARLOS BARRETO. REALIZAÇÃO E AÇÃO

autor: Marcos Manhães Marins / email autor: marcos em cinemabrasil.org.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Terça Setembro 30 13:45:41 BRT 2008


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Segue um trecho de um capítulo do Livro O CEARÁ E O CINEMA,
de F. Silva Nobre - que homenageia os cearenses:
LUIZ SEVERIANO RIBEIRO,
ZELINO VIANA,
JOSÉ WILKER,
MILTON MORAIS,
FLORINDA BOLKAN,
RENATO ARAGÃO,
E LUIZ CARLOS BARRETO, entre outros.

--------- início da reprodução ------------

CAPÍTULO 4

LUIZ CARLOS BARRETO. REALIZAÇÃO E AÇÃO 

Glauber Rocha, considerado o autêntico pontífice do novo cinema brasileiro,
depois de ressaltar o movimento que se verificava em nossos meios de
f1rodução fílmica em janeiro de 1962. apontou Rex Schindler e o
jornalista-fotógrafo Luiz Carlos Barreto como as "molas básicas dessa
agitação" e particularizou: "O repórter fotográfico Luiz Carlos Barreto,
escrevendo de parceria com Roberto Faria a estória do bandido Tião Medonho e
co-produzindo O Assalto ao Trem Pagador, trouxe para o cinema brasileiro uma
contribuição das mais sérias e con· seqüentes." Foram, ainda, palavras
textuais do cineasta de Deus e o Diabo na Terra do Sol: "Luiz Carlos Barreto
produziu em seguida Garrincha. de parceria com Armando Nogueira, sob a
direção de Joaquim Pedro; produziu e fotografou Vidas Secas, de Nelson
Pereira dos Santos; interferiu no destino de várias outras produções,
retirou o cinema novo do isolamento, fez contatos e dinamizou todos os
quadros existentes." (Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, Editora
Civilização Brasileira, 1963.) 
Ao escrever seu dignificante testemunho, Glauber estava levando em conta
apenas os balbúcios de uma carreira que desabrochava. Eram, sem dúvida.
tentativas heróicas para elevar o padrão de nossa produção fílmica,
desaparelhada e desassistida financeira, técnica e artisticamente; da
batalha do desenvolvimento - já que não devemos falar de renovação de algo
que apenas teve o seu clímax em esforços sobre-humanos de uns poucos e
teimosos pioneiros -, o cearense Luiz Carlos Barreto tem sido, desde então,
em todos os momentos, um dos principais generais e estrategistas, Sua
atuação se es-
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tendeu não apenas à produção, mas assomou com sua voz às trincheiras da mais
intensa luta de idéias para a construção de um verdadeiro Cinema Brasileiro. 
Natural da cidade de Sobral, onde nasceu em 1929. 
Luiz Carlos Barreto demonstrou bem jovem gosto pela fotografia de
reportagem; com cerca de 20 anos, já se encontrava no Rio de Janeiro,
trabalhando na imprensa, Como fotógrafo, é claro. Espírito irrequieto,
desejoso de sempre conhecer novas coisas, gentes e paisagens, conseguiu que
a revista O Cruzeiro, pertencente à cadeia dos Diários Associados, de Assis
Chateaubriand, o mandasse à Europa, onde aproveitou para documentar o mundo
dos festivais cinematográficos de Cannes e Veneza. Tomou gosto pelo que viu
e decidiu que no cinema estava o seu futuro. 
Assim, de volta ao Brasil, esperou o momento de penetrar no mundo da sétima
arte; procurava algo de impacto, que estivesse dentro do campo de atividades
em que estava inserido. Foi quando aconteceu, em Japeri, nas proximidades do
Rio de Janeiro, a aventura de Tião Medonho, que planejou e executou com o
seu bando, à moda dos maiores gangsters internacionais, o assalto ao trem
pagador da Estrada de Ferro Central do Brasil, o caso alcançou repercussão
nacional e foi o prato que alimentou por meses seguidos os jornais ávidos de
sensacionalismo. 
Barreto viu chegada a hora que esperava: fotografou. juntou elementos,
pesquisou os antecedentes dos principais envolvidos na ocorrência, imaginou
situações e expôs suas idéias a Roberto Farias, que realizara o filme
policial Cidade Ameaçada, e os dois, juntos, escreveram o argumento, que se
encarregaram de realizar, cada um no seu próprio setor: Farias na direção,
Barreto na fotografia. Como co-autor da história, Roberto Farias procurou
minimizar a participação de Barreto, considerando-o apenas como "um
interlocutor nesse trabalho", mas logo acrescentou: "Conversávamos,
trocávamos idéias, depois eu ia para casa e escrevia. Apesar disso, a
colaboração dele foi bastante produtiva," ["Dossiê RF", FILME E CULTURA n.O
15). No papel do protagonista, Eliezer Gomes, ator praticamente
desconhecido, logrou êxito consagrador; em que pese a algumas deficiências
técnicas, o sucesso da 
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película animou o cearense, mais do que os outros, a prosseguir na
empreitada fílmica.


-------------- fim da reprodução -----------------

Grande Abraço,

Marcos Manhães Marins
CINEMABRASIL.org.br

Enviada por: Marcos Manhães Marins <marcos em cinemabrasil.org.br> 

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