
autor: Antonio Carrilho / email autor: antoniosouzaleao em hotmail.com
RESPONDER A ESTA MENSAGEM
data: Quarta Dezembro 2 21:32:19 BRST 2009
CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
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Pessoal,
Acho engraçado que anos depois do roubo diário que os cidadãos brasileiros
sofrem das telefônicas, das companhias de energia e etc, a palavra estatal
ainda assuste tanto. Em relação à cultura eu só acredito no estado, com
todas as suas deficiências ainda é menos cruel e mais eficiente.
Antonio Carrilho
> To: cinemabrasil em cinemabrasil.org.br
> Date: Sun, 29 Nov 2009 12:58:19 -0200
> Subject: [CINEBRASIL] Que pensam os outros cineastas?
> From: orlansenna em novanet.com.br
>
> CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
> ____________________________________________________________________________
>
> O Estado de São Paulo 29-11-2009
>
> Cineastas rejeitam volta da Embrafilme
>
> Fim da estatal quase anulou cinema nacional, mas situação hoje é outra
>
> Luiz Zanin Oricchio
>
> A extinção da Embrafilme em 1990, no início do governo Collor, provocou uma
> recessão brava no cinema brasileiro, com a produção caindo a quase zero e
> assim se mantendo por alguns anos. Essa situação penosa causou a impressão
> de que havia um luto permanente no meio cinematográfico pela morte da
> empresa, criada em 1969, durante o governo militar. Engano: sua recriação,
> nos mesmos moldes daquela época, parece não despertar o menor entusiasmo
> entre os profissionais de cinema.
>
> Fernando Meirelles (de Cidade de Deus) acha que seria um retrocesso, um
> verdadeiro andar de caranguejo: "O que não funcionava no modelo da
> Embrafilme era o fato de toda a verba pública destinada ao cinema estar
> concentrada nas mãos de uma pequena turma que decidia quais projetos
> deveriam ser financiados e, portanto, além dos projetos terem a mesma cara
> ou direção, pertencer à turma era um pré-requisito para se fazer cinema no
> Brasil", disse.
>
> Meirelles, um dos poucos cineastas patrícios com trânsito no mercado
> internacional, entende que a vantagem do sistema atual de financiamento é
> que o dinheiro pode ser buscado em "milhares" de balcões diferentes. Essa
> multiplicidade de fontes de financiamento seria fiadora da "diversidade do
> atual cinema brasileiro, com lugar para filmes voltados ao mercado e outros
> experimentais, além de muitos documentários", analisa.
>
> "SOVIETIZADA"
>
> Orlando Senna, cineasta (Iracema, uma Transa Amazônica, em parceria com
> Jorge Bodanzky), ex-titular da Secretaria do Audiovisual entre 2003 e 2007
> durante a gestão de Gilberto Gil no MinC, pondera que "a única vantagem que
> a Embrafilme tinha em relação ao sistema atual Ancine/Secretaria do
> Audiovisual/Renúncia Fiscal era ser também uma distribuidora". Mas é contra
> a recriação pura e simples da estatal, nos mesmos moldes dos anos 70 e 80.
> "Retornar a uma empresa centralizada e "sovietizada", voltada apenas para o
> cinema, como a Embrafilme, seria um retrocesso. O ideal seria uma agência
> mais abrangente do que a atual Ancine, com poder de regulamentação sobre
> todo o setor e acoplada a uma distribuidora estatal".
>
> Mesmo o cineasta Roberto Farias (Assalto ao Trem Pagador), que dirigiu a
> empresa entre os anos 1974-1979, propõe uma forma alternativa, mas não vê
> possibilidade ou sentido na volta ao passado. "Dificilmente se poderia
> recriar a Embrafilme tal como era. Talvez seja possível uma espécie de BNDES
> do cinema, com flexibilidade para estimular, emprestar e associar-se, como
> alguns de nós defendíamos no fim de minha gestão em 1979, e como era o
> desejo de Leon Hirszman", diz.
>
> A produtora Mariza Leão, da Morena Filmes (Guerra de Canudos e Meu Nome não
> É Johnny) crava sua opinião sem qualquer hesitação. "É old fashion, uma
> proposta antiquada; a Embra morreu." Ela admite que a empresa, em sua época,
> "foi sensacional, mas não seria agora". Diz que a Embrafilme ajudou a ela e
> ao marido, o cineasta Sergio Rezende, quando não passavam de dois garotos.
> Mas hoje o mesmo esquema não teria mais o menor sentido.
>
> Cabe lembrar que a Embrafilme era tanto uma produtora quanto distribuidora
> de filmes. E, de acordo com os profissionais ouvidos, hoje ela não seria
> útil nem em um campo e nem em outro. Com exceção de Orlando Senna, todos
> entendem que a distribuição deve ser privada, não estatal.
>
> Farias diz que nenhuma distribuidora é capaz de dar conta de 60 a 100 filmes
> por ano, que é a meta brasileira a ser alcançada. E que a incapacidade de
> dar conta desse volume de lançamentos prejudicaria os que têm menos chances
> no mercado, os mais frágeis. "Já vi este filme. Os interesses imediatos da
> empresa e o entusiasmo de seus funcionários se concentrariam inevitavelmente
> nos filmes comerciais e, como antes, os "difíceis" seriam arremessados no
> mercado e abandonados à própria sorte."
>
> Mariza emenda: "Para aqueles que imaginam que uma distribuidora estatal
> possa substituir o legítimo direito de escolha do público, induzindo e/ou
> impondo filmes, lamento dizer que isso é fantasia pura."
>
> COPRODUTORA
>
> Farias diz que distribuidora tem de ser privada, "trabalhando filme a filme,
> extraindo do mercado cada centavo do seu potencial". E conta que no final de
> sua gestão, em 1979, depois de conquistar 40% do mercado, queria privatizar
> a distribuidora da Embrafilme, mantendo a empresa apenas como coprodutora.
> "Meu desejo era fomentar quatro ou cinco distribuidoras privadas que, por
> serem menores, poderiam dedicar-se a todos os filmes de sua carteira,
> inclusive os médios ou pequenos". A sobrevivência dessas distribuidoras
> dependeria da resposta de público a esses filmes nas salas de exibição.
>
> Como nada disso foi feito, a Embrafilme se arrastou ao longo dos anos 1980,
> acabando por ser liquidada, sem um suspiro, no início da era Collor. Se a
> sua extinção deixou impressão de saudade foi porque, naquela época, nada foi
> colocado em seu lugar e mesmo uma empresa ultrapassada era melhor do que
> nada. Hoje a situação é outra.
>
> ......
>
> Maria do Rosário 29-11-2009
>
> CINEMA:
> O debate está aberto
>
> POR Silvio Tendler
>
> Rosário:
> Li a matéria do Zanin de hoje, no primeiro caderno do Estadão, falando da
> Embrafilme e te peço que repasse para ele o texto abaixo que escrevi e
> publiquei no meu blog (www.filmwdoc. blogspot.com) sobre a Riofilme que é a
> ÚNICA destribuidora pública brasileira e que agora repassará seus
> recursospara um Funcine. Discordo em gênero, número e grau.
> Não acredito numa política única, "sovietizada' como o Orlando definiu em
> entrevista, mas acredito que há um espaço diferenciado para o cinema, que o
> Estado deve participar e que não deve se confundir com a iniciativa privada
>
>
> Enviada por: Orlando Senna <orlansenna em novanet.com.br>
>
> ENCONTRE OS PROFISSIONAIS: http://cinemabrasil.org.br/cadastro/
Enviada por: Antonio Carrilho <antoniosouzaleao em hotmail.com>
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