assunto: [CINEBRASIL] A reunião (do Copom) terá que ser televisionada!

autor: Carlos Alberto de Almeida / email autor: betho em senado.gov.br     RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Quinta Abril 23 18:51:24 BRT 2009


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> >  <<Imagem (metarquivo)>> 
> JORNALISMO ECONÔMICO
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> A reunião (do Copom) terá que ser televisionada!
> 
> Por Beto Almeida em 21/4/2009
> >  <<Imagem (metarquivo)>> 
> "...a dor da gente não sai no jornal" (Luiz Reis e Haroldo Barbosa)
> Apesar de o presidente Lula pregar a redução dos juros praticamente todos
os dias, apesar de o vice-presidente José Alencar reclamar diuturnamente que
"o nosso discurso de campanha de 2002 ainda não chegou ao poder", forças
aparentemente misteriosas e supostamente sobrenaturais fazem com que o
Brasil ainda tenha a mais elevada taxa de juros do mundo. O que acontece de
fato? Inspirados no título do excelente documentário A revolução não será
televisionada, reivindicamos aqui que o palco onde estão sendo tomadas todas
as decisões para manter os juros nas alturas > ->  a Reunião do Comitê de
Política Monetária > ->  precisa ser iluminado, precisa ser escancarado à
opinião pública, precisa ser didaticamente televisionado.
> É passada a hora de revelar com clareza e sem subterfúgios de um economês
propositalmente indecifrável quais são estas forças que estão sabotando o
presidente e o vice-presidente. É preciso um novo jornalismo capaz de
revelar que forças são estas que estão sabotando os que trabalham, sabotando
o pequeno empresário, sabotando o agricultor familiar, sabotando a aplicação
criativa e produtiva de recursos empoçados, estagnados e esterilizados em
títulos da dívida pública.
> A república dos rentistas
> É preciso que a televisão cumpra o seu objetivo social de esclarecer o
papel anti-social e anti-nacional dos que sabotam e impedem a aplicação
deste crédito empoçado na geração de empregos, seja construindo casas,
estradas, hospitais, ferrovias, ou fabricando roupas sapatos, móveis e
utensílios domésticos que as enxurradas levam a cada nova chuvarada. Enfim,
quando será que esta maravilhosa tecnologia que é a televisão terá o uso
didático e educativo para > ->  televisionando a Reunião do Copom > ->
revelar quais são os que defendem os juros altos, com o seu linguajar
enrolado, sua insensibilidade de grande organizador das derrotas do mundo do
trabalho, levando a pequena produção à falência, as cooperativas à
paralisia, os assentamentos da reforma agrária ao desesperante beco sem
saída e toda uma geração sem rumo para o crime? Quem é o maior criminoso?
Uma juventude proibida de trabalhar e tangida para a prisão ou os que
produzem as políticas que levam toda uma geração para o crime e a prisão?
> Que estupendo efeito político teria sobre a sociedade brasileira a simples
colocação na tela, e com explicações didáticas e compreensíveis sobre
economia, de todos os que impedem que este país saia da crise pela via da
produção de bens do consumo necessário, ao invés de criminosamente fazer
rodar apenas a especulação estéril que tão somente cria uma república dos
rentistas > ->  a dos que enriquecem sem trabalhar > ->  e a outra, a dos
que trabalham e produzem escravizados pelos rentistas, ou gostariam de
trabalhar e de produzir, se esta oportunidade não estivesse sendo
criminosamente sabotada na cara de todos nós! Afinal, para que serve tanta
televisão? Afinal, para que serve uma TV pública?
> Técnico e político
> Observa-se toda uma tentativa dos meios de comunicação capturados pela
tirania vídeo-financeira privada de desmoralizar algumas das tímidas mas
acertadas medidas de Lula para facilitar o acesso ao crédito, para baixar os
juros, para estimular a produção. Durante seis anos de governo, apesar da
chiadeira diuturna e militante do vice-presidente José Alencar denunciando
os juros altos como sabotagem à produção e à geração de emprego, apenas
muito suavemente se observa uma redução parcial nos juros. Mas, as
resistências são gigantescas. Os comentaristas da tirania vídeo-financeira >
->  os mesmos que recomendaram as políticas neoliberais de Estado m> ínimo e
desregulamentação que levaram à crise do capitalismo atual > ->  agora
tentam esconder sua responsabilidade incontornável pela crise fugindo para a
frente.
> Um verdadeiro tom de campanha é que o que vemos no tratamento nada
jornalístico sobre a recente demissão do presidente do Banco do Brasil,
apresentada como se fosse uma temerária intervenção política de Lula numa
instituição financeira que "está dando certo". Ora, dando certo para quem,
se o banco público, desafiando Lula e José Alencar, chegou a praticar os
mais elevados juros do mercado? Dando certo para quem, cara pálida? Tenta-se
passar a idéia de que baixar juros é voluntarismo político, ao mesmo tempo
que indicam que juros altos é responsabilidade técnica. Seria esta a única
alternativa que não merece qualquer crítica. Ora, por que elevar os juros às
alturas não é também uma clara opção política pela especulação, pelo
rentismo que enriquece ricos, uma clara escolha contra os que querem
créditos para a produção? Isto é opção política, sim, e opção preferencial
pelos ricos!
> Esterilização no superávit primário
> Se a televisão simplesmente colocasse este tema em debate > ->  hoje, há
nas telas apenas a defesa da tese subliminar de que juros altos é prova de
responsabilidade técnica e que juros baixos é populismo e intervencionismo
político > ->  já seria uma enorme contribuição para elevar a compreensão na
sociedade brasileira sobre quem são os que querem produzir e quais os que
querem manter o dinheiro empoçado, esterilizado e rodando apenas a
especulação financeira para enriquecer os já ricos.
> Por exemplo, se a TV cumprisse sua função pública definida na Constituição
e veiculasse todas as opiniões em torno da decisão governamental de reduzir
o superávit primário, sobretudo aquelas que estão vedadas atualmente nas
telinhas, como o argumento de que com uma maior aplicação de recursos na
produção, em obras públicas, deverá trazer efeitos concretos e benéficos
seja lá nos grotões mais isolados da sociedade brasileira e até ao mais
simples pipoqueiro ou vendedor de bandeirolas nos estádios de futebol, já
seria uma relevante contribuição prática para a democracia da informação.
Superemos as discussões conceituais intermináveis, pratiquemos democracia
informativa. Este argumento hoje não é veiculado, não circula, é sonegado
pela TV privada.
> Também é preciso divulgar que a redução do superávit primário permitirá,
por exemplo, aumentar em 15 bilhões o volume de investimentos da Petrobrás
no pré-sal, na construção de novas refinarias. Debatamos: que efeitos isto
trará na indústria naval, no fortalecimento do poder aquisitivo dos
trabalhadores, nos índices de emprego formal, na arrecadação da previdência,
no comércio de bens da indústria leve? Esta é a missão pública da televisão.
Antes desta decisão > ->  sim, de verdade uma decisão política de Lula > ->
estes recursos ficavam esterilizados no superávit primário.
> Desperdício de oportunidades
> Entrevistado pela TV Globo sobre o tema, um "especialista", destes sempre
convidados para defender redundantemente a mesma tese, definiu candidamente
por que a redução do superávit primário não era medida recomendável: "Isso
pode gerar intranqüilidade nos credores externos". Quais credores externos
ficariam intranqüilos? Os que estão indo à bancarrota nos EUA? Os que estão
pregando novo calote no sistema financeiro internacional através da
impressão (não emissão) de mais dólar furado, moeda sem lastro, papel
pintado, mas com capacidade de comprar uma riqueza real, não fictícia, como
a Vale do Rio Doce ou ações da Petrobrás?
> É de se lamentar que não tenhamos uma televisão com a decisão suficiente
para fazer cumprir o direito dos brasileiros à informação plural,
diversificada, com caráter educativo como estabelece a Constituição. Na
quarta-feira (15/4), reconstruída a bancada das "Meninas do J> ô", uma delas
chegou a sentenciar "Este país acabou!" Não se ouviu uma crítica sequer ao
epicentro da crise, que está no coração do capitalismo, os EUA, país que
estes "comentaristas" têm como modelo. Aliás, ouvimos ontem (16/4) na CBN
uma pérola analítica sobre a redução do superávit primário no Brasil: aqui,
esta medida é temerária, dizem eles, porque aqui se dá calote (mas o Brasil
não pagou a dívida com o FMI?), mas nos EUA é diferente porque, segundo os
dois comentaristas, "lá, trata-se de um endividamento sério e responsável".
> Será que não viram o presidente chinês advertindo os EUA para que honrem
sua monumental dívida financeira com a China? Endividamento sério e
responsável com a impressão de papel moeda sem lastro que a economia mundial
tem que aceitar? Por que o Brasil não poderia emitir moeda a partir de
riqueza real, o petróleo pré-sal, o urânio, a maior jazida conhecida de
nióbio do mundo? Aí seria populismo, intervencionismo político na economia!
Nunca estes outros ângulos ganham espaço para a discussão democrática na
televisão capturada pela ditadura do mercado, que impõe o seu "dirigismo
editorial de pensamento único".
> Enquanto na Globo se recompõe a bancada das "Meninas do Jô", permitindo
prever o que vem por aí > ->  uma espécie de reedição da campanha do
mensalão, que tentou em vão impedir a reeleição de Lula > ->  a TV Brasil,
no mesmo horário, parecia estar em outro país: estava exibindo o Sem Censura
reprisado, com uma dupla caipira e um apresentador do Fantástico falando de
suas viagens pelo mundo. Convenhamos, é um desperdício de oportunidades. Por
que não realizar com a freqüência gritantemente necessária mesas de debate
ao vivo, com a participação do público, convidando todas as vozes
normalmente proscritas nas emissoras da tirania vídeo-financeira? Quem
proíbe? Quem não se anima? Os mesmo que sabotam o discurso de Lula e de José
Alencar a pregar no deserto, por mais de 6 anos, a queda dos juros?
> A função pública constitucional
> É hora de audácia. A mesma audácia presente na determinação do presidente
Lula em retirar o Banco do Brasil do esquema de sabotagem aos que querem
produzir e trabalhar, mudando seu presidente e sua orientação, deveria estar
presente também na TV Brasil, que pode muito bem inaugurar um novo
jornalismo. Um jornalismo que faça o contraponto democrático a este que
predomina nas emissoras prisioneiras da tirania vídeo-financeira, repetindo
no plano comunicacional a mesma concepção que rege a fraude monetária
especulativa que levou o mundo à crise econômica atual.
> Moeda sem lastro, moeda falsa, moeda fictícia, acompanhada de informação
que não revela o potencial do mundo do trabalho, do mundo da produção e
constrói uma realidade falsa, normalizando a especulação, na qual qualquer
outra visão que proponha uma revolução produtiva é liminarmente excluída de
divulgação, é sonegada e, sem direito de defesa, taxada de intervencionismo
político no mundo financeiro, de populismo. A partir daí, resta apenas a
sacrossanta opção, igualmente política, de que responsabilidade fiscal e
financeira só e somente só é possível com os juros altos. Paralela à fraude
monetária, ocorre uma fraude midiática. Elas se realimentam.
> Que tal colocarmos tudo isto em debate? Afinal já estamos há 45 anos do
golpe militar de 1964. Que tal revelarmos as forças nada sobrenaturais ou
misteriosas que na Reunião do Copom, protegidas pelo linguajar economês
impenetrável, continuam a defender, apesar do colapso do capitalismo, os
indecentes privilégios dos banqueiros que recusam a aplicação dos recursos
na produção e geração de emprego e renda? Que tal inaugurarmos o debate
sobre a função dos bancos públicos que poderiam seguir de fato a orientação
do presidente da República e do seu incansável vice-presidente e terem,
finalmente, audácia de colocar em prática o discurso da campanha de 2002?
Que tal ampliarmos mais ainda o debate sobre o papel da televis> ão,
sobretudo sobre a obrigação das emissoras de cumprirem a função pública
inscrita na Constituição?
> Diálogos de descerebrados
> Por que a reunião do Copom não pode ser televisionada se ali são tomadas
decisões que levam milhões e milhões de pequenos empresários e pequenos
agricultores à falência e à ruína e se ali são inviabilizados, com uma
simples canetada baseada em pesquisas encomendadas pelos próprios bancos
(pesquisa Focus) inúmeros projetos de emancipação nacional? Não será um
direito constitucional do povo brasileiro saber de cor e salteado quem são
os que sabotam a desesperante e inadiável necessidade de reduzir os juros?
Não será uma obrigação da TV pública mostrar, revelar, explicar o que
acontece nestas reuniões onde se decide ou a tragédia dos que são impedidos
de produzir ou a cadeia da indecente felicidade dos que enriquecem sem
trabalhar e produzir?
> Se televisionam um sujeito animalizado surrando um outro até sangrar, se
há canais televisionando leilões de gado, tapetes ou jóias, ou oferecendo o
sexo-mercadoria, se são televisionados os mais indigentes diálogos de grupos
de descerebrados a debater a edificante questão do sexo anal por satélite
nos Big Brother, se somos obrigados a ver mais de mil horas de TV
estimulando o consumo de cerveja quando se deveria educar no amor aos
livros, no amor às bibliotecas, ou educar para a solidariedade por meio da
difusão de informações sobre nossa trágica liderança mundial em hanseníase,
a pergunta é clara e direta: por que a reunião do Copom não pode ser
televisionada?
> 

Enviada por: "Carlos Alberto de Almeida" <betho em senado.gov.br>

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